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Sociedade Marechal Rondon de Arco e Flecha em 1961

09 de setembro de 2015 2

O clube em 1961, com os idealizadores Caetano Martta (segundo à esquerda) e Ary Cavalcanti (à direita, de bombacha). Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O clube durou pouco, mas é lembrado até hoje por vários sócios e frequentadores. Surgida entre 1960 e 1961, a Sociedade Marechal Rondon de Arco e Flecha foi uma das responsáveis pela difusão do esporte em Caxias do Sul e teve entre seus mentores o então diretor da Metalúrgica Triches Caetano Martta e o fotógrafo, escultor e pintor Ary Cavalcanti.

Matéria do Pioneiro de 5 de agosto de 1961 destacava o “recanto pitoresco”. Localizada em meio à natureza no distante bairro São Leopoldo, a sociedade possuía apenas 25 sócios, piscinas para adultos e crianças e cancha para a prática de arco e flecha. Além disso, se propunha a organizar excursões pelo interior em busca de achados arqueológicos – em uma delas, inclusive, teriam sido encontrados vários dentes humanos.

Na foto acima, o registro de um campeonato patrocinado pela Cervejaria Leonardelli, produtora da clássica Pérola, em meados de 1961.

A partir da esquerda vemos os arqueiros Nelson Leonardelli, Caetano Martta (tesoureiro do clube e proprietário da chácara), Hildebrando Stradiotto e João Maciel, as amazonas Zilma Stradiotto (esposa de Hildebrando) e Sirlei Maciel (esposa de João), os meninos Luis Carlos Leonardelli (filho de Nelson, com a taça) e José Antonio Martta (filho de Caetano), o fotógrafo Hildo Boff e o presidente Ary Cavalcanti.

Clique nas imagens para ampliar.

Caetano Martta: antigo diretor da Metalúrgica Triches era tesoureiro do clube e proprietário da chácara. Foto: Hildo Boff, acervo pessoal de José Antonio Martta, divulgação

Praticantes assíduos

O resgate dessa história deu-se a partir da recente doação do acervo do fotógrafo Hildo Boff (in memoriam) ao Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami. Boff e a esposa, Heduviges, eram assíduos do espaço e da prática.

Tanto que várias fotos e slides disponibilizados pelo filho Ricardo Boff trazem os pais empunhando arco e flecha no clube e na praia de Torres, onde a família costumava passar férias.

Hildo Boff: fotógrafo foi um dos sócios e praticantes do arco e flecha na Sociedade Marechal Rondon. Foto: acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

Nelson Leonardelli, químico da antiga cervejaria, era um dos praticantes assíduos de arco e flecha e sócio do clube. Foto: acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

Na praia: Hildo Boff em ação em Torres. Foto: acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

Amazona: Heduviges Boff, esposa de Hildo Boff, em Torres, nos primórdios dos anos 1960. Foto: acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

Badalação social

O Clube de Arco e Flecha também teve entre seus frequentadores o colunista social Christiano Carpes Antunes. Christian, como era conhecido, costumava destacar o espaço em suas colunas nos jornais Pioneiro e Caxias Magazine.

Em uma dessas notas, de 5 de dezembro de 1964, exaltava o início das temporadas em balneários e piscinas de Caxias: “Embora tenha poucos associados, o Clube de Arco e Flecha Mal. Rondon possui uma pequena piscina, no feitio de um triângulo, que distrai os aficionados do esporte”.

Passados mais de 50 anos, o médico José Antonio Martta, filho de Caetano e um dos meninos da foto do grupo, esclarece:

– A piscina comentada no jornal Caxias Magazine era um córrego natural que foi transformado em piscina, para a família, mas que os frequentadores do clube também usufruíam.

Christiano Carpes Antunes e os primórdios da coluna social do Pioneiro.

Marlene Oliveira Antunes e Christiano Carpes Antunes costumavam frequentar o espaço. Foto: Hildo Boff, acervo pessoal de Suzete Antunes, divulgação

Amazona dos anos 1960: Marlene Oliveira Antunes em ação no clube. Foto: Hildo Boff, acervo pessoal de Suzete Antunes, divulgação

Badalação na imprensa: o clube era citado por Christian no antigo Caxias Magazine. Foto: reprodução/Pioneiro

Ary Cavalcanti (1912-1994)

Tradicionalista apaixonado, Ary Cavalcanti também foi um dos fundadores do CTG Rincão da Lealdade, juntamente com Joaquim Pedro Lisboa e Clóvis Pinheiro.

Além disso, transitou por várias frentes artísticas, com destaque para a pintura e a escultura. É autor do mural do CTG e de cerca de 160 bustos, espalhados por praças e entidades caxienses de vulto.

Entram aí os do bispo Dom José Barea, no jardim do Hospital Pompéia, do ex-prefeito Dante Marcucci, no largo da prefeitura, e do empresário Abramo Eberle, na praça defronte ao Monumento ao Imigrante – o escultor também foi professor de desenho artístico e gravação da metalúrgica.

Ary Cavalcanti faleceu em 18 de agosto de 1994, aos 82 anos.

Ary Cavalcanti empunha arco e flecha com sua indumentária mais frequente: a bombacha. Foto: Hildo Boff, acervo pessoal de José Antonio Martta, divulgação

No Pioneiro em 1961

Abaixo, matérias do Pioneiro de 5 de agosto de 1961 destacavam a “febre” do arco e flecha em Caxias.

O número de associados, adequado ao tamanho da sede, também era controlado, conforme relato do jornal: “A campanha de sócios, que hoje alcança os 25, deverá subir tão somente à casa dos 50. Estes, com seus familiares, deverão perfazer umas 200 pessoas e não mais”. 

Clique nas imagens para ampliar e ler o texto original da época.

Foto: reprodução/Pioneiro

Foto: reprodução/Pioneiro

Foto: reprodução/Pioneiro

Comentários (2)

  • Alberto Rech diz: 9 de setembro de 2015

    Parabens Rodrigo pelo resgate dessa linda história de Caxias do Sul do passado…. Será que existe ainda algum pedacinho dessa terra tão bem cantada pela reportagem do Pioneiro..

  • Rodrigo Leonardelli diz: 29 de setembro de 2015

    Nossa fiquei muito arrepiado vendo essas fotos do clube de arco e flecha…meu pai e meu avô na foto…muito legal…parabens pelo resgate dessa historia.

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