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Para recordar de Jimmy Rodrigues (1925-2013)

31 de agosto de 2015 0

Jimmy Rodrigues (à direita) em finais da década de 1940, quando atuava como redator e comentarista esportivo da Rádio Caxias – a seu lado, o amigo e também ícone do radiojornalismo caxiense Nestor Gollo. Foto: acervo Rádio Caxias, divulgação

Ele nasceu em 31 de agosto de 1925 e, até 2013, traduziu Caxias do Sul em milhares de textos, crônicas, relatos e memórias. Nesta segunda, quando Jimmy Rodrigues completaria 90 anos, trazemos um breve recorte da vida do jornalista e escritor que soube como poucos vincular sua trajetória com a história da cidade onde viveu.

Com passagens por alguns dos principais veículos de comunicação do município, como os jornais O Momento (onde estreou, em 1943), Pioneiro (surgido em 1948) e Correio Riograndense, além da Rádio Caxias (fundada em 1946), seu Jimmy acompanhou vários acontecimentos emblemáticos ocorridos na região a partir da década de 1940.

Entram aí os efeitos da Segunda Guerra Mundial em uma cidade de colonização basicamente italiana (trocas de nomes de ruas e praças, restrições ao dialeto, perseguições), a realização do Congresso Eucarístico Diocesano de 1948, as transmissões esportivas do Esporte Clube Juventude e do Grêmio Esportivo Flamengo, as lendárias festas da Uva dos anos 1950 e 1960, além do cotidiano de uma Caxias em acelerado processo de crescimento econômico e social a partir da segunda metade do século 20.

Clique nas imagens para ampliar.

Maio de 1948: a equipe da Rádio Caxias durante o Congresso Eucarístico Diocesano. A frente, Jimmy Rodrigues (à esquerda) com o padre Ernesto Brandalise, o diretor Nestor Rizzo, o locutor Nestor Gollo (segundo à direita, atrás), Darci Tissot (segundo à esquerda, na fila de trás) e outros colaboradores da emissora. Foto: acervo Rádio Caxias, divulgação

O cronista da cidade

O olhar apurado sobre o dia a dia da cidade, mesclado a um domínio de texto ímpar, acabou extrapolando a rotina das redações. Em 1967, por exemplo, quando ocorreu a primeira edição do Concurso Anual Literário de Caxias do Sul, seu Jimmy cravou uma marca: conquistou o primeiro e o terceiro lugar na categoria contos e o terceiro, em crônicas.

Nada estranho para quem sempre soube que, para ser um bom escritor, é necessário antes ser um bom leitor – desde cedo, seu Jimmy teve contato com autores do quilate de Camões (Os Lusíadas), Euclides da Cunha (Os Sertões), Érico Veríssimo (O Tempo e o Vento), Proust (Em Busca do Tempo Perdido), além de Mario Quintana, Moacyr Scliar e Josué Guimarães.

Um flagrante de seu Jimmy em ação durante a solenidade de inauguração da Madezatti, em 1961, quando a empresa recebia a bênção do padre Eugênio Giordani. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

No Eberle

Na imagem abaixo vemos Jimmy (sentado à esquerda) e um grupo de amigos durante uma confraternização de funcionários da Metalúrgica Abramo Eberle, em meados dos anos 1950.

Na foto aparecem ainda o desenhista Orevil Bellini (em pé ao centro) e o medalhista e escultor Bruno Segalla (sentado à direita). Se você reconhece mais alguém, entre em contato com a coluna.

Jimmy Rodrigues e a crônica As Rosas de Rachel.

Jango visita Caxias do Sul em 1959.

Década de 1950: Jimmy Rodrigues (o segundo sentado, à esquerda), Orevil Bellini (ao centro, em pé), Humberto Bassanesi (ao lado de Orevil, de casaco aberto), Bruno Segalla (sentado, à direita), Ernesto Claus (segundo em pé, à direita) e amigos durante uma confraternização na Metalúrgica Abramo Eberle. Foto: Studio Beux, acervo pessoal de Orevil Bellini, divulgação

Nome de cinema

Organizador do livro A Voz e a Palavra – O Fluir da Vida sob o Olhar do Cronista, coletânea de textos de Jimmy Rodrigues lançada em 2008, o escritor Marcos Fernando Kirst disponibilizou uma série de curiosidades sobre o amigo. Uma delas diz respeito ao nome do jornalista.

Conforme Kirst, o pai de Jimmy, Osvaldo Rodrigues, circulava pelo Centro em meados de 1925, matutando sobre o nome que daria ao primogênito. Foi quando passou pela antiga sede do Clube Juvenil, onde também funcionava um cinema. O cartaz de uma comédia destacava o nome do protagonista: o ator, cantor e pianista americano Jimmy Durante (1893-1980).

O pai decidiu na hora: o pequeno atenderia por Jimmy.

Colaboração

Algumas das informações desta coluna são uma colaboração do escritor, jornalista e cronista do Pioneiro Marcos Fernando Kirst.

Os jornalistas Jimmy Rodrigues e Mário Gardelin (sentados) no estande da Vinícola Riograndense, durante a Festa da Uva de 1954. Foto: Studio Tomazoni Caxias, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Jornalista Jimmy Rodrigues (o quinto a partir da esquerda) em solenidade esportiva na década de 1950. Foto: Studio Tomazoni Caxias, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Atuação na política

Transitando pela esfera pública, Jimmy Rodrigues elegeu-se vereador pelo Partido Democrata Cristão (PDC) no pleito de 1959, integrando a legislatura 1960/1963 – em 1963 também presidiu a Câmara. Atuou ainda como diretor-geral da Casa por sete anos, até 1979.

Já nas décadas de 1980 e 1990, Jimmy exerceu o cargo de secretário-geral da prefeitura de Caxias – nas duas gestões de Mansueto Serafini Filho e na de Mario Vanin.

Abaixo, um registro de Jimmy recebendo um prêmio da administração municipal em 2005. Na foto aparecem o então prefeito José Ivo Sartori e seus antecessores Mansueto, Vanin e Pepe Vargas.

Em 2003, o jornalista também recebeu o título de Cidadão Emérito.

Jimmy é homenageado pelos ex-prefeitos José Ivo Sartori, Mario Vanin, Pepe Vargas e Mansueto Serafini Filho. Foto: Luiz Chaves, divulgação

Em família

Da união de seu Jimmy com dona Zita Jandira Frizzo, em 29 de maio de 1948, nasceram os filhos Wilton, Paulo e Silvana.

Jimmy Rodrigues faleceu aos 87 anos, em 6 de junho de 2013, mesmo ano em que completaria sete décadas de atividade jornalística. Na época, era colunista da revista Acontece.

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