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Os 50 anos do Lar da Velhice São Francisco de Assis

16 de maio de 2015 7

O Lar da Velhice São Francisco de Assis à época de sua inauguração, na segunda metade dos anos 1960. Foto: acervo Lar da Velhice, divulgação

O final de semana é para celebrar e recordar da importância de uma instituição que hoje é referência no acolhimento a idosos em Caxias e região. Há exatos 50 anos, em 16 de maio de 1965, era inaugurado o Lar da Velhice São Francisco de Assis.

Fundado e mantido inicialmente pela Ordem Terceira de São Francisco de Assis da Catedral Diocesana – atualmente denominada Ordem Franciscana Secular –, o espaço surgiu abrigando 24 velhinhos carentes.

Porém, todo o movimento em prol da construção do prédio teve início bem antes, por volta de 1954. Foi quando o terreno pertencente à prefeitura teve sua doação oficializada à Ordem Franciscana.

A partir daí, uma grande campanha comunitária buscou arrecadar fundos para que o então chamado Asilo da Velhice tomasse forma. Encabeçada pelo senhor José Angelo Aloise, a comissão pró-Lar era formada ainda por nomes de forte atuação na cidade, como Arthur Rech, Attilio Granzotto, Paulino Paglioli, José Roque Aloise (filho de José), Afonso Pasquali, Augusto Oscar Viero e Reinaldo De Carli.

A campanha para arrecadar fundos: os velhinhos e o presidente da Ordem Terceira José Angelo Aloise (à direita). Foto: acervo Lar da Velhice, divulgação

A inauguração

Após quase uma década de trabalho e arrecadação de verbas, o prédio assinado pelo engenheiro Romano Lunardi teve sua inauguração bastante badalada. Depois de um solene tríduo preparatório, realizado na Catedral Diocesana nos dias 13, 14 e 15 de maio, o Lar foi abençoado dia 16 pelo então bispo Dom Benedito Zorzi. Na sequência, uma missa em ação de graças, nas intenções dos benfeitores, foi conduzida pelo Frei Celestino, de Antônio Prado.

Nas imagens a seguir, o Lar da Velhice em seus primeiros tempos, quando era atendido por três irmãs da Ordem de São Carlos. Dois registros que compuseram um ensaio especial feito pelo Studio Geremia trazem o refeitório e a antiga cozinha – com piso de ladrilhos hidráulicos e aparelhada com os clássicos fogões à lenha da marca Geral.

A cozinha do Lar da Velhice nos anos 1960. Foto: Studio Geremia, acervo Lar da Velhice, divulgação

O refeitório dos primeiros anos. Foto: Studio Geremia, acervo Lar da Velhice, divulgação

Moradores do Lar da Velhice no início dos anos 1970. Foto: acervo Lar da Velhice, divulgação

O projeto

Conforme informações contidas no antigo folder de divulgação do escritório Romano Lunardi e Cia. Ltda – Engenharia, Arquitetura e Urbanismo (foto abaixo), em 1955, “o prédio conta com 59 metros de fachada, dois pavilhões, uma capela, repartição para dois refeitórios, despensa, copa, cozinha e um pavilhão de fundos, para sala de passar, sala de trabalhos e necrotério”.

Clique nas imagens para ampliar.

O prédio em construção, no início dos anos 1960. Foto: Studio Geremia, acervo Lar da Velhice, divulgação

O prédio praticamente pronto, em 1964. Foto: Studio Geremia, acervo Lar da Velhice, divulgação

A fachada do Lar da Velhice (jardim interno) em 1978. Foto: acervo Lar da Velhice, divulgação

Moradores do Lar da Velhice em 1978. Foto: acervo Lar da Velhice, divulgação

Engajamento comunitário

A colaboração da comunidade, física ou jurídica, auxilia na manutenção do Lar da Velhice até hoje. Mas coube a José Angelo Aloise (1890-1972), profundo conhecedor das necessidades dos idosos que não tinham para onde ir, impulsionar essa prática, ainda nos anos 1950.

Na imagem abaixo, um registro da Ordem Terceira da Catedral Diocesana, com Aloise (à frente, entre os freis capuchinhos) nas escadarias da igreja, em meados dos anos 1960.

Coincidentemente, foi na instituição que ajudou a construir que Aloise faleceu, em 1972.

Escadarias da Catedral: José Angelo Aloise entre os freis capuchinhos e colaboradores da paróquia Santa Tereza, em meados dos anos 1960. Foto: Studio Geremia, acervo Lar da Velhice, divulgação

José Angelo Aloise (à esquerda) recebe uma doação do Lions Clube em 1970. Foto: Studio Beux, acervo Lar da Velhice, divulgação

José Angelo Aloise (à direita) recebe o então governador do RS, Walter Peracchi de Barcelos, no final dos anos 1960. Foto: acervo Lar da Velhice, divulgação

Missa de aniversário

Uma missa especial neste sábado, às 17h, na capela do Lar da Velhice São Francisco de Assis, celebra os 50 anos da instituição. A missa também é aberta ao público.

O Lar hoje

O Lar da Velhice São Francisco de Assis fica na Rua Antonio Pieruccini, 85, no bairro Marechal Floriano. Para doar roupas e mantimentos, é só procurar a sede em horário comercial ou ligar para o telefone (54) 3225.1677.

Confira uma entrevista com Léa Signori, diretora do Lar, clicando AQUI.

O Lar da Velhice com o antigo logotipo, em meados dos anos 1980. Foto: acervo Lar da Velhice, divulgação

Comentários (7)

  • José diz: 16 de maio de 2015

    A penúltima foto que faz referencia a visitantes no final dos anos 60, trata-se do Governador Walter Perachi de Barcelos. O Sr. José Aloise era sem duvida uma grande figura humana! Residia, modestamente,na Pinheiro Machado ao lado do cine Opera e sempre vestido impecavelmente de terno, gravata e chapéu pretos. O lar da Velhice,sua obra em vida, foi um grande legado à comunidade carente de Caxias .

  • Aberto Rech diz: 16 de maio de 2015

    Prezado Rodrigo….Muito oportuna esta reportagem do Memória sobre o Lar da Velhice..Naquela foto da escadaria da Catedral consegui identificar três senhoras que eram vizinhas de onde eu morava… São: Dna. Italia Tomasi ( A primeira mulher á esquerda entre os dois primeiros homens da esquerda na primeira fila),Dna.Anita Zampieri ( ao lado direito da Dna.Italia Tomasi), e a Dna. Alcides Alberti,é a segunda mulher da direita, na primeira fila e vestida de preto….Parabens e abraços…

  • Pedro Gilberto Aloise diz: 18 de maio de 2015

    Os que não conheceram José Angelo Aloise (meu nonno) não podem imaginar o quanto ele se dedicou a esta obra, pois na condição de alfaiate não possuia recursos financeiros para fazer frente a este empreendimento de caridade. Foram muitos os colaboradores e vale destacar a generosidade do povo de Caxias do Sul daquela época, que se sensibilou e apoiou a iniciativa. Do mais humilde ao mais abastado ajudaram na obra. Meu pais diziam que pessoas humildes batiam a porta da casa do nonno levando um único tijolo e diziam: “Seu Aloise, este tijolo é para o lar dos velhinhos pobres”. Tenham todos a certeza que os alicerces espirituais do Lar da Velhice S. Francisco de Assis são da mais pura e verdadeira caridade, baseadas no exemplo do Poverello de Assis.

  • Maria Helena Aloise diz: 18 de maio de 2015

    Parabéns pela reportagem.
    Sou neta do Sr. José Angelo Aloise e muito me orgulha que depois de tanto tempo ele continue vivo nesta obra que atende até hoje os idosos da minha cidade natal

  • Mariagela Aloise diz: 25 de maio de 2015

    Parabéns e obrigada por manter viva a memória da minha familia. Sou filha de José Roque Aloise e neta de José Angelo Aloise. Meu nonno faleceu pouco antes que eu nascesse. Impossivel conter as lágrimas ao ver o quanto ele deixou de legado. Obrigada!

  • Paulo Ricardo Aloise diz: 25 de maio de 2015

    Foi com o coração saudoso mas ao mesmo tempo feliz (afinal, saudade é o amor que ficou) que li a matéria sobre o Lar da Velhice São Francisco de Assis, esse maravilhoso lugar que, em tenra idade, visitava com meus pais e o querido nonno Aloise “pra ver os velhinhos”. Parabéns por manter viva essa linda história de amor ao próximo.

  • Marilena Turra diz: 9 de setembro de 2015

    Que história maravilhosa e tambem comovente!Quais são as instituiçoes que contribuem para a manutenção do lar?Porque não fazer uma campanha publicitária para mobilização de todos?

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