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Cooperativa Vinícola São Victor nos anos 1950

27 de outubro de 2015 1

A fachada da cooperativa São Victor em meados dos anos 1950, época em que o transporte ferroviário ainda era uma das principais vias de escoamento da produção de várias outras vinícolas próximas, como a Mosele, a Rio Grandense e a Caxiense. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A revitalização de antigos espaços no entorno da Estação Férrea dialoga com as memórias de quem teve sua trajetória profissional atrelada ao lugar. Entre eles os proprietários e associados da antiga Cooperativa Vinícola São Victor.

O início do negócio remete a 1929, na localidade de São Victor da 5ª Légua, daí o nome. Conforme informações publicadas no livro São Pelegrino – Quem te Viu, Quem te Vê, o responsável por iniciar a organização dos colonos com vistas à fundação da empresa foi o empreendedor Agostinho Zandomeneghi, preocupado com o pouco valor que os comerciantes davam aos produtores de vinho.

Filho dos pioneiros imigrantes italianos Pietro Zandomeneghi e Regina Brisoto Zandomeneghi, Agostinho acabou por ceder o porão da casa da família, na 5ª Légua, para abrigar as primeiras produções da cooperativa – pelo menos até a primeira sede do grupo ser adquirida, no início dos anos 1930, na Rua Sinimbu, 1.107.

O terreno na Rua Augusto Pestana, junto à Estação Férrea, foi adquirido logo na sequência, em 1932, para facilitar o transporte e a distribuição dos produtos. Tinha início aí a fase de crescimento e consolidação da empresa no mercado.

Clique nas imagens para ampliar.

Bairro São Pelegrino: a trajetória da família Zandomeneghi.

O fundador Agostinho Zandomeneghi (sentado à esquerda) com o irmão Giovanni, em finais dos anos 1930. Atrás, as irmãs Angelina, Giacomina e Antonina. Foto: Julio Calegari, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Ao longo dos anos

Conforme detalhado pelos pesquisadores Tania Tonet, Charles Tonet e Ana Seerig, uma das peculiaridades da vinícola é que sua sede jamais recebeu uva ou produziu vinhos, apenas o produto pronto de seus associados.

“Quando começaram a surgir associados sem cantina para produção, o grupo montou dois pontos de recolhimento de uva e fabricação de vinho: um em Fazenda Souza, outro em Pedras Brancas, em São Marcos, que funcionou até o fim da década de 1990″.

Os anos 2000 culminaram com mudanças estruturais e a consequente mudança de endereço, visto que o crescimento da cidade e a transformação da área da estação em um espaço de lazer e entretenimento começaram a dificultar a carga e descarga dos produtos.

Já em 2012, a São Victor passou a integrar a Cooperativa Nova Aliança, formada por outras quatro: a Linha Jacinto, de Farroupilha; a Santo Antônio e a São Pedro, de Flores da Cunha; e a Aliança, de Caxias. São cerca de 900 famílias associadas.

Vinhos Raposa: um clássico da Mosele.

Um registro da cooperativa nos anos 1970, com o vaivém de caminhões tomados de garrafões. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Novo espaço

Há pouco menos de um mês, um dos pavilhões da vinícola passou a abrigar o espaço de eventos do Café de La Musique. Trata-se da construção principal, cuja fachada em pedra é adornada pelo belíssimo portão de ferro original dos anos 1930.

Conforme os arquitetos Jéssica De Carli e Felipe Gargioni de Azevedo, responsáveis pela reestruturação, o interior preservou as vigas e colunas em madeira, além das paredes em pedra, em consonância com a história e a memória do lugar.

Estação Férrea em 1958.

Caxias antiga: quando o trem cortava a cidade.

Espaço foi revitalizado para abrigar eventos. Foto: Fernando Dai Prá, divulgação

Vigas e colunas originais foram mantidas. Foto: Fernando Dai Prá, divulgação

Foto: Fernando Dai Prá, divulgação

Comentários (1)

  • Luis Fernando Calegari diz: 24 de novembro de 2015

    Olá Rodrigo tudo bem? Me chamo Luis Fernando, leitor de bastantes assuntos relacionados a ferrovias e trens de antigamente. Encontrei sua reportagem quando estava procurando sobre assuntos e noticias relacionados a Cooperativa Vinicola São Vitor. Meu avo, um ex ferroviario de 87 anos, meu ídolo eterno, me enche de historias sobre sua vida, sobre as “estradas de ferro”. Por coincidência ele já tomou muito de um vinho da Cooperativa São Vitor, chamado Vigoroso. Segundo ele era o melhor vinho que já tomou na vida. Além de te parabenizar pela reportagem e por manter viva uma história boa e que poucos sabem como essa, gostaria de te perguntar se você sabe se a São Vitor acabou mesmo, e se eles se juntaram para formar a Nova aliança ou se eles ainda fazem vinho deles porém em outro lugar? Meu avô ja não toma o vinho deles há uns 5 anos. Porém eu sei que até antes disso eles ainda faziam vinho, ou seja, 2010. Se tiver informações e puder me responder ficarei muito grato. Parabéns pelo trabalho. Espero manter contato. Abraço, Luís.

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