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Caravaggio e a Via-Sacra de Locatelli em 1960

22 de maio de 2015 1

Há 55 anos: a Estação I sendo descerrada em 22 de maio de 1960. Foto: acervo Casa de Memória São Pelegrino, divulgação

Há exatos 55 anos, as homenagens a Nossa Senhora de Caravaggio ganharam um ingrediente extra, que concentrou as atenções da comunidade caxiense na Igreja São Pelegrino. Foi a inauguração oficial da Via-Sacra, em 22 de maio de 1960.

Pegando carona na reportagem especial sobre o centenário do pintor italiano Aldo Locatelli (1915-2015) e nos 140 anos de imigração, recordamos de parte dessa história.

Pintadas aleatoriamente entre 1958 e 1960 – Locatelli não seguiu a ordem das 14 estações -, as obras foram expostas inicialmente em Porto Alegre, para testar a receptividade do público. Como o artista baseou-se no livro A Paixão de Jesus Cristo Segundo o Cirurgião, do médico francês Pierre Barbet, ele temia que o realismo dramático do flagelo de Cristo – com seus cortes, fissuras e sangue – chocasse os fieis mais conservadores de uma cidade do interior.

O vernissage no antigo Espaço Mata-Borrão, no entanto, foi um sucesso, tranquilizando o artista a trazer as obras para a Serra. Porém, antes de serem descerradas, as 14 estações permaneceram cobertas por um pano preto durante quase uma semana dentro da igreja, aguçando a curiosidade dos fiéis.

Chegado o grande dia, a missa solene foi conduzida pelo arcebispo de Florianópolis, Dom Felício César da Cunha Vasconcelos – que se encontrava na cidade devido a uma novena em homenagem a Nossa Senhora de Caravaggio.

A cerimônia contou ainda com a presença do bispo auxiliar de Caxias, Dom Cândido Maria Bampi, do pároco Eugênio Giordani e dos padres Waldomiro Minella, Ruy Bosa e Sidney Zanettini, além do próprio Locatelli e da esposa, Mercedes Biancheri.

Clique nas imagens para ampliar.

A Estação VII – Queda: descerramento foi acompanhado por centenas de fiéis. Foto: acervo Casa de Memória São Pelegrino, divulgação

As 14 Estações, tela por tela

A inauguração da Via foi acompanhada por dezenas de personalidades, entre elas o prefeito Armando Biazus, o jornalista e advogado Heráclito Limeira, a rainha da Festa da Uva de 1958, Zila Turra, e os 14 paraninfos que auxiliaram no custeio das estações.

Os casais, viúvas ou irmãos patrocinadores acompanharam o descerramento da respectiva tela paga. Conforme os registros paroquiais, eram eles:

Estação 1: Condenado - Ítalo Corsetti e Sra.
Estação 2: Cruz e Vilipêndios - Viúva Rosa Paulina Guidali Andreazza
Estação 3: Queda, Pegadas de Sangue no Caminho da Dor - Genuína Corso e filhos
Estação 4: Encontro com a Mãe - Dante Paternoster e Sra.
Estação 5: O Homem Bondoso - Jacó Gregoleto e Sra.
Estação 6: Verônica - Domingos Bianco e Sra. e Egídio Bianco e Sra.
Estação 7: Queda - Antonio Marchet e Sra.
Estação 8: Encontro com as Piedosas Mulheres - Ana Azevedo Maggi
Estação 9: Queda II - Orestes Baldisserotto e Adélia Casanova
Estação 10: Despojado de suas Roupas - Victório Cesa e Sra.
Estação 11: Pregado na Cruz - Dorvalino Galiotto e Sra.
Estação 12: Crucificado – Waldemar De Zorzi e Sra.
Estação 13: Mãe Dolorosa - Francisco Marchetto e Sra.
Estação 14: O Sepulcro - Viúva Maria Gregoletto

Confira o vídeo original da inauguração das 14 estações clicando AQUI.

A Estação II – Cruz e Vilipêndios: inauguração das 14 telas foi acompanhada por paraninfos e centenas de fiéis em 1960. Foto: acervo Casa de Memória São Pelegrino, divulgação

Pai e filha

Cristiana, filha de Locatelli, foi retratada na Estação 8, Encontro com as Piedosas Mulheres. É a menina com um pote de água no primeiro quadro à direita, na estrada da igreja. Já o próprio Locatelli inspirou a figura de Simão Cirineu, que auxilia Jesus a carregar a cruz, na Estação 5 – O Homem Bondoso.

Confira imagens do pintor nas posições de Cristo clicando AQUI.

Confira retratos particulares pintados por Locatelli nos anos 1950 clicando AQUI.

Morte em 1962

Aldo Locatelli faleceu apenas dois anos após concluir a Via-Sacra. Foi em 3 de setembro de 1962, aos 47 anos, em decorrência de um câncer de pulmão.

Agradecimento

A coluna agradece ao padre Leonardo Inácio Pereira pela cedência das imagens, pertencentes ao acervo da Casa de Memória São Pelegrino.

Comentários (1)

  • Maria Helena Muratore diz: 23 de maio de 2015

    Um Documentário de grande valor histórico que emociona e nos leva ao conhecimento de detalhes significativos das pinturas e do inesquecível e primoroso Pintor Italiano Aldo Locatelli . Aplausos aos que guardam o Acervo e os que trouxeram ao conhecimento do público pela Coluna “Memória” do Jornal Pioneiro.

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