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Dicas da colunista Vera Vanin em 1971

05 de maio de 2015 0
Foto: Mauro De Blanco, acervo pessoal, divulgação

Vera Menegotto Vanin em 1970, quando passou a assinar a coluna Mulher, no semanário Correio Riograndense. Foto: Mauro De Blanco, acervo pessoal, divulgação

Dicas sobre moda, comportamento, etiqueta, decoração, culinária, entre outros assuntos do dia a dia em família ou sociedade, sempre tiveram espaço garantido nos jornais. Há 45 anos, em 1970, o jornal Correio Riograndense pegava carona nessa onda e estreava a coluna Mulher, assinada por Vera Menegotto Vanin.

A ideia surgiu a partir de um convite do então diretor do jornal, frei Aldo Colombo, que desejava um espaço focado mais no papel da mulher esposa e dona de casa. Algo que, por vezes, Vera burlava, abordando assuntos em voga naqueles tempos, como emancipação feminina, mercado de trabalho e independência financeira.

O resultado? Era aconselhada a manter o foco inicial da proposta.

- Quando eu passava um pouco “do limite”, eles me diziam: ‘volta para as receitas de bolo, Vera’ – recorda, aos risos.

A produção

O material era datilografado pela colunista em casa e levado para a redação do Correio, no bairro Rio Branco, onde ocorria a edição. Vera também era responsável pelas fotos, que recortava de revistas, dependendo do assunto abordado.

A coluna durou pouco mais de um ano e chegou ao fim com o nascimento da filha Simone, em 1971.

- Aí não teve mais tempo – lembra a ex-primeira-dama, que na época trabalhava na escola de inglês Centro Cultural Brasileiro e Norte-Americano.

Na foto acima, Vera captada pelo fotógrafo Mauro De Blanco em seu estúdio, em 1970. Abaixo, algumas daquelas lendárias colunas. Clique para ampliar e ler o texto original.



Abordagem avançada 

Publicada semanalmente e “vizinha” da página Sociedade, assinada por Paulo Gargioni, a coluna também rendeu algumas dores de cabeça para Vera. Principalmente quando ela incentivava as leitoras a ter um comportamento “mais avançado”.

- Também recebia cartas de mulheres pedindo conselhos, dicas…. Mas teve um leitor (provavelmente um marido) que não gostou muito da minha abordagem, ligou pro jornal, perguntando “onde já se viu tal coisa?”, soltando desaforos. Mas eram coisas daquela época – gargalha.

Dicas de Vera Vanin em 1970/1971

* Para limpar objetos de metal ou cobre, devolvendo-lhes o brilho e a claridade, siga este processo: prepare um mistura de limão galego e sal, mergulhe aí o objeto ou esfregue toda a superfície com o preparado. Meia hora depois, lave-os com sabão de coco e bombril, enxague com água pura e enxugue bem. Sendo dia de sol, exponha a peça ao seu calor, pois isto a conserva por mais tempo limpa e brilhosa.

* Parece que a guerra dos comprimentos acabou mesmo no último salão do prêt-à-porter de Paris. O que se viu foi um pouco de tudo: mini aventais, saias envelope. O detalhe engraçado é que muitas delas são usadas sobre os shorts, acompanhadas de casacos longos que escondem um pouco a nova ousadia de mostrar as pernas.

* Que estória é essa de ficar com o rosto cansado após a festa? Dance, divirta-se, mas esteja muito linda no dia seguinte. De que jeito? Aplique uma leve camada de creme noturno para o rosto. Escove bem o cabelo para tirar o laquê, assim ele ficará bem penteado no dia seguinte. Beba bastante água. De manhã, logo que acordar, vá para o chuveiro. Tome um banho morno, depois outro frio, e repita essa operação várias vezes. Se você ainda estiver enxergando as coisas pelo avesso, molhe algodão em um pouco de água-de-rosas. Faça massagem no rosto, dando batidinhas leves. Isso refresca maravilhosamente… Por fim, um pequeno coquetel contra a ressaca: tome um copo de suco de laranja fresco, ou então uma xícara de café com o suco de meio limão. E lá se foi o cansaço!

Bossas de 1971

Na coluna da edição de 8 a 15 de maio de 1971, intitulada Novidades, Vera destacava algumas febres de Paris e outros quetais:

* Em breve você não vai precisar abrir a bolsa para retocar a maquiagem e o penteado. Em Paris já há pulseiras e medalhões de couro – desses de colocar em volta do pescoço – com um espelho no centro. As duas bossas foram lançadas pela Hermès.

* Uma bossa diferente: lápis para sobrancelha e máscara para os cílios discretamente disfarçados em estojos que parecem piteiras. São sofisticados e de muita classe.

* Não ponha campainha nem sino em sua casa de campo ou veraneio, na fazenda ou no sítio. Em casas assim, o “quente” é a aldrava. De muito bom gosto são as aldravas de cobre com a forma de bichos.


Perguntas e respostas

Coluna da edição de 24 de abril a 1º de maio de 1971, intitulada Cuide bem dos seus Olhos, trazia algumas “dicas” de Vera para todo o rosto, em formato de pergunta e resposta.

Tenho cabelos secos. Que xampu usar?
Um xampu de proteínas, de pólen de flores ou de gema de ovo.

Cortar os cílios na Lua Cheia faz com que eles cresçam?
Não. Use óleo de amêndoas doces para fortificá-los.

O delineador é passado antes ou depois da sombra?
Depois, e com traço bem fino. Já não se usa mais o delineador preto e grosso.

Posso acreditar num anúncio de depilação definitiva?
Não. Consulte um dermatologista e peça-lhe para fazer uma depilação através da eletrocoagulação, que é a única definitiva.

É verdade que beber água faz engordar?
Durante as refeições, sim.


Vamos amaciar a carne?

Dotes culinários volta e meia abriam as colunas de Vera. Confira alguns “segredos caseiros” publicados na coluna reproduzida acima:

* Qualquer carna fica macia se, antes de cozinhar, você a deixar de molho no vinagre. Se você não gosta de vinagre, umas gotas de limão produzem o mesmo efeito.

* Os bifes de figado podem ser amaciados de forma diferente: deixe-os de molho em leite algum tempo, antes de fritá-los. E não esqueça que você só deve temperar o fígado com sal depois de tirá-lo do fogo, senão ele fica duro.

* Para amaciar pão dormido, borrife-o com partes iguais de água e leite e coloque por alguns minutos no forno quente: ele ficará fresco como se tivesse acabado de assar.

* Os queijos endurecidos voltam ao normal se embrulhados num pano embebido em vinagre.

Falando em comida, alguém recorda do salão de chá “A Raposa Vermelha”, anunciado na coluna de 28 de novembro a 5 de dezembro de 1970? Ficava no Edifício Marisa, na esquina das ruas Pinheiro Machado e Alfredo Chaves.

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