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Casamento duplo de gêmeos agita Farroupilha em 1955

15 de julho de 2015 2

Há 60 anos: Jacir e Eugenio e Plinio e Geni Sonaglio foram abençoados pelo Monsenhor Bombardelli em 16 de julho de 1955. Foto: Studio Dal Monte, acervo de família, divulgação

Casamento movimentou a sociedade farroupilhense em 1955. Foto: Studio Dal Monte, acervo de família, divulgação

Igreja Matriz de Farroupilha lotou de convidados e curiosos para conferir o duplo casamento dos gêmeos. Foto: Studio Dal Monte, acervo de família, divulgação

O dia em que Farroupilha parou: assim poderia ser definido o 16 de julho de 1955. Há 60 anos, boa parte da cidade dirigiu-se à Igreja Matriz para acompanhar um casamento pra lá de insólito: o enlace dos gêmeos Eugenio e Plinio Sonaglio com as gêmeas Jacir e Geni Trevisan. Bastante curioso aos olhos de hoje, o duplo casório foi planejado nos mínimos detalhes: no mesmo dia, com uma mesma festa, terno igual para os noivos, vestido idêntico para as noivas, fotos juntos para a posteridade.

Toda essa história teve início em meados de 1952. Filhos do empresário do setor hoteleiro e exportador Julio Sonaglio, Eugenio e Plinio costumavam jogar futebol no extinto time do Caruara e já conheciam de vista – e de torcida nos jogos – as futuras pretendentes. Pouco tempo depois, as duas irmãs aguardavam atendimento no consultório de um dentista quando Geni avistou, pela janela, os dois andando na rua.

– Disse para a Jacir que eles eram os ideais para nós – recordou dona Geni, 81 anos.

Os pares foram escolhidos pelo nome: Jacir optou por Eugenio, Geni gostou de Plinio. A paquera evoluiu para um namoro sério quando os rapazes passaram a frequentar a casa das irmãs nos mesmos dias e horários – dando trabalho extra aos pais, que naqueles tempos tinham de “controlar” dois casais ao mesmo tempo. “Trabalho” eles davam também no dia a dia, quando saíam vestidos iguais e confundiam amigos e parentes.

– Mas a gente se reconhecia até de costas – recorda dona Jacir, lembrando que a mãe, dona Angela Trevisan, considerava uma ofensa não vestir os gêmeos com roupas iguais.

O noivado veio após Plinio e Eugenio retornarem do serviço militar. Daí para o casamento foi um pulo. Com a igreja lotada de convidados, curiosos subindo pelos bancos e gente sendo afastada do corredor na hora da entrada, Jacir, Eugenio, Plinio e Geni foram abençoados pelo Monsenhor Bombardelli.

Era o início de uma história que ainda daria muito o que falar.

Clique nas imagens para ampliar.

História foi parar nas páginas da revista O Cruzeiro em setembro de 1955, dois meses após a união. Foto: Felipe Nyland, reprodução revista O Cruzeiro

Foto: Felipe Nyland, reprodução revista O Cruzeiro

O texto da revista destacava a “raridade” do acontecimento. Foto: Felipe Nyland, reprodução revista O Cruzeiro

Imagem que estampou uma página inteira da revista O Cruzeiro foi tirada por Waldemar Dal Monte, no lendário estúdio da família, que funciona até hoje. Foto: Studio Dal Monte, acervo de família, divulgação

História na TV

A badalação em torno do casamento extrapolou os limites serranos. Além de estampar uma página da edição de 17 de setembro de 1955 da revista O Cruzeiro, a história chegou à TV.

Foi cerca de 16 anos depois, em 13 de junho de 1971. Plinio e Geni e Eugênio e Jacir embarcaram para São Paulo a convite do Programa Silvio Santos, na época transmitido pela antiga TV Paulista (hoje pertencente à Globo).

Conforme dona Geni, o quarteto estava meio nervoso antes da entrevista.

– Demorou para ele (Silvio) nos chamar. Ele fez perguntas sobre as confusões geradas pela semelhança, mas correu tudo bem – recorda.

Na tevê em 1971: vestidos iguais, os dois casais foram para São Paulo participar de um quadro do programa Silvio Santos. Foto: João Heilbrunn, acervo de família, divulgação

No Tempo da Cinderela

Gravada em uma quarta-feira, a participação dos gêmeos no quadro No Tempo da Cinderela foi ao ar no domingo seguinte, novamente concentrando as atenções dos telespectadores de Farroupilha. Eles ficaram sabendo, por exemplo, como dava-se a identificação de uma e outra.

– A regra era simples: quando íamos nos encontrar, eu sempre caminhava pelo lado da parede. E a Jacir, pelo cordão da calçada – lembra dona Geni.

Quem é quem: até hoje as fotos costumam confundir. Foto: acervo de família, divulgação

Semelhança atraía olhares curiosos por onde o quarteto passasse. Foto: Foto Luiz, acervo de família, divulgação

Os dois casais em um registro logo após o casamento. Foto: Foto Luiz, acervo de família, divulgação

As gêmeas Jacir e Geni em meados dos anos 1950. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

Sempre juntos

Após a união, os dois casais moraram juntos por dois anos. A chegada dos filhos, porém, obrigou a “separação”. A duplicidade, no entanto, continuou sendo uma marca da família. Da união de Jacir e Eugênio nasceram Gilberto e Julio Carlos. Geni e Plinio tiveram Tânia e Eliana.

Em 1982, dois anos após a celebração das bodas de prata do quarteto, seu Plinio faleceu. Mas a proximidade, característica da família desde sempre, não foi afetada: dona Geni, seu Eugenio e dona Jacir continuam vizinhos de porta até hoje.

Vizinhança reunida: dona Geni (em pé), a irmã Jacir e o cunhado Eugenio. Foto: Felipe Nyland

Álbum de família

Os registros a seguir integram o álbum de família e trazem momentos da infância, da adolescência e da festa de casamento dos dois casais. Uma trajetória que faz jus à fama de Farroupilha: a cidade dos gêmeos.

Leia mais sobre a história do Studio Dal Monte clicando AQUI.

Foto: acervo de família, divulgação

As pequenas Geni e Jacir em 1936. Foto: acervo de família, divulgação

Plinio e Eugenio em 1933. Foto: acervo de família, divulgação

As jovens Geni e Jacir no início dos anos 1950. Foto: acervo de família, divulgação

Vestidos idênticos, como mandava a tradição dos gêmeos. Foto: Studio Dal Monte, divulgação

Lua de mel dos dois casais ocorreu no Bela Vista Parque Hotel, em Ana Rech. Foto: Studio Dal Monte, acervo de família, divulgação

Para a posteridade: os noivos, os pais e as damas de honra, antes do jantar no Clube do Comércio. Foto: Studio Dal Monte, acervo de família, divulgação

Após a celebração religiosa,a festa seguiu no tradicional Clube do Comércio, com jantar e música ao vivo. Foto: Studio Dal Monte, acervo de família, divulgação

Flagrante do jantar de casamento no Clube do Comércio em 16 de julho de 1955. Foto: Studio Dal Monte, acervo de família, divulgação

Dona Jacir, seu Eugenio e dona Geni são vizinhos de porta há mais de 40 anos, no centro de Farroupilha. Foto: Felipe Nyland

Comentários (2)

  • Denise Iung diz: 15 de julho de 2015

    Que linda história, Dona Geni um doce de pessoa !!!

  • Marialene Lovat Bondan diz: 15 de julho de 2015

    Uma linda história de amor dos nossos queridos casais. Um grande orgulho para a cidade de Farroupilha, e mais orgulho ainda para quem os conhecem, pela simpatia, simplicidade e carinho com que se relacionam com todos.

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