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Vinhos Raposa, um clássico da Mosele

22 de julho de 2015 6

Em 1965: garrafas dos vinhos Raposa (à esquerda) decoravam o estande da Mosele na Festa da Uva de 1965. A rainha Silvia Celli aparece entre a sra. Alice Lomann Mosele e o presidente daquela edição, Ottoni Minghelli. Foto: Studio Beux, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O detalhe dos Vinhos Raposa. Foto: Studio Beux, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Raposa safra 1962. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Uma troca de comentários entre leitores da coluna na internet acabou por impulsionar uma nova coluna. O motivo: o lendário vinho Raposa Verde, produzido pela Vinícola Mosele nas décadas de 1950 e 1960.

Publicadas em fevereiro de 2014, as duas fotos antigas do estande da Mosele nas Festas da Uva de 1961 e 1965 despertaram a memória – e o paladar – dos leitores Antonio José Brandão e Maurício Groisman (leia os depoimentos abaixo).

A produção da Mosele era vasta naqueles tempos: da fábrica para a mesa dos consumidores do Estado e do Brasil saíam o Branco Seco, o Clarete Mosele, o Riesling Mosele, o Espumoso Frisante Branco Seco, o Reno Mosele, o Frisante Tinto, o Vermuth Branco, o Gemado OK, o Quinado e o Conhaque Mosele, além do suco de uva e do Fino Champagne Mosele. Sem falar, claro, no lendário Raposa.

O leitor Antônio José Brandão chegou a cogitar a inexistência de antigos rótulos da bebida. Felizmente, alguns deles foram preservados e integram o acervo do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

Os dois registros trazem as versões Raposa para o vinho tinto de mesa da “colheita 1962” (acima) e o tinto de garrafão, pertencente à “colheita 1958” (abaixo). Na época, a Mosele tinha como enólogo o senhor Darcy Merlotti.

Raposa de garrafão safra 1958. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Símbolo da Av. Rio Branco

Fundada em 1935 pelos empresários Eduardo Mosele, José Jaconi e Fortunato Mosele, a Vinícola E. Mosele & Cia localizava-se na Avenida Rio Branco, poucos metros acima da linha do trem. Em 1947, a firma transformou-se em Sociedade Anônima, com sua razão social alterada para E. Mosele S/A – Estabelecimentos Vinícolas, Industriais e Comércio.

Entre seus acionistas figuravam, além do presidente Eduardo Mosele, o diretor técnico Fortunato Mosele, o gerente João Mosele e os diretores comerciais Firmino Bisol, Hugo Castello Koeche, José Mosele, Benno Weirich, Adelino de Barros, Paulo Segalla, Orlando Mosele e Rodolfo Schio.

Clique nas imagens para ampliar.

Década de 1950: a Av. Rio Branco e o complexo da Vinícola Mosele, com a chaminé ao centro. Ao fundo, o antigo 3º Grupo de Canhões Automáticos Antiaéreos 40mm, o quartel. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A Mosele e uma ainda pouco movimentada Av. Rio Branco em 1948. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Logística em 1950

Em 1950, a empresa somava mais de 200 operários, possuindo ainda fábricas próprias de garrafas, barris e caixas para acondicionamento das bebidas, além de dois engenhos próprios e com destilaria para a produção de álcool e outros derivados.

Na parte logística, a Mosele contava com escritórios e depósitos no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Também mantinha representantes em cerca de 200 praças do país.

Informações reproduzidas do Documentário Histórico do Município de Caxias do Sul – 1875-1950, de Duminiense Paranhos Antunes.

Era uma vez: o belíssimo complexo da Vinícola Mosele em meados dos anos 1980, pouco antes de ser demolido. Foto: Edson Correa, divulgação

O fim

A empresa funcionou até meados dos anos 1980, quando as estruturas começaram a ser demolidas para dar lugar ao complexo da Receita Federal.

Diferentemente de outros ícones da cidade, como a Cooperativa Madeireira Caxiense e a Cervejaria Leonardelli, cujas chaminés permaneceram para contar a história, a da Mosele veio abaixo junto com os prédios. Coisas de Caxias…

Chaminés, as sobreviventes das alturas.

Ensaio da semana: as antigas chaminés industriais de Caxias do Sul.

Em 1961: Vinhos Raposa (garrafa na terceira prateleira e garrafão) e outras bebidas decoravam o estande da Mosele na Festa da Uva. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Os comentários dos leitores

“É inacreditável que não exista nada na internet sobre o vinho Raposa, o mais popular vinho do Brasil na década de 1950. O Raposa Verde da Mosele era o vinho mais consumido em Fortaleza, e era encontrado em qualquer vendinha da cidade, por mais humilde que fosse. Até anúncios de cartaz promocional do vinho, que eram encontrados na rede até três anos atrás, sumiram sem deixar rastro. Creio que o único registro que ficou do lindo rótulo do Raposa foi esta fotografia da família fabricante, onde na parede aparecem três das inconfundíveis garrafas barrigudas em destaque. Infelizmente, com rótulos ilegíveis.”

(Antonio José Brandão)

“Referente ao comentário do sr. Antonio José, gostaria de lhe dizer que possuo uma garrafa fechada do Vinho de Mesa Branco Seco Raposa Verde Mosele, produzido e engarrafado por Pindorama S/A, cuja garrafa (abaixo) é muito semelhante com a da fotografia.”

(Maurício Groisman)

Raridade preservada: garrafa lacrada e original do vinho Raposa Verde, mantida pelo leitor Maurício Groisman. Foto: Maurício Groisman, divulgação

Repercussão

O leitor Airton Fioravanzo também recordou do vinho Raposa e disponibilizou a imagem de uma garrafa da safra 1965 (foto abaixo). Ela foi herdada do pai, Lauro Fioravanzo, que atuou como mecânico de manutenção da empresa na década de 1960.

Herança da família: Vinho Raposa safra 1965 é mantido pelo leitor Airton Fioravanzo. Foto: acervo pessoal, divulgação

Comentários (6)

  • Inacio diz: 22 de julho de 2015

    Como Caxias do Sul e criativa inovadora e DESTRUIDORA. Um prédio igual ao do antigo Mosele deveria estar la preservado. Lembro de um tio meu que trabalhou anos na Mosele e se orgulhava muito, na casa dele sempre tinha um gostoso vermuth branco.
    Acho que as universidades de engenharia e arquitetura deveriam ter cadeiras de historia e preservação neste nosso pais pois parece que e muito mais importante o uso das retroescavadeiras do que da memoria.
    Morei muitos anos próximo a cantina Antunes saudades de sentir cheiro das uvas nos caminhões com seus bigunchos cheios e fermentando ao sol.

  • Vini diz: 22 de julho de 2015

    Inácio, nada aqui se preserva, tudo se destrói. O sentido de tombar aqui é colocar no chão e nunca na preservação. Tudo é tratado como velharia. Não adianta estudar, o que falta aqui é cultura, consciência e investimento nisso. Como quer que os cursos sobre o assunto sejam bons se não tem incentivo na própria região? Nunca vi uma terra no mundo que é tão incapaz de preservar o que tem de melhor. Que se cuide a Festa da Uva. Quero ver Caxias daqui 50 anos, será uma cidade sem identidade se continuar desse jeito, porque vão quebrar com tudo.

  • Márcia diz: 22 de julho de 2015

    Parabéns pela coluna fantástica! Relembrar constantemente a história e aqueles que fizeram história é algo importantíssimo.

  • ROSA MARIA MOSELE diz: 23 de julho de 2015

    - SOU COM MUITO ORGULHO FILHA DE “ORLANDO MOSELE”, UM DOS DIRETORES DE E. MOSELE S/A, E MAIS TARDE, ENÓLOGO E DIRETOR DA “MOSELE CIA. LTDA.,PARABENIZO
    O AUTOR DE REPORTAGEM POR LEMBRAR ÀS NOVAS GERAÇÕES O IMPULSO DADO A ESTA CIDADE POR PESSOAS DINÂMICAS E LUTADORAS. TENHO O MESMO SENTIMENTO DOS COMENTÁRIOS FEITOS PELA NÃO PRESERVAÇÃO, EMPENHO E LUTA DE QUEM MUITO TRABALHOU PARA QUE “CAXIAS DO SUL” SE TORNASSE HOJE A CIDADE EMPREENDEDORA QUE É. É REALMENTE LAMENTÁVEM A FACILIDADE COM QUE DESTRUÍMOS O PASSADO, NÃO PERMETINDO QUE OBRAS DE UMA ARQUITETURA BELISSIMA DEÊM ESPAÇO A PRÉDIOS MODERNOS SEM DESLUMBRAREM A IMPORTÂNCIA DO PASSADO, POIS SEM ELE ESTE PRESENTE NÃO EXISTIRIA.

  • Cadmo Soares Gomes diz: 16 de março de 2016

    Parabéns pelo esforço de preservar a memória.
    Emocionei-me com a fotografia garrafa de vinho Raposa. Lembrei-me dos almoços de família em casa de meu avô, nos anos 60.
    Abs.

  • Ailza oliveira ramos diz: 22 de agosto de 2016

    Meu padrinho comemorou seus 25 anos de casados com esse vinho e eu gostaria de saber onde encontro para relembrar velhos tempos junto ao meu esposo se possível entre em contato com email ou tel 21 39714032

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