Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Toni dei Pinitti, o Antonio dos Pinheiros

03 de junho de 2015 0
A antiga casa de Antonio Dall’ Alba, com os pinheiros que dominavam o entorno. À frente, o neto Isidoro Dall’ Alba. Foto: acervo pessoal de Zaira Polo Dall' Alba, divulgação

A antiga casa de Antonio Dall’ Alba, com os pinheiros que dominavam o entorno. À frente, o sobrinho Isidoro Dall’ Alba. Foto: acervo pessoal de Zaira Polo Dall’ Alba, divulgação

Pegando carona na Semana do Meio Ambiente, promovida pela prefeitura até esta quarta-feira, aproveitamos para recordar daquele que é considerado o primeiro reflorestador da Serra gaúcha: o imigrante italiano Antonio Dall’Alba.

Por volta de 1900, época em que milhares de pinheiros eram postos abaixo pelos colonizadores – para a construção de casas e galpões, plantações de milho e trigo e parreirais -, Dall’ Alba seguiu o caminho inverso.

Costumava plantar tantos pinheiros que, em pouco tempo, já não havia mais lugar para as outras culturas cultivadas nos lotes da família. Não por acaso ficou imediatamente conhecido em Ana Rech pelo apelido de Toni dei Pinitti (Antonio dos Pinheiros).

Toda essa história foi recordada pelo padre João Leonir Dall’Alba, autor do livro Os Dall’Alba – Cem Anos de Brasil. Conforme detalhado na obra, Toni chegou a plantar aproximadamente 40 hectares de pinheiros:

“Precisava fazer roças no terreno dos outros, pois o seu ia sendo gradativamente ocupado pelo pinheiral. Escolhia os melhores pinhões como semente e deixava os menores para comer e vender. Numa seca mais braba, fez até as filhas carregarem água com o bigol, para salvar os pinheirinhos”, detalhou o autor.

A lendária banda dos Dall’Alba, formada pelos primos Isidoro (com o violão), Miguel, Fiorentino e Constantino (em pé), mais um amigo não identificado (à direita, sentado). Foto: acervo pessoal de Zaira Polo Dall' Alba, divulgação

A lendária banda dos Dall’Alba, formada pelos primos Isidoro (com o violão), Miguel, Fiorentino e Constantino (em pé), mais um amigo não identificado (à direita, sentado). Foto: acervo pessoal de Zaira Polo Dall’ Alba, divulgação

Foto: acervo pessoal de Zaira Polo Dall' Alba, divulgação

Fiorentino Dall’ Alba, um dos 13 filhos do imigrante Antonio Dall’ Alba, o Toni dei Pinitti. Foto: acervo pessoal de Zaira Polo Dall’ Alba, divulgação

Acervo precioso

As três imagens antigas acima integram o acervo de dona Zaira Polo Dall’ Alba, 87 anos, viúva de Fiorentino Dall’Alba, um dos 13 filhos de Antonio.

Dona Zaira mora até hoje no casarão de madeira localizado em São Valentim de Ana Rech. Logicamente, cercada de pinheiros…

Zaira Polo Dall’Alba e a fiel companheira Lobinha defronte ao casarão da família. Foto: Rodrigo Lopes

Casarão vizinho ao pinheiral é a residência de dona Zaira Dall’Alba há mais de 60 anos. Foto: Rodrigo Lopes

Centenário

Um século depois de os primeiros pinheiros serem plantados, um monumento em homenagem a Antonio Dall’ Alba foi inaugurado no acesso às terras da família, próximo à Capela de São Valentim de Ana Rech.

A solenidade ocorreu em 17 de novembro de 2000.

Foto: Rodrigo Lopes

Dona Zaira e o monumento em homenagem ao sogro, Antonio Dall’Alba, o Toni dei Pinitti. Foto: Rodrigo Lopes

Foto: Rodrigo Lopes

Inaugurado em 2000, 100 anos após as primeiras espécies serem plantadas, monumento traz Toni dei Pinitti com um pinhão na mão, símbolo de sua trajetória. Foto: Rodrigo Lopes

Inscrições na pedra prestam homenagem ao imigrante italiano chegado à região em 1884. Foto: Rodrigo Lopes

A trajetória

Nascido em 1874, na localidade de San Rocco di Tretto, em Vicenza (Itália), Antonio chegou ao Travessão Henrique D’ Ávila em 1884, com os pais Luigi Dall’Alba e Teresa Reghelin. De sua união com Madalena Cândida Zaupa, em 1898, nasceram 13 filhos: Luis, Maria, Valentim, Helena, Ciro, Silvio, Carino, Hermínio, Secundino, Catarina, Francelina, Fiorentino e Gisela.

Além dos pinheiros, Antonio também foi pioneiro na plantação de vimes. Conforme o autor João Leonir Dall’ Alba, ele cultivou ainda pessegueiros, macieiras, ameixeiras, marmeleiros, laranjeiras e, sua especialidade, as parreiras.

O imigrante faleceu em 4 de março de 1938, vítima de um derrame no porão de casa. Após o velório, o féretro passou exatamente pelo meio do famoso pinheiral concebido por ele.

Antonio Dall’ Alba está sepultado no cemitério de São Valentim de Ana Rech.

Pinheirais ainda dominam a região, hernaça deixada pelo imigrante Antonio Dall’Alba. Foto: Rodrigo Lopes

Um visionário

Considerado louco para a época e com um olhar bastante visionário, Antônio dos Pinheiros costumava dizer: “piantar un pignon lê mêter um fiorin al giuro” (plantar um pinheiro é colocar um dinheiro a juro).

Alguém, hoje, diria que tudo isso foi loucura?

Foto: Rodrigo Lopes

Foto: Rodrigo Lopes

A Estrada dos Pinhais

Popularmente conhecida como Estrada dos Pinhais, a Estrada Municipal 146 entrou em pauta na Tribuna Livre da Câmara de Vereadores, em fevereiro.

Representantes da Sociedade Amigos de Ana Rech (Samar) e descendentes de Antônio Dall’ Alba encaminharam ao vereador Guila Sebben (PP) um pedido para que a via margeada pelas espécies seja reconhecida oficialmente por esse nome – a estrada foi inaugurada em 21 de novembro de 1976.

Na plenária também foram distribuídas mudas de araucárias aos vereadores, uma referência à prática secular da família, instalada na região há 130 anos.

A comunidade ainda aguarda por uma decisão…

Envie seu Comentário