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Padaria e fábrica de massas de Vitorio Pasetti em 1917

24 de outubro de 2015 0

Anúncio de dezembro de 1946, quando o estabelecimento desejava um Feliz Natal e prosperidade para 1947 a sua fiel clientela. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, reprodução/Pioneiro

A trajetória da família Pasetti está diretamente atrelada a uma das primeiras padarias instaladas em Caxias do Sul, ainda em finais do século 19.

Funcionando na principal via do município, a Rua Grande (posteriormente Silveira Martins e Av. Júlio de Castilhos), a fábrica fundada pelo imigrante italiano Vitorio Pasetti e sua esposa Adelaide logo notabilizou-se pela produção de massas, pães, doces, biscoitos e toda sorte de quitutes – abastecendo não apenas a cidade e a região como também a capital Porto Alegre.

Anúncios publicados nas primeiras décadas do século passado destacavam esse pioneirismo. Abaixo, um registro em italiano encontrado no jornal Città di Caxias em 1º de janeiro de 1914. O slogan ia direto ao ponto:

Volete mangiare ottima pasta di qualsiasi qualitá? Andate a comperarla nella conesciuta fabbrica pasteficia de Vittorio Pasetti (Você quer comer uma ótima massa de boa qualidade? Vá comprar na conhecida fábrica de massas de Vitorio Pasetti).

Clique nas imagens para ampliar.

Anúncio em italiano, datado de 1914. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, reprodução/Pioneiro

Participação em feiras

Também em 1914, Pasetti agregava a seu estabelecimento uma fábrica de caramelos e participava de uma feira de industrialistas em Santa Maria. Foi quando seus produtos foram reconhecidos com a medalha de bronze.

A mesma feira destacou outros expositores de renome em Caxias, como Abramo Eberle, Domingos Mancuso, José Panceri, Tarquínio Zambelli, Amadeu Rossi, Aristides Germani, Jacob Brunetta e Angelo Chitolina. Já a medalha de prata para os Pasetti viria em 1916, durante uma exposição no Clube Juvenil.

Bomboniére Maratá na Av. Júlio em 1943.

A família de Vitorio e Adelaide Pasetti defronte à confeitaria, na Av. Júlio de Castilhos, em 1917. Foto: A. Carraro, acervo de família, divulgação

A fábrica em 1917

Na imagem acima, a fábrica de massas da família Pasetti em 1917, na Av. Júlio, onde hoje situa-se o Edifício Adelaide (o prédio da popular galeria do Bar 13).

Da direita para esquerda estão o casal Vitorio e Adelaide (à porta), Humberto (Neni), Ivo, Italo, Adelina, Angelina, Alice, Clelia , Ernesto (atrás dos irmãos menores), Caetana (Nina, na janela), Vicente (sobrinho de Vitorio e Adelaide) e Maria. A foto integra o acervo de Beatriz Adelaide Brandt Rosa, filha de Angelina.

A matriarca Adelaide nasceu em1873, na Itália, e morreu em 1954, em Caxias. Vitorio acabou falecendo e sendo enterrado na Itália, para onde havia viajado para tratar de um problema de saúde, por volta de 1921.

Lembrança do falecimento de dona Adelaide Pasetti, em 1954. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Uma lembrança em 1991

Entre os netos de Vitorio e Adelaide estão nomes de evidência em Caxias, como o joalheiro Raymundo Pasetti Pezzi e o advogado Remo Marcucci, falecido em 1993.

Filho de Nina Pasetti Marcucci e do ex-prefeito Dante Marcucci, Remo destacou os primórdios da confeitaria em uma crônica publicada originalmente na edição do Pioneiro de 8 de outubro de 1991.

Confira abaixo:

Não posso afirmar categoricamente, mas creio que a primeira padaria de Caxias do Sul foi a de Vitorio Pasetti, no fim do século passado (Século 19). Estava localizada onde hoje fica o Bar Treze, no Edifício Adelaide, nome da esposa do Sr. Vitorio Pasetti.

Fabricavam pão, massas, doces e biscoitos. O velho Vitorio, doente, resolveu ir à Itália para tratar-se. Infelizmente nada surtiu efeito e lá faleceu e foi enterrado. Aqui ficou dona Adelaide e os filhos menores, dez! Lutando com dificuldades de toda ordem, levou adiante o estabelecimento e criou sua prole, ficando o mais velho, Ernesto, rapazinho então, com o encargo do fabrico do pão, massas, doces e biscoitos.

As massas passavam por um processo de secagem e eram apresentadas em pacotes cilíndricos de meio quilo. Spaghetti, bigoli, tagliarini, em grande variedade. A massa era vendida em toda a região, inclusive em Porto Alegre. Me lembro, especialmente, dos biscoitos e doces. Eram magníficos. Ernesto, mais que um doceiro, era um artista. Fazia tudo com carinho e esmero. Mil-folhas, canudos, quindins, bombas, biscoitos de araruta e tantos outros povoaram a minha infância.

Dona Adelaide, quando no balcão, ao atender uma criança que chegava para comprar pão ou massas, sempre obsequiava o cliente mirim com um biscoitinho. É. Os anos passam e a gente vai lembrando. Caxias era pequeninha. A Avenida Júlio de hoje naquele tempo era conhecida como a Rua Grande, onde, próximo a padaria, situavam-se a Loja de Calçados Fasolo, o estabelecimento comercial de Fioravante Zatti, a casa dos Bonotto, que trabalhavam com vime, e o Banco da Província, sob a gerência do Sr. Arehns.

Dona Adelaide casou as filhas e um de seus netos, agora, lembra com saudades, a querida nona e suas doçuras.

(Remo Marcucci)

Remo Marcucci: o filho de Nina Pasetti e neto de Vitorio e Adelaide recordou da confeitaria e de sua infância em uma crônica de 1991. Foto: reprodução/Pioneiro

Parceria

Informações e imagens desta coluna são uma colaboração dos leitores Fernando Rosa e Beatriz Adelaide Brandt Rosa e do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

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