Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Antigo Cine Central: uma reforma a caminho

30 de julho de 2015 7

O calçadão em 1983: o Cine Central com as antigas portas e vitrines para a divulgação dos filmes. Em cartaz, nada menos do que o clássico Flashdance. Foto: Luis Carlos Leite, banco de dados/Pioneiro

Ele não voltará a funcionar como sala de projeção, mas os trabalhos de recuperação de sua arquitetura externa e interna deverão aproximá-lo do que um dia o cinema foi.

Pertencente ao Recreio da Juventude, o majestoso prédio do antigo Cine Central em breve deve coroar um processo de revitalização dos antigos casarões de todo o trecho da Av. Júlio de Castilhos defronte à praça – algo bastante perceptível desde que a lei da poluição visual passou a delimitar o espaço de publicidade e placas nas lojas.

Fechado há seis meses, desde a saída do último locatário (a Lojas Manlec), o espaço foi avaliado por uma comissão do Departamento de Memória e Patrimônio Cultural, que elaborou uma série de diretrizes para a sua recuperação antes da entrada dos novos inquilinos – as Lojas Americanas.

Conforme o arquiteto Celestino Rossi, responsável pela restauração, a ideia é restabelecer o desenho interno, recuperando alguns detalhes da disposição original, o mezanino, as escadarias laterais e os forros. Na parte externa, o trabalho incluirá a restauração das famosas esculturas de Estácio Zambelli e da varanda, a pintura e os reparos no concreto – alvo de mofo e de anos de fixação de placas e armações de metal.

As antigas portas, que não são as originais, também foram contempladas. Depositadas no porão do clube desde sua substituição pelas grades verticais, as estruturas em madeira, vidro e apliques em ferro devem retornar à fachada na fase final dos trabalhos.

O Cine Central e as esculturas de Estácio Zambelli.

O prédio em finais dos anos 1920, com a marquise de ferro em arte nouveau original. Foto: reprodução de cartão-postal, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O Cine Theatro Central em finais dos anos 1920, com a marquise de ferro em arte nouveau original. Foto: reprodução de cartão-postal, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O surgimento

Erguido em 1928, o prédio trazia, originalmente, uma enorme marquise de ferro em estilo art nouveau. Seguiam esse mesmo estilo as três lâmpadas que iluminavam a fachada, colocadas estrategicamente no telhado – para destacar as laterais e o frontão, onde as letras da identificação Cine Theatro Central formavam uma espécie de triângulo.

Todos esses detalhes foram recordados pelas historiadoras Loraine Slomp Giron e Kenia Pozenato no livro Cinema: Lembranças. Segundo elas, com as constantes reformas do prédio, a partir dos anos 1950, uma nova marquise em alvenaria foi construída e as portas, substituídas.

As luminárias do alto e o frontão triangular também sumiram. Em seu lugar, o nome Central surgiu em enormes letras de concreto no alto, também suprimidas (foto abaixo).

Leia mais sobre a história do Cine Central clicando AQUI.

O logotipo do Central nos anos 1950, época do início das mudanças na fachada. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Fotos do interior

Apesar de várias interferências na fachada, é o interior do cinema que mais sofreu com as “reformas” das últimas décadas – em meados dos anos 1970, o espaço do primeiro piso chegou a ser transformado em uma quadra de esportes e, nos 1980, abrigou o Departamento de Judô.

Para dificultar os atuais trabalhos, o arquivo do clube não dispõe de fotos antigas do interior do cinema, fundamentais para embasar a readequação – boa parte delas teria se perdido em um incêndio ocorrido na sede social em outubro de 1990.

É aí que entra a colaboração dos leitores: você teria imagens do foyer, da recepção e do mezanino do cinema nos anos 1950, 1960 e 1970? Envie para a coluna.

A fachada atualmente, à espera de revitalização e pintura. Foto: Jonas Ramos

Na Pinheiro Machado

A sede social do Recreio da Juventude, pela Rua Pinheiro Machado, também passa por reformas. Elas incluem a retomada das cores e do revestimento original do prédio de linhas modernistas, erguido em 1955.

Em breve o térreo deverá abrigar também um espaço cultural. Está prevista a instalação de um café e de um local para aulas de dança de salão.

Comentários (7)

  • marcilio diz: 30 de julho de 2015

    Caxias merece! Parabéns aos idealizadores.

  • Roben Martini diz: 30 de julho de 2015

    O incêndio foi dia 29/10/1990,não anos anos 70. E foi no prédio da Pinheiro Machado do Recreio da Juventude.

  • Alberto Rech diz: 30 de julho de 2015

    Que bela noticia Rodrigo… Agora vamos esperar pela restauração…..

  • Vini diz: 30 de julho de 2015

    Nunca vi uma cidade tão devastada em termos de cuidado ao patrimônio histórico como Caxias do Sul. É só viajar um pouco até para os cafundós que a gente chega aqui e leva um susto com o descaso ao patrimônio, das casas antigas, históricas, do uso que dão, etc. Tudo abandonado ou condenado a ser demolido. Nos outros cantos, também existe a falta de investimento, mas aqui por proporção, é a cidade que mais mal cuida do que tem. Se puxassem pelos antepassados, aos italianos da Itália, Caxias seria uma cidade exemplo nesse sentido.

  • Inacio diz: 30 de julho de 2015

    Reforço as palavras de Vini o setor habitacional engole nossa historia. E so andar pela cidade e ver modernidade sem escrúpulos a nossa historia

  • Tatiane Cristina Zambelli diz: 30 de julho de 2015

    Rodrigo, é uma ótima notícia! Ficamos muito felizes em saber que esta memória arquitetônica de nossa cidade será restaurada e conservada. Ainda mais feliz, por nela conter as obras escultórias do Vô Estácio.

Envie seu Comentário