Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Amabile Zanandrea Stedile: uma trajetória eternizada

16 de julho de 2015 2

No Studio Geremia em 1962: Amabile e Francisco Stedile são ladeados pelos filhos Véra (E), Carlos, Alfredo, Dolaimes (D) e o caçula Franco. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

Os 100 anos seriam comemorados no próximo dia 28 de novembro. Dona Amabile Zanandrea Stedile, porém, saiu de cena antes. Aos 99 anos, a esposa do empresário Francisco Stedile; a mãe de Alfredo, Dolaimes, Véra, Carlos e Franco; a mulher atuante por trás do fundador das empresas Fras-le, Agrale e Lavrale partiu há uma semana, deixando um legado difícil de ser esquecido.

Nascida em 1915, em Flores da Cunha – à época ainda Nova Trento –, a jovem Amabile não parlava nada de “brasileiro” até os 12 anos. O imperante dialeto vêneto em casa, porém, não impediu que ela rapidamente dominasse o português – inclusive lecionando nas precárias comunidades rurais do final dos anos 1920.

Já o companheiro dos 65 anos seguintes ela conheceria no finalzinho da década de 1930. Nem com um ano de namoro, os dois casaram em 7 de julho de 1940, com a noiva chegando de charrete à Igreja Matriz de Flores da Cunha, conforme recordou a neta Fulvia Stedile Angeli Gazola.

Clique nas imagens para ampliar.

O casal com os filhos Alfredo, Véra (no colo) e Dolaimes na metade dos anos 1940. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

Com o nascimento dos cinco filhos, o controle da economia doméstica passou a dividir espaço com o frequente estímulo ao caráter empreendedor de Francisco. Foi a época em que Amabile chegou a dirigir de São Paulo a Caxias para auxiliar o marido a revender caminhões, embalar lonas de freio e até comercializar gasolina – eram os tempos da concessionária Auto Mecânica, fundada em 1946, e dos primórdios da Fras-le, surgida em 1954.

Foi também com o incentivo da esposa que Stedile adquiriu na sequência a Agrisa (atual Agrale), onde Amabile desempenhou papel fundamental, tanto na relação de proximidade com os funcionários, quanto acompanhando o marido em feiras e lançamentos de veículos. Já a atuação comunitária ganhou espaço a partir dos anos 1970, quando ela colaborou na fundação do Rotary Cinquentenário e passou a cooperar com diversas entidades beneficentes, sempre apoiada por Francisco.

O parceiro de mais de seis décadas deixou Amabile em 2006. Com a morte de “Chico”, a matriarca fortaleceu ainda mais os laços familiares. Além de eleger a terça-feira como o dia do almoço obrigatório com toda a “famiglia”, costumava dizer que ganhava mais um neto a cada casamento realizado. Os 12 netos lhe deram 13 bisnetos. E outros deverão vir, para contar e recontar essa rica história, iniciada há 100 anos.

A missa de sétimo dia ocorre nesta quinta (16), a partir das 18h30min, na Igreja São Pelegrino.

Um registro só delas: Amabile e as filhas Véra Stedile Zattera e Dolaimes Stedile Angeli (in memoriam) em 1956. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

Um registro só delas: Amabile e as filhas Véra Stedile Zattera e Dolaimes Stedile Angeli (in memoriam) em 1956. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

Álbum de família

Nas imagens a seguir, alguns registros da trajetória do casal, disponibilizados pela neta Fulvia Stedile Angeli Gazola.

Clique para ampliar.

Na chácara da família em 1971: Amabile (ao centro) com Dolaimes (em pé atrás com a filha Franca) e os outros quatro netos: Fernanda, Flávia, Adriano e Fulvia. Foto: acervo de família, divulgação

Na chácara da família em 1971: Amabile (sentada, ao centro) com Dolaimes (em pé, atrás com a filha Franca) e os outros quatro netos: Fernanda, Flávia, Adriano e Fulvia. Foto: acervo de família, divulgação

Em 1972: Amabile e Francisco Stedile, juntamente com diretores da Agrale, participam da entrega do prêmio Distinção Indústria. Foto: Scalco, divulgação

Em 1975: Amabile e Francisco (ao centro) com o governador do RS, Sinval Guazzelli, durante a inauguração da unidade da Agrale no bairro São Ciro. Foto: Scalco, acervo de família, divulgação

Presença constante: Amabile acompanha Francisco na inauguração da nova fábrica da Agrale em 1975, quando estiveram presentes políticos como Mario Vanin e Sinval Guazzelli e o bispo Dom Benedito Zorzi. Foto: Scalco, divulgação

De volta ao começo

Abaixo, um flagrante da celebração dos 40 anos de casados, em 1980. Amabile e Francisco repetiram o ritual que marcou o namoro na juventude, quando ele saía de São Marcos no lombo de uma mula ou a cavalo para visitar a futura esposa, em Flores da Cunha.

Na sequência, a comemoração das bodas de ouro, em 1990, também em Flores da Cunha. O casal chegou de charrete, assim como no dia do casamento, em 7 de julho de 1940.

Como nos tempos de namoro: Francisco ia visitá-la a cavalo ou no lombo de uma mula. Foto: acervo de família, divulgação

Foto: Magrão Scalco, acervo de família, divulgação

Em 1990: na comemoração das bodas de ouro em Flores da Cunha, Amabile e Francisco repetiram o ritual de 1940, chegando à igreja de charrete. Foto: Magrão Scalco, acervo de família, divulgação

Bodas de ouro em 1990: Amabile e Francisco entre os filhos Dolaimes, Alfredo, Véra, Carlos e Franco. Foto: Magrão Scalco, acervo de família, divulgação

Foto: Silvana Moreira, acervo de família, divulgação

Foto: Silvana Moreira, acervo de família, divulgação

Distinções

Em 2012, Amabile recebeu uma dupla honraria: o título de Cidadã Caxiense pela Câmara de Vereadores e a Medalha Monumento ao Imigrante, concedida pela prefeitura a personalidades com forte atuação na comunidade.

Amabile quando recebeu o título de Cidadã Caxiense, em 2012. Ele aparece acompanhada pelos vereadores Vinicius Ribeiro, Francisco Spiandorello e Renato Oliveira. Foto: Letícia Rossetti, divulgação

Em 2005: Amabile e Francisco com o recém-nascido bisneto Lucca. Foto: acervo de família, divulgação

Foto: Julio Soares, acervo de família, divulgação

Amabile Zanandrea Stedile, um século de vida. Foto: Julio Soares, acervo de família, divulgação

Comentários (2)

  • inacio diz: 16 de julho de 2015

    Lendo esta historia me recordo de muitas mulheres de fibra que enfrentaram dificuldades mas andaram como rios desviando obstáculos. No mundo atual reclamamos
    ate quando o computador trava alguns segundos. Caxias esta carente de pessoas assim hoje, volte empreendedorismo caxiense voltee.

  • Day diz: 17 de julho de 2015

    Me emocionei, ao ler essa linda hestória. Realmente, uma linda trajetória de vida, construída com muito companheirismo, amizade, carinho, amor.. Um belo exemplo de vida!

Envie seu Comentário