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Nazareno Michelin: a história em movimento

11 de setembro de 2015 3

Neusa e Nazareno Michelin com o casal Clemente e Odila Tomazoni e os filhos João Alberto e Maria Lúcia, no início dos anos 1960. Foto: Studio Tomazoni Caxias, acervo pessoal de Neusa Michelin, divulgação

“Ele sempre quis projetar a cidade”. O depoimento de dona Neusa Michelin, viúva do produtor e cinegrafista Nazareno Michelin, ao Pioneiro em 2010 resume bem o conteúdo da mostra Michelin Filmes – A História em Movimento.

Aberta à visitação gratuita na Galeria Universitária da UCS até 18 de setembro, a exposição destaca câmeras, rolos de filmes de 16mm e 35mmm, equipamentos para reproduzir e captar imagens em diversas bitolas, além de LPs utilizados nas produções.

Pertencente à antiga produtora Michelin Filmes, todo esse acervo doado por dona Neusa ao Instituto de Memória Histórica e Cultural da UCS permitiu a seu Nazareno fazer uma preciosa radiografia da Caxias do Sul das décadas de 1960 e 1970. Foi o período em que ele registrou desde casamentos, aniversários, bailes e desfiles da Festa da Uva até a trajetória de empresas que contribuíram para transformar a cidade em um polo industrial.

Trabalhando sob encomenda, Michelin soube aliar pedidos de vídeos institucionais com sua paixão pela cidade – e pelo próprio ofício. Tanto que uma de suas derradeiras produções foi Caxias – Da Mata Virgem à Metrópole Industrial, contando desde a chegada dos imigrantes até o processo de industrialização, os costumes do interior e a Festa da Uva. Detalhe: todo o documentário foi filmado e editado com recursos próprios, sem o patrocínio de empresas ou da prefeitura.

Na imagem acima vemos Michelin, a esposa Neusa e a fiel filmadora (sobre a mesa) no início dos anos 1960. O casal aparece junto à família de outro nome que também eternizou a cidade em imagens: Clemente Tomazoni, aqui com a esposa Odila e os filhos João Alberto e Maria Lúcia.

Clique nas imagens para ampliar.

Neusa e Nazareno Michelin durante um jantar em meados de 1960. Foto: Studio Geremia, acervo pessoal de Neusa Michelin, divulgação

Um raro registro do cinegrafista Nazareno Michelin em seu escritório, conferindo os filmes. Foto: acervo pessoal de Neusa Michelin, divulgação

Nazareno Michelin em ação durante um concurso de beleza em meados dos anos 1970. Foto: acervo pessoal de Neusa Michelin, divulgação

Interior de Caxias: Nazareno Michelin capta a vindima em meados dos anos 1970. Foto: acervo pessoal de Neusa Michelin, divulgação

Flagrante no carro: o cinegrafista e produtor no início dos anos 1970. Foto: acervo pessoal de Neusa Michelin, divulgação

Filmes em 1969 e 1973

Conferir os filmes de Nazareno Michelin produzidos nos anos 1960 e 1970 é uma deliciosa viagem a um tempo em que a produção audiovisual ainda engatinhava na cidade. Porém, olhando-se hoje, o grande valor documental dessas imagens sobrepõe-se à sua qualidade estética.

Entre os destaques estão um filme de divulgação da Festa da Uva de 1969 e o Conheça Caxias, de 1973. Neste último, Michelin mostra um casal chegando a “moderna” Caxias para uma lua-de-mel e fazendo um roteiro para conhecer a cidade.É quando são mostrados ícones como o Monumento ao Imigrante e o antigo Pavilhão da Festa da Uva, na Rua Alfredo Chaves (prefeitura).

A produtora Michelin Filmes, atuante por 40 anos, funcionava na Marquês do Herval, junto ao antigo Real Hotel.

Nascido em São Marcos em 1931, Nazareno Michelin faleceu em 2007, aos 76 anos.

Em 2008: um ano após a morte do marido, dona Neusa Michelin doou os antigos filmes em latas à Universidade de Caxias do Sul. Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

Produção de seu Nazareno Michelin durante quatro décadas foi doada por dona Neusa ao IMHC em 2008. Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

O acervo

Doado em 2008, o acervo de Nazareno Michelin integra o Programa IRIS (Investigação e Resgate de Imagem e Som), criado em 2006 e um dos braços do Instituto de Memória Histórica e Cultural (IMHC) da UCS.

O IRIS acolhe e preserva acervos – filmes, negativos de filmes e equipamentos relacionados à sua produção e projeção –, disponibilizando-os para pesquisa e contribuindo para a formação de um banco de dados sobre a cultura regional.

Você possui filmes antigos, institucionais ou particulares, e deseja doar? Entre em contato pelo 3218.2167.

Acervo de filmes e material audiovisual é mantido em sala climatizada. Foto: Porthus Júnior, banco de dados/Pioneiro

Parte da história recente de Caxias documentada em filmes está guardada no Instituto de Memória Histórica e Cultural da UCS. Foto: Porthus Júnior, banco de dados/Pioneiro

Trabalho de preservação

Quando chegaram a UCS, em 2008, os rolos dos filmes de Nazareno Michelin estavam acondicionados em latas de metal. Atualmente, o acervo está em constante processo de preservação, com a troca das embalagens dos rolos de filmes e a higienização dos equipamentos.

Para que as películas dos filmes tenham uma vida útil mais longa, todo o material é armazenado em uma sala com controle permanente de umidade e temperatura. 

- O armazenamento adequado é uma condição fundamental para que o acervo possa ser digitalizado, o que facilita e amplia o acesso da comunidade a recortes da sua própria história – explica o diretor do IMHC, Anthony Beux Tessari.

Exposição na Galeria Universitária segue até 18 de setembro. Foto: Hiram Fros/IMHC, divulgação

Equipamentos de Nazareno Michelin em diversas épocas compõem a mostra. Foto: Anthony Beux Tessari, divulgação

A exposição

O que: Michelin Filmes – A História em Movimento
Quando: até 18 de setembro
Onde: Galeria Universitária da UCS (em frente ao UCS Cinema)
Informações: (54) 3218.2167

Filmes e projetores raros estão em exposição. Foto: Anthony Beux Tessari, divulgação

Comentários (3)

  • Alberto Rech diz: 11 de setembro de 2015

    Rodrigo…. Como é bom saber que aos poucos muito na nossa história vai sendo preservada… Com o tempo deveríamos ter acesso á estas filmagens para nos recordarmos de um tempo passado. Deveriam fazer sessões especias para vermos estes filmes….

  • Dagoberto diz: 12 de setembro de 2015

    O Nazareno deixou uma família bem formada e uma marca profissional na história de Caxias. Merece a homenagem!

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