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Líbera Rizzo e a capela de Nossa Senhora das Graças

10 de setembro de 2015 1

Missa e festa da padroeira, cuja estátua foi trazida da Itália, ocorrem neste domingo, dia 13. Foto: Rodrigo Lopes, Agência RBS

Uma imagem de Nossa Senhora das Graças esculpida em madeira e trazida pela imigrante italiana Líbera Cassol Rizzo no final do século 19 impulsionou o desenvolvimento de uma comunidade que neste final de semana chega aos 131 anos. A festa da padroeira, domingo (13), terá missa festiva, às 10h30min, seguida de almoço no salão paroquial.

Toda essa história teve início um ano após o desembarque dos primeiros colonizadores italianos na Serra, em 1875. Nascida em Feltre em 29 de setembro de 1838, Líbera chegou ao Brasil em 18 de dezembro de 1876, acompanhada pelo marido, Angelo Rizzo, e pelos filhos Arcângelo, Maria Tereza, Giacomo e Anna – os outros dois, Paolo e Maria Anna, faleceram ainda na Itália. Já a caçula Ignes foi a única a nascer em solo brasileiro.

A família foi uma das primeiras a se fixar no lugarejo, hoje o populoso bairro Nossa Senhora das Graças – os Rizzo estabeleceram-se primeiramente na 3ª Légua, migrando depois para o Travessão Santa Tereza, também chamado de “borghetto” (pequeno povoado), na 5ª Légua.

Clique nas imagens para ampliar.

Feita em pedra: a antiga capela de Nossa Senhora das Graças. Foto: acervo de família, divulgação

A capela

Bastante católica, Líbera imediatamente mandou construir uma pequena capela próxima ao casarão de pedra da família, onde colocou a imagem trazida da Itália. Conforme informações disponibilizadas pelos descendentes, a estátua de Nossa Senhora das Graças veio em partes separadas e foi montada em Caxias pelo escultor Michelangelo Zambelli.

Cabeça, busto e braços foram revestidos com gesso e pintados. Já a parte inferior foi confeccionada com pequenas ripas de madeira, bem como o pedestal – motivo pelo qual a imagem é vestida com roupas e adornos doados por seus inúmeros devotos até hoje.

A pequena capelinha feita com pedras irregulares a pedido de Líbera acabou dando origem a atual Capela de Nossa Senhora das Graças, inaugurada em 31 de janeiro de 1954 (fotos abaixo).

Igreja atual foi inaugurada em 1954. Foto: Rodrigo Lopes, Agência RBS

Interior da igreja mantém características originais da construção de 1954. Foto: Rodrigo Lopes, Agência RBS

Altar destaca a imagem da padroeira, Nossa Senhora das Graças, Santo Antônio e Santa Líbera (com as crianças no colo). Foto: Rodrigo Lopes, Agência RBS

Imagem esculpida em madeira foi trazida em pedaços da Itália e posteriormente revestida com gesso no Atelier Zambelli. Foto: Rodrigo Lopes, Agência RBS

Rota de tropeiros

O casarão de pedra da família de Líbera – existente até hoje ao lado da igreja – aos poucos tornou-se um ponto de comércio.

Localizada às margens da antiga “Estrada dos Tropeiros”, atual rota turística Estrada do Imigrante, a propriedade abrigava uma espécie de secos & molhados, além de servir de pouso para tropeiros que seguiam em direção a São Sebastião do Caí.

O lugar acabou se desenvolvendo e logo transformou-se em um pequeno povoado, com diversos serviços oferecidos por imigrantes e seus descendentes, como Henrique Cantergiani, João Kahler e Francisco Pauletti.

Lìbera Cassol Rizzo chegou ao Brasil em 1876 e foi uma das primeiras moradoras do vilarejo. Foto: acervo de família, divulgação

Homenagem à fundadora

Em homenagem à fundadora da igreja e primeira moradora do local, recentemente foi dado o nome da Líbera Rizzo a uma rua do bairro Nossa Senhora das Graças. A via está localizada ao lado do cemitério onde a imigrante foi sepultada.

Líbera Rizo faleceu em 4 de fevereiro de 1927, aos 89 anos. Após sua morte, a antiga capela ficou aos cuidados da filha Ignes e, posteriormente, da família de Vitório Milani.

Quadro com a foto da antiga igrejinha decora o interior da capela. Foto: Rodrigo Lopes, Agência RBS

Detalhes da igreja

A seguir, alguns detalhes da capela inaugurada em 1954. Um dos destaques, além do altar, é o confessionário, uma doação da família Facchin, proprietária do antigo casarão de pedra de Líbera.

Piso de ladrilhos hidráulicos é original dos anos 1950. Foto: Rodrigo Lopes, Agência RBS

Detalhe do interior da capela. Foto: Rodrigo Lopes, Agência RBS

Confessionário foi uma doação da família Facchin. Foto: Rodrigo Lopes, Agência RBS

Romano Facchin foi casado com Olinda Facchin, uma das netas de Líbera Rizzo. Foto: Rodrigo Lopes, Agência RBS

Comentários (1)

  • jaqueline Maria Facchin Borges diz: 10 de setembro de 2015

    Ola Rodrigo fiquei emocionada e vendo esta Historia que nem sabia dos meus antepassados e de meus avos Romano Facchin e da Nona , nossa voltei no tempo , lembrei de minha infância na casa de Pedra e nessa igreja e do cemitério que la brincávamos …..Sera que você é meu primo …..sou filha de Zeno Facchin e Hilda Facchin .Amei a sua matéria e Gostaria muito de estar ai no dia 13/09 se soubesse com antecedência teria me programado, mas quem sabe em uma outra festa , um abraço. Jaqueline

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