Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

140 anos de imigração italiana: as placas de Nova Milano

21 de agosto de 2015 0

Em 1950: o cônsul da Itália Attilio Bolatti exalta o trabalho dos pioneiros imigrantes. Foto: Studio Geremia, divulgação

O furto de duas das três placas de bronze alusivas à colonização italiana em Nova Milano (Farroupilha), na quarta-feira, macula as comemorações dos 140 anos da imigração. Ironias à parte, a notícia também traz à tona outro episódio envolvendo a ausência dos símbolos, ainda na década de 1940.

Inauguradas em 1925, as placas foram retiradas pelo Exército durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), período de fortes restrições à presença das colônias alemãs e italianas no Brasil. Seguindo as diretrizes nacionalistas do Estado Novo de Getúlio Vargas, um membro do Exército ordenou que elas fossem levadas à Metalúrgica Gazola – empresa então declarada de interesse militar – para serem transformadas em cinzeiros.

No entanto, o diretor José Ariodante Mattana, ciente do significado e da importância histórica, guardou-as zelosamente, entregando em seu lugar cinzeiros fundidos com sucata de bronze.

Fevereiro de 1950: o deputado federal Luiz Compagnoni (à direita) enaltece os colonizadores. No palanque, autoridades e familiares dos pioneiros desbravadores da localidade. Foto: Studio Geremia, divulgação

Comandante Julio Limeira, representando o Exército, foi um dos que discursou na solenidade de 65 anos atrás, em Nova Milano. Sentados, alguns dos familiares dos primeiros colonizadores estabelecidos no local. Foto: Studio Geremia, divulgação

O retorno

As placas retornaram ao local de origem durante a Festa da Uva de 1950, que comemorava os 75 anos da imigração italiana na região. Em 18 de fevereiro daquele ano, uma emblemática cerimônia enalteceu o trabalho dos pioneiros colonizadores. Neste post vemos alguns registros daquele dia, quando o cônsul da Itália Attilio Bolatti e o deputado estadual Luiz Compagnoni (um dos fundadores do Pioneiro) exaltaram a saga dos italianos.

A cerimônia contou ainda com o bispo Dom José Barea – que conduziu a missa festiva -, Joaquim Pedro Lisboa (idealizador da Festa da Uva), Júlio Ungaretti (da comissão dos festejos de 75 anos), Celeste Gobbato (intendente de Caxias do Sul na gestão 1924-1928), José Baungartner (prefeito de Farroupilha), Arcy da Rocha Nóbrega (comandante do então 3° Grupo de Canhões Automáticos Antiaéreos 40mm) e Alceu Barbedo (Procurador da República). Já os padres Olivo Bertuol, João Gollo e José Casanova, além do Monsenhor Albino Gazzi, organizaram a recepção na Casa Canônica de Nova Milano.

Sessenta e cinco anos depois, porém, o berço da colonização italiana volta a ficar sem parte de seu principal documento histórico.

Metalúrgica Gazola homenageia pracinhas em 1950.

Primeiras famílias de imigrantes italianos são homenageadas em Nova Milano.

Maio de 2015: o embaixador da Itália Raffaele Trombeta coloca flores no monumento aos colonizadores, durante as comemorações dos 140 anos de imigração. Foto: Roni Rigon

Festejos dos 140 anos: flores depositadas no monumento de Nova Milano pelo embaixador italiano Raffaele Trombeta em abril de 2015. Foto: Roni Rigon

Relato em livro

Na obra Festa & Identidade, a pesquisadora Cleodes Piazza Julio Ribeiro relata parte das ações extremistas contra os imigrantes, entre elas o episódio das placas de Nova Milano.

As duas furtadas esta semana reproduziam os passaportes de Tomazo Radaelli e Luigi Sperafico. A terceira, com o documento do imigrante Stefano Crippa, permanece. Eles eram os patriarcas das três primeiras famílias a chegar em Nova Milano, em 1875.

A prefeitura deve repor as peças, porém o trabalho agora recai sobre a pesquisa histórica para as reproduções.

Informações históricas desta coluna são uma colaboração do repórter fotográfico Roni Rigon.

Símbolos furtados: conjunto está incompleto desde quarta-feira. Foto: prefeitura de Farroupilha, divulgação

No Pioneiro em 1950

Confira abaixo a matéria do Pioneiro de 23 de fevereiro de 1950 sobre a recolocação das placas juto ao antigo obelisco de Nova Milano.

Clique para ampliar e ler o texto original da época.

Contracapa do Pioneiro de 23 de fevereiro de 1950 detalhou a cerimônia em Nova Milano, em Farroupilha. Foto: reprodução

Envie seu Comentário