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Festa da Uva: os míticos carros alegóricos de Darwin Gazzana

10 de novembro de 2015 3

Edição de 1965: carro das soberanas desenvolvido por Gazzana trouxe a rainha Silvia Celli como uma pastora de cisnes. Foto: Hildo Boff, acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

Em um tempo em que o termo multimídia ainda nem existia, Darwin Gazzana (1929-1983) já reinava. Médico, artista plástico, designer, figurinista, diretor e produtor de espetáculos, Gazzana é lembrado principalmente pelo luxo, sofisticação e bom gosto que imprimia aos carros dos corsos alegóricos da Festa da Uva – com destaque para as três edições realizadas entre 1961 e 1969.

Conforme lembrou o médico Francisco Michelin no livro Festa da Uva – A Alma de um Povo, de Luiz Carlos Erbes, a população identificava facilmente qual carro tinha sido projetado por Gazzana, tal a diferença, quase abissal, com os demais criadores. “Ele não admitia falhas, estava sempre por perto, cuidando de todos os passos na execução. E sua maior recompensa era o sucesso do desfile, o aplauso e o reconhecimento do público”, lembrou Michelin.

Pode-se dizer que essa consagração deu-se a partir da edição de 1965, quando ele assinou o belíssimo carro das soberanas. O veículo (foto acima) trazia dois enormes cisnes alçando voo a partir de um pergaminho púrpura na base. Entre eles, a engrenagem, símbolo da indústria caxiense, coroada por flores e uvas. E no alto, sobre um globo de metal, a rainha Silvia Celli, a Pastora de Cisnes – como o carro foi nominado por Gazzana.

Clique nas imagens para ampliar.

Há 50 anos: um ensaio com as soberanas da Festa da Uva de 1965.

Festa da Uva 1965: uma bomba de chimarrão no corso alegórico.

Lanifício Gianella na Festa da Uva de 1965.

Carro de 1965 trazia a rainha Silvia Celli sobre um globo de metal adornado por flores e uvas. Nas laterais, as princesas Ana Maria Botelho e Maria Paula Pezzi Portela. Foto: Hildo Boff, acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

A edição de 1969

Abaixo, dois registros da festa de 1969, quando o artista desenvolveu não apenas o veículo das soberanas, A Fonte das Donzelas, mas também o vestido da rainha Elisabeth Menetrier.

Curto, pegando carona na febre da minissaia, o traje e as pernas à mostra da rainha foram algumas das modernidades da edição que fechou a década de 1960.

Darwin Gazzana: o mago dos figurinos.

Festa da Uva 1969: Darwin Gazzana e a estreia do corso noturno.

Michelin Filmes: a Festa da Uva de 1969.

Em 1969: cavalos alados decoravam o carro A Fonte das Donzelas, com a rainha Elisabeth Menetrier ao alto. Foto: Carlos Caetano Pettineli, acervo de família, divulgação

Criação em dose dupla: carro A Fonte das Donzelas destacava a rainha Elisabeth Menetrier e seu vestido curto, que deixava pernas e joelhos à mostra em 1969. Foto: Hildo Boff, acervo de família, divulgação

Carros com efeitos de luz, como o das soberanas, foram especialmente projetados por Darwin Gazzana para valorizar a estreia do corso noturno, em 1969. Foto: Hildo Boff, acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

Universo mitológico

Pássaros, cisnes, cavalos alados e referências mitológicas eram frequentes na obra de Darwin Gazzana. O luxuoso Pássaro de Fogo, por exemplo, foi outro carro inesquecível do artista plástico no corso de 1969.

Adornado por uma ave de metal e um enorme candelabro iluminado à noite, o veículo da Metalúrgica Abramo Eberle trazia ainda a beleza da Miss Rio Grande do Sul Elisabeth Finardi (foto abaixo).

Festa da Uva: um desfile pela Sinimbu em 1972.

1972: o último ano do Pavilhão da Festa da Uva no Centro.

Em 1969: Pássaro de Fogo, um dos mais belos carros desenvolvidos por Darwin Gazzana para a Metalúrgica Abramo Eberle, trazia a Miss Rio Grande do Sul Elisabeth Finardi. Foto: Hildo Boff, acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

Em 1965: luxuoso carro da Metalúrgica Abramo Eberle projetado por Gazzana trouxe uma cuia em jacarandá e uma bomba banhada a ouro e prata, além da Miss Rio Grande do Sul Rosa Maria Gallas. Foto: Hildo Boff, acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

Carro dos Tecidos e Artefatos Kalil Sehbe em 1965: assinado por Gazzana, o veículo denominado “A Evolução da Moda Através dos Tempos” trazia casais vestindo a indumentária dos anos de 1875, 1900, 1920 e 1945. Foto: Hildo Boff, acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

Comentários (3)

  • Vini diz: 10 de novembro de 2015

    Podem fazer concursos de carros alegóricos, podem fazer concursos de Rainha. Nunca nada será igual a antes.

  • Ana Medeiros diz: 11 de novembro de 2015

    Concordo a Festa da Uva perdeu o brilho e glamour….amava quando a escolha da Rainha era um baile de gala no Clube Juvenil….! Ate mudaram o endereço do desfile….perdeu-se o glamour!
    Adoro ver a eterna rainha Bete Menetrier ( olha o porte!), essa sim deveria escrever um livro!!

  • Inacio diz: 11 de novembro de 2015

    Podem ser iguais sim Vini desde que se dediquem com espirito historio e não comercial, hoje a festa da uva se transformou em um grande camelódromo e fez com que perdêssemos a saga e a garra de nossos colonizadores.
    Basta conversarmos com os jovens, pouquissimos conhecem a nossa historia e a grande maioria quase na totalidade sequer sabem oque foi a Merica Merica.

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