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Giovanni Argenta e os primórdios da Catedral

24 de setembro de 2015 4

O padre Giovanni Argenta na antiga igreja de Santa Teresa, ainda em madeira. Foto: Giovanni Baptista Serafini, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Imagens recentemente doadas ao Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami enriquecem a história da Catedral Diocesana Santa Teresa e a trajetória do pároco Giovanni Battista Argenta, atuante em Caxias do Sul entre os anos de 1893 e 1896.

O material, cedido pelo pesquisador e professor Alexandre Arioli, destaca o padre na antiga igreja de madeira de Santa Teresa, precursora do templo de alvenaria. Conforme Arioli, a imagem ao lado seria a única do interior da rústica capela, cuja réplica nos pavilhões da Festa da Uva é bastante fiel ao retrato, com os anjos e objetos do altar, faltando apenas os ornamentos de madeira no teto – inicialmente esses ornamentos foram colocados, mas depois, subtraídos.

Nota inclusa no livro Clero Secular Italiano no Rio Grande do Sul (1815-1930) – Padres dos Imigrantes, de Arlindo Rubert, destaca que “Argenta teve o mérito de iniciar a construção da matriz de Santa Teresa, atual Catedral, cuja pedra fundamental foi lançada a 5 de dezembro de 1895”.

Clique nas imagens para ampliar.

Igreja de madeira antecedeu a construção da catedral de pedra, cujos trabalhos foram iniciadas em 1895. Foto: Giovanni Baptista Serafini, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O religioso

Conforme informações disponibilizadas pelo Arquivo Histórico Municipal, Don Giovanni Battista Argenta (1841-1915) nasceu em Pedavena, na província de Belluno, Itália. Filho de Giacomo Argenta e Domenica Rento, integrava uma família bastante numerosa: eram 21 irmãos de um só matrimônio.

Documentos cedidos ao Arquivo ainda em 1996 fornecem mais informações sobre o religioso. Além da passagem por Caxias, ele foi capelão nas cidades paulistas de Cerquilho e Rio Claro.

Giovanni Argenta faleceu na capital paulista em 8 de maio de 1915, vítima de nefrite, e está enterrado no Cemitério do Araçá.

O religioso em um registro de 1868, ainda em Feltre, na Itália. Foto: Cesare Riva, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O religioso em um registro de 1868, ainda em Feltre, na Itália. Foto: Cesare Riva, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A família

Abaixo, um retrato da família Argenta em 1890, em Caxias do Sul. Da esquerda para a direita, em pé, estão Antonio Felini (marido de Elisabeta Argenta), Vicente Argenta, “Nani” Argenta, Angelo Argenta (pai de Nani) e Vitório Stopazzola (marido de Vicenza Argenta). Sentados aparecem Elisabeta Argenta, Tereza Bregatto Argenta (esposa de Vicente), a matriarca Domenica Rento Argenta, Don Giovanni Battista Argenta, Beta Argenta (esposa de Angelo, com a filha Teresa Argenta) e Vicenza Argenta.

No colo, também da esquerda para a direita, um bebê não identificado, Ernesto Argenta e Teresa. As crianças sentadas no chão também carecem de identificação.

Detalhe: a mesma foto integra o livro História do Povo de Ana Rech, de João Leonir Dall’Alba, Antônio Tomiello, Juarez E. Rech e Valter Susin.

A família Argenta por volta de 1890, com a matriarca Domenica Rento Argenta e o padre Giovanni Argenta (sentados ao centro). Foto: Giovanni Baptista Serafini, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Trabalho coletivo

O doador Alexandre Arioli, juntamente com os irmãos Adriana Maria Arioli e Vicente José Arioli, é bisneto de Vicente Argenta, um dos irmãos de Don Giovanni Battista Argenta.

Iniciativas de doação como a dele ajudam a tornar pública a história de pessoas e famílias, sejam elas célebres ou anônimas. Além disso, a colaboração estende-se à identificação dos retratados e dos locais em que as imagens foram captadas.

Em resumo, no Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, o doador, o pesquisador e o historiador se transformam em ajudantes na preservação da história da cidade e das pessoas que ajudaram a construí-la.

A doação

Doações ao Arquivo Histórico podem ser feitas na sede, na Av. Júlio de Castilhos, 318, bairro Lourdes.

Mais informações pelo fone 3218.6114 ou arquivohistorico@caxias.rs.gov.br.

Comentários (4)

  • Maria Helena Muratore diz: 24 de setembro de 2015

    Que linda a Igrejinha de Santa Tereza que deu origem a nossa Catedral .A preservação da história de nossos antepassados e suas obras , é importante , para que as novas gerações tomem conhecimento dos fatos ocorridos em épocas passadas .

  • Marlova Mendes diz: 24 de setembro de 2015

    Como o Papa disse hoje no Congresso Americano, devemos preservar e lembrar da nossa memória cultural, pois é ela que nos con(forma)!

  • Alexandre Arioli diz: 24 de setembro de 2015

    Muito Obrigado Rodrigo Lopes pela excelente reportagem!
    Sempre foi meu desejo compartilhar com a comunidade estas imagens e a sua história,o que só agora se realiza! Muito Obrigado ! Foram quase vinte anos de espera, e hoje aconteceu!

  • Sady Edson Salvaador diz: 10 de outubro de 2015

    Parabéns ao bisneto Alexandre Arioli pelo desprendimento e por ter um sentimento comunitário que decifra nossas origens… Parabéns também ao jornalista Rodrigo Lopes que com seu trabalho presta uma colaboração fundamental a memória da região!

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