Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Acrobatas alemães agitam o Centro de Caxias em 1957

28 de outubro de 2015 2

Eletrizando o público: acrobatas equilibram-se sobre motociclo, trapézio e escada nos cabos de aço instalados na esquina da Sinimbu com a Marquês do Herval. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O dia em que o Centro de Caxias parou. Assim pode ser definido o 5 de junho de 1957, quando a trupe de malabaristas do grupo alemão Zugspitz Artisten passou pela cidade, atraindo milhares aos arredores da Praça Dante Alighieri.

Famosos desde 1948 em todo o mundo pelas acrobacias sobre cabos de aço, os integrantes deixavam o público boquiaberto equilibrando-se a pé, de motociclo ou bicicleta. As acrobacias, oito no total, tinham nome e sobrenome: O Voador, Motociclo Aéreo, A Travessia Solitária, O Mastro Humano, O Trapézio Duplo, A Travessia às Cegas, Convite ao Bailado e Eletrizante. Este última, inclusive, vinha acompanhada de um aviso no programa:

“Número inconveniente para pessoas que sofrem dos nervos. A maravilha do equilíbrio combinado. Causa calafrios o desafio às alturas feito pelos três acrobatas alemães. Com motociclo, trapézio e escada, chegam à máxima exibição que tanta fama lhes deu”.

Vídeo traz as acrobacias dos malabaristas alemães na Praça Dante em junho de 1957.

A Travessia Solitária: o alemão Alex Schack equilibra-se sobre a Praça Dante, aqui entre o antigo Hotel Menegotto (à esquerda) e o Edifício Minghelli. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

As atrações

Nos arredores da Praça Dante, A Travessia Solitária (foto acima) deu-se por um cabo de 16mm entre o recém-construído Edifício Minghelli (o prédio da Joalheria Kayser) e um poste instalado próximo à Rua Dr. Montaury, passando exatamente pelo centro do chafariz.

Outros destaques foram O Mastro Humano, em que um dos integrantes realizou uma série de acrobacias no topo da Metalúrgica Abramo Eberle, e O Voador. Neste último, o artista Rudi Berg, suspenso unicamente por uma corda na nuca e com os braços abertos, desceu pelo cabo em alta velocidade desde o alto do Edifício Minghelli até a frente da Catedral Diocesana.

Redes de proteção e equipamentos de segurança? Nenhum…

Clique nas imagens para ampliar.

O Mastro Humano: acrobacias no terraço da Metalúrgica Abramo Eberle atraem todas as atenções para o alto. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Trapézio e motociclo: uma apresentação que marcou época e nunca mais se repetiu. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Os artistas após a realização das acrobacias, na esquina das ruas Sinimbu e Dr. Montaury. À esquerda, o prédio do Magnabosco e, à direita, parte da antiga casa da família Serafini. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Os artistas

Surgido no pós-guerra, em 1946, o grupo era formado pelos artistas Alex Schack, Siegward Bach, Rudi Berg e Miss Sylvia, sob a direção do também alemão Wilhelm Butz (foto acima).

O nome era uma referência ao monte Zugspitz, o mais alto da Alemanha, onde o quarteto deu início às suas mais incríveis façanhas. No Rio Grande do Sul, os alemães fizeram apresentações também em Porto Alegre e Pelotas.

Das alturas da Metalúrgica Abramo Eberle em 1950.

Um incêndio agita o Centro de Caxias em 1952.

Artistas e público após a apresentação, em junho de 1957. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O programa

Na foto abaixo, a reprodução do programa, detalhando cada um dos números. A divulgação era a mesma para todas a cidades por onde o grupo passava, daí a ausência do nome de Caxias e a data específica da apresentação.

Clique para ampliar e ler o texto original.

Programa detalhava as acrobacias, número por número. Foto: reprodução/Pioneiro

Nervos

Reportagem do jornal Pioneiro da época também fazia um alerta:

“Não resta a menor dúvida de que quem sofre dos nervos não deve assistir a espetáculos dessas natureza, embora a beleza que transmitam esses verdadeiros homens voadores”.

Foto: reprodução/Pioneiro

Agradecimento

Informações e fotos desta coluna são uma colaboração do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami e dos leitores Oscar Boz e Maria Luiza Boz.

Comentários (2)

  • Catiuscia Xavier diz: 28 de outubro de 2015

    Show, Rodrigo Lopes!
    Parabéns pela coluna: com certeza, muita gente nem sabia deste acontecimento!

  • Alberto Rech diz: 28 de outubro de 2015

    Prezado Rodrigo… Obrigado pela recordação deste evento aqui em Caxias. Na época eu era um garoto de 10 anos e está bem viva na minha memória este dia.. Foi um espetáculo maravilhoso e a cidade praticamente parou para assistir….Ver aqueles caras se equilibrando num fio , sem proteção nenhuma embaixo era assombroso !!!!!

Envie seu Comentário