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25 anos sem o Frei Ambrósio Tondello

10 de julho de 2015 0

Registro da primeira missa rezada pelo Frei Ambrósio Tondello (sentado ao centro) na Capela de São Roque, em Antônio Prado, em 1936. Foto: acervo família Bernardi, divulgação

Quem passou pela Igreja dos Capuchinhos entre 1960 e 1990 deparou com ele. A voz mansa, o gestual sóbrio, o sorriso tranquilo e conciliador, as palavras de conforto e a admiração de uma legião de seguidores fizeram dele um dos símbolos da Paróquia Imaculada Conceição.

A acolhida que o frei capuchinho Ambrósio Tondello concedeu a milhares de fieis é novamente lembrada em 2015, quando se completam 25 anos de sua morte.

Nascido Hermínio Horácio Tondello em 5 de setembro de 1912, em Antônio Prado, o filho de Antonio Tondello e Christina Ghinzelli entrou no Seminário Seráfico São José, de Veranópolis, em 1925, aos 13 anos.

Após o noviciado no Seminário Sagrado Coração de Jesus, em Flores da Cunha, o jovem Hermínio tornou-se o frei capuchinho Ambrósio de Antonio Prado em 8 de dezembro de 1928 _ exatamente no dia da Festa da Imaculada Conceição. Já a ordenação sacerdotal deu-se aos 24 anos, em 15 de março de 1936, pelas mãos do primeiro bispo de Caxias do Sul, Dom José Barea.

Clique nas imagens para ampliar.

Em 1961: a celebração dos 25 anos de ordenação, também em Antônio Prado. Foto: acervo família Bernardi, divulgação

Frei Ambrósio entre a madrasta Josephina Bernardi e o pai Antônio Tondello.
O religioso perdeu a mãe com poucos anos de vida. Seu pai, então, casou com dona Josephina, que criou o menino como filho. Foto: acervo família Bernardi, divulgação

Duas etapas

A vida sacerdotal do frei Ambrósio pode ser dividida em duas fases. A primeira, focada nos serviços apostólicos, abrangeu o período de 1936 até 1959. Nesse intervalo, o cônego atuou como vigário paroquial em Garibaldi (de 1936 a 1945 e de 1947 a 1951), diretor espiritual e professor de Teologia. Já em Caxias, atuou como reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora Aparecida, em 1952, coordenador do jornal Correio Riograndense e vigário, de 1957 a 1959.

A segunda etapa teve início em 1960. Devido a problemas de saúde, frei Ambrósio passou a atuar como confessor e orientador espiritual na Igreja dos Capuchinhos, onde desenvolveu um forte vínculo comunitário com os moradores do bairro Rio Branco e arredores – durante os primeiros 15 anos, até meados de 1975, realizou mais de 12 mil batizados.

Na sequência, o então denominado Ministro da Reconciliação da Igreja Imaculada Conceição dedicou-se quase que exclusivamente às confissões. Frei Ambrósio ouvia e aconselhava os paroquianos por oito horas diárias. Em períodos de festas religiosas ou de Crisma e Primeira Eucaristia, chegava a passar 16 horas atendendo os fiéis.

Daí adveio um dos tantos nomes pelos quais Frei Ambrósio ficou conhecido: o Santo do Confessionário.

Foto: acervo Igreja Imaculada Conceição

Morte em 1990: mais de 20 mil pessoas despediram-se do frei, motivadas pela serenidade e misericórdia com que ele atendia o povo. Foto: acervo Correio Riograndense, divulgação

A despedida

Vítima de um aneurisma cerebral, frei Ambrósio faleceu aos 77 anos, em 17 de abril de 1990, no Hospital Pompéia.

O corpo foi velado durante um dia inteiro, em uma Igreja dos Capuchinhos lotada de religiosos e fiéis. Registros da época dão conta de que cerca de 20 mil pessoas, vindas de várias cidades da região, passaram pelo templo.

Durante a missa, celebrada pelo então bispo Dom Paulo Moretto, consentiu-se que que frei Ambrósio fosse sepultado na igreja. Exatamente no mesmo local onde, diariamente como Ministro da Reconciliação, atendia a todos que o procuravam.

Até hoje, ele é o único frei enterrado lá dentro.

Foto: acervo Igreja Imaculada Conceição

Frei Ambrósio ficou na lembrança de gerações de fiéis em Caxias do Sul. Foto: acervo Correio Riograndense, divulgação

Títulos

Apesar de avesso a  honrarias, o religioso foi agraciado com várias delas. Em 1984, frei Ambrósio recebeu o Troféu Caxias, seguido pelo Título de Cidadão Caxiense, conferido pela Câmara de Vereadores, em 1989.

Ele também dá nome a uma rua, a uma praça e a uma escola de educação infantil no bairro Bom Pastor.

Colaboração

Parte das informações e fotos desta coluna foram disponibilizadas pela leitora Manuela Bernardi, neta da irmã do frei Ambrósio Tondello.

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