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Um relicário para Lucia Carbone

25 de junho de 2015 0

Lucia e Romulo Carbone em 19 de novembro de 1910, data do casamento ocorrido ainda na Itália. Médico chegaria a Caxias em 1913. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A recente exposição Relicários de Amor e de Morte, de Juventino Dal Bó e Marcos Vinícius Cruz, trouxe à tona as lembranças de Lucia Carbone, esposa do médico Romulo Carbone. Mulher bastante avançada para a Caxias do Sul dos anos 1920 e 1930, Lucia (pronuncia-se Lutía) foi homenageada com uma das “caixas” da mostra (leia mais abaixo).

Um das histórias mais curiosas diz respeito às residências onde o casal morou. Propriedade da família Ungaretti/Triches desde os anos 1950, a mansão localizada junto à chácara da Rua Os Dezoito do Forte, quase esquina com a Treze de Maio, foi construída a pedido de Lucia para ser a moradia eterna do casal. Os Carbone, inclusive, fizeram questão de colocar no portão a inscrição Forever (para sempre).

“A Lucia mudava muito de casa. Aquela já era a quinta que eles construíam por causa dessa mania. E era para ser a última”, recordou, em 2005, o empresário Carlos Caetano Pettinelli (in memoriam).

Clique nas imagens para ampliar.

Em Barcelona: registro de viagem a bordo do navio Giulio Cesare em 18 de abril de 1924, com Lucia (sentada ao centro), Romulo Carbone (em pé ao centro), o filho Francesco (no triciclo) e um grupo de amigos. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Lucia (no cavalo), Romulo e o filho Francesco Pedro, o Ferruccio. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Anos 1930: Lucia Carbone (à frente, com a raquete) na quadra de tênis localizada junto à chácara da Rua Os Dezoito de Forte. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

 Recordações da ex-primeira-dama

Parte dessa história foi relembrada pelo Pioneiro em maio de 2005, quando dona Neda Ungaretti Triches (esposa do ex-prefeito e ex-governador do Estado Euclides Triches) abriu as portas do casarão, durante uma de suas visitas a Caxias – ela atualmente mora no Rio de Janeiro.

No final dos anos 1940, Carbone e Lucia acabaram vendendo a chácara para o empresário Julio Ungaretti (pai de Neda e presidente da Festa da Uva de 1954). Na sequência, o casal mudou-se para Porto Alegre, fixando-se no bairro Moinhos do Vento, onde Lucia faleceu devido a um tumor na cabeça, em 8 de novembro de 1956.

Nascido em 1879, Romulo Carbone morreria cinco anos depois, em 1961, aos 82 anos.

Em 2005: Neda Ungaretti Triches na mansão que pertenceu à família Carbone e que posteriormente foi adquirida pelo pai, Julio Ungaretti. Lá ela também morou com o marido, o ex-prefeito Euclides Triches (no quadro ao fundo). Foto: Jefferson Botega, banco de dados/Pioneiro

O portão com a inscrição Forever, um pedido de Lucia Carbone. Foto: Jefferson Botega, banco de dados/Pioneiro

Uma casa para sempre

Conforme relato de Carlos Caetano Pettinelli ao Pioneiro em 2005, a primeira casa oficial dos Carbone ficava na chácara da família Eberle.

Posteriormente, eles mudaram para outra emblemática construção: o palacete da esquina da Av. Júlio de Castilhos com a Rua Marechal Floriano (demolido no final dos anos 1970 para sediar o Banco Nacional e onde hoje localiza-se o Banco Itaú). A família morou ainda nas proximidades do antigo Cine Vêneto, em Lourdes, antes de fixar-se na chácara da Rua Os Dezoito do Forte.

Segundo Pettinelli, Lucia criou toda uma história em torno do lugar. Tanto que quando mandava cartões postais ou bilhetes, em vez de identificar a procedência Caxias do Sul, assinava simplesmente… Forever.

Década de 1930: o prédio do antigo Hospital Carbone e, posteriormente, do Hospital Santo Antônio, onde Lucia e Romulo moraram. Foto: Giacomo Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Casa e hospital

A primeira moradia dos Carbone foi o casarão que hoje abriga o Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, na Av. Júlio, esquina com Humberto de Campos, em Lourdes.

A pioneira Casa de Negócios de Vicente Rovea passou a funcionar como a “Casa de Saúde” do dr. Carbone em 1925. O italiano transformou o andar superior em quartos para pacientes e sala de cirurgia, e o térreo, em residência.

O artista plástico e historiador Juventino Dal Bó e o relicário “Em Memória de Lucia Carbone”, que compôs a exposição “Relicários de Amor e de Morte”, no Museu Municipal. Foto: Rodrigo Lopes

Habilitação em 1941

O relicário Em Memória de Lucia Carbone, um dos integrantes da exposição, traz um único objeto pessoal da homenageada – a carteira de habilitação de Lucia, expedida em 1941, em Porto Alegre (foto acima). Ela foi adquirida por Juventino Dal Bó no Brique da Redenção completamente por acaso.

Sabedor do interesse de Juventino pela história de Caxias, um comerciante ofereceu a carteira ao artista plástico, que acabou aproveitando-a em sua obra.

Fazendo jus à técnica assemblage (composição ou colagem de vários objetos objetos encontrados em sótãos, porões, feiras de antiguidades, depósitos, briques ou nos próprios acervos dos artistas), o documento aparece mesclado a fotografias, bibelôs antigos, luvas, fragmentos em metal e recortes de revistas.

Romulo Carbone, Lucia e o pequeno Ferruccio em meados dos anos 1910. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

No Pioneiro em 1956

O falecimento de Lucia Carbone também estampou a capa do Pioneiro de 10 de novembro de 1956, conforme reproduzido abaixo.

Clique para ampliar e ler o texto original.

Foto: reprodução/Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

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