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A cidade e o Carmo pelo olhar do Irmão Bonifácio

16 de junho de 2015 5

A formatura dos alunos da turma de 1965, com o Irmão Bonifácio (segundo sentado à direita) e o Irmão Benildo (primeiro à esquerda). Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Irmão Bonifácio, o Boni, em 2007, quando recordou algumas das histórias publicadas no livro Crônicas do Carmo. Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro, 27/3/2007

O falecimento de Olindo Müller, o Irmão Bonifácio, nesta terça (16), enlutou professores, alunos e ex-alunos do colégio Nossa Senhora do Carmo. Mas suas histórias ficarão para sempre. Autor do livro Crônicas do Carmo, o irmão lassalista ajudou a eternizar episódios pitorescos de Caxias do Sul em relatos nostálgicos e pra lá de saborosos.

Abaixo, reproduzimos trechos de duas dessas crônicas, que trazem curiosidades sobre as esculturas da fachada do prédio e o famoso ferro para limpeza dos calçados, no portão da Rua Os Dezoito do Forte.

Os textos foram publicados originalmente no livro lançado em 1988, quando o educandário celebrava 80 anos de fundação – na foto abaixo, o colégio em meados dos anos 1950, captado a partir do terraço do Eberle.

Clique nas imagens para ampliar.

O Colégio Nossa Senhora do Carmo em meados dos anos 1950, quando ainda fazia vizinhança com os antigos casarões de madeira da Ruas Marquês do Herval. Foto: acervo Colégio Nossa Senhora do Carmo, divulgação

O colégio captado do alto em 2007. Foto: Nereu de Almeida, banco de dados/Pioneiro

Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro, 27/3/2007

Em 2007: Irmão Bonifácio, personagem que ficará na memória de gerações e gerações de alunos do Carmo. Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro, 27/3/2007

O irmão lassalista e as meninas do Núcleo Bandeirante Irmão Bonifácio, fundado por ele. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

As estátuas

O Irmão Francisco tinha adoração à bela fachada do Carmo e não permitia que alguém apontasse defeito na arquitetura clássica do prédio. Talvez por essa razão o Carmo é tão rico em colunas, capitéis, molduras e balaústres.

O frontispício do colégio é lindo na parte central e coroado com artística imagem de Nossa Senhora, oriunda da França e colocada no cimo em 1927. A estátua teve por madrinha uma caxiense ilustre e benemérita por seu espírito de fraternidade e seus trabalhos comunitários: dona Clélia Manfro.

O Irmão Maurício encomendara uma estátua que, segundo as regras da iconografia, deveria representar Nossa Senhora do Carmo. Aconteceu que, em Marselha, o estatuário – não tendo a imagem solicitada – despachou outra, igual à do santuário marítimo de Nossa Senhora da Guarda. O Irmão Maurício contou-nos o engano, mas nenhum caxiense se deu conta da diferença e ninguém pediu retificação.


A meia altura da fachada está o grupo escultural de La Salle. La Salle aponta para o céu, e os cinco meninos que lhe fazem companhia representam a juventude dos cinco continentes.


Seu pedestal é um bloco de pequenos cristais de quartzo.Nosso Irmão Basílio Marcos ainda não se esqueceu de que essas pedras são originárias do Morro do Cristal, próximo de São Pedro da Terceira Légua. Lá foram elas cavadas ou arrancadas dos barrancos e carregadas em sacolas pelos próprios irmãos, durante seus passeios às quartas-feiras.

Foto:  Jonas Ramos

As estátuas de “Nossa Senhora do Carmo” e de La Salle na fachada do prédio. Foto: Jonas Ramos

O ferro do portão

É frequente as crianças perguntarem a razão por que, à direita da entrada pelo portão do Carmo, está presa à calçada uma lâmina de ferro destinada à limpeza dos calçados.

Até 1942, a Rua Os Dezoito do Forte não tinha calçamento. Esta era uma estrada campeão em buracos e pedregulhos. A aspereza de sua superfície era suavizada com uma boa camada de esterco de cavalo e outros dejetos.


Nos dias chuvosos de inverno, os alunos vinham de sapatos protegidos por galochas de borracha ou calçavam botas que hoje fariam sucesso em qualquer fandango nativista. Meio quilo de lodo e estrume era o tributo que diariamente levavam ao colégio para completar a magra mensalidade que então pagavam pelo estudo.


Decorreram anos e lá esteve a lâmina exposta às intempéries, limpando os sapatos dos mocinhos elegantes e as botas dos “pelo-duro”. Os automóveis eram raros e não passavam de simples calhambeques. Poucos eram os cidadãos que se permitiam o luxo de levar seus filhos de carro ao colégio.

Excursão em 1952: Irmão Bonifácio registrou o grupo de alunos em cima do antigo ônibus da Nicola (atual Marcopolo). Entre os alunos, o jovem Nelson Sbabo (terceiro agachado, a partir da direita). Foto: acervo pessoal de Nelson Sbabo, divulgação

Em 1952

Na imagem acima, um registro feito pelo Irmão Bonifácio em outubro de 1952, quando o religioso acompanhou uma excursão de alunos do Carmo com um ônibus da antiga empresa Carrocerias Nicola (embrião da Marcopolo). Entre os estudantes, o jovem Nelson Sbabo, atual diretor de Infraestrutura e Logística da CIC.

Leia mais sobre o encontro dos formandos de 1964 do Carmo, ex-alunos do Irmão Bonifácio, clicando AQUI.

Irmão Bonifácio e Colégio La Salle Carmo, uma história de 60 anos. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Irmão Bonifácio e Colégio La Salle Carmo, uma história de 60 anos. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Comentários (5)

  • Alberto Rech diz: 16 de junho de 2015

    O Ir.Bonifácio ou Fantasma como nós o apelidamos ( pois sempre aparecia nos lugares mais inesperados e vinha para nos chamar atenção das nossas traquinagens)jamais será esquecido por qualquer um dos rapazes ou moças que foram seus alunos.A sua exigência pela disciplina em aula, a sua dureza ao corrigir nossos textos de redações de português,o seu chaveiro “voador” na aula quando alguém cochichava , e as suas histórias fizeram todos crescerem do jeito certo e nos tornou em pessoas decentes e honestas….No ano passado o reencontro do Mestre nos 50 anos de nossa formatura , foi uma benção recebida e comemorada por todos. A nossa última conversa no dia 13 de junho de 2014 nos fez voltar todo aquele tempo de alunos do Carmo…. Conversa gravada que será uma maravilhosa recordação desse homem exemplar ,íntegro e um modelo de pessoa humana para muitos de nós.Obrigado por tudo Boni e adeus Mestre..!!!!!

  • Claudio Luiz Viegas diz: 17 de junho de 2015

    Como poderemos esquecer do Irmão Bonifácio? Impossível, porque nos traz sua figura carismática no fundo de nossa alma. A intransigência no corrigir os erros de português de nossas redações, nos fizeram corrigir muitas vezes nossas vidas. Foi símbolo sempre de um indivíduo correto, no escrever e no fazer. Símbolo de uma época de esperanças no futuro de nosso país. Quantos alunos aprenderam com ele, a virgula e o ponto. Não podemos contar, mas certamente todos manterão viva a sua memória, no Carmo e no contexto de Caxias do Sul. Um até breve mestre Boni, nessa caminhada em busca da luz, que nos guia na grande estrada do universo…

  • Américo Ribeiro Mendes Netto diz: 17 de junho de 2015

    Nesta bela manhã de sol o céu estava tão azul que o Irmão Bonifácio ( Boni ) partiu para lá. Depois de 96 invernos ,achou que sua missão havia terminado por estas bandas,No meu livro “Segredos de Passaporte 03 escrevi o capitulo ” ONDE ESTÁ O FANTASMA RISONHO ? ” Agora sabemos onde ele está :……… NO CÉU !

  • Claudia diz: 18 de junho de 2015

    E agora quem vai contar se existe ou não um túnel que liga o Carmo e o São José????

  • Zico Zugno diz: 25 de fevereiro de 2016

    Vivi belas experiências de vida protagonizadas por este exemplar educador. Ele tirou do meu bolso bombinhas de São João que eu estava usando prá apavorar a molecada… Me deu um facão e me fez cortar os galhos baixos (podar) de um reflorestamento inteiro na Mulada. Era um dia de muito Sol e calor e ele chegou no fim da tarde com um galão de 5l de Q-suco de groselha. Outro dia nos levou nas tocas dos índios e no barro movediço para tomar banho de lama até o pescoço. Leu meu livro ANTÍDOTO APOCALÍPTICO – 150 PROVAS CIENTÍFICAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS e me parabenizou efusivamente. E eu recomendo os dele, especialmente “Louvor dos bichos” , “O menino dos sonhos azuis” e as “Crônicas do Carmo”.

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