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Para recordar de Darwin Gazzana, o mago dos figurinos

11 de novembro de 2015 2

Figurino desenvolvido por Darwin Gazzana nos anos 1960. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A trajetória do médico e artista plástico Darwin Gazzana mescla-se à modernização de Caxias do Sul a partir da década de 1950. Tanto que seu forte vínculo com as demandas da saúde, da Festa da Uva e da sociedade dos anos 1950, 1960 e 1970 é lembrada até hoje.

Filho do comerciante Manoel Luiz Gazzana e da lavadeira Maria Adami Gazzana, ambos descendentes de imigrantes italianos, Gazzana nasceu em Caxias em 11 de fevereiro de 1929. Após finalizar os estudos no tradicional Colégio Nossa Senhora do Carmo, ingressou na Faculdade de Medicina da UFRGS, em 1947. Concluído o curso, em 1952, especializou-se em Clínica Pediátrica e Higiene Infantil, bem como em Reumatologia e Fisiologia.

É desse período a a foto abaixo, em que Gazzana (à esquerda) aparece junto aos colegas médicos José Belardinelli, Jaime De Carli, José Brugger e Jorge Sehbe – grupo com extensa atividade no Hospital Pompéia.

Clique nas imagens para ampliar.

Festa da Uva: os míticos carros alegóricos de Darwin Gazzana.

Junta médica: Darwin Gazzana, José Belardinelli, Jaime De Carli, José Brugger e Jorge Sehbe em meados dos anos 1950. Foto: Studio Geremia, divulgação

Bastidores da Aliança Francesa: Darwin e Jaqueline Gazzana (agachados à direita) e o grupo que movimentou o cenário artístico caxiense nos anos 1950 e 1960. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Na Aliança Francesa

Paralelamente à atuação na área da saúde, Gazzana teve participação ativa no movimento cultural e teatral ligado à antiga Aliança Francesa, entre 1953 e 1964.

Foi quando atuou inicialmente como figurinista, depois como ator e, por fim, como diretor, ao lado de nomes de relevância cultural na cidade como Nilton e Rose Scotti, Irmgard Bornheim, Hermínio Bassanesi, David Andreazza e Corina Weinstein, entre outros.

Por essa época, casou com Ana Jaquerina (Jaqueline) Grazziotin, com quem teve os filhos Henrique, Christianne e Renata.

Hermínio Bassanesi e os bastidores da Aliança Francesa nos anos 1950.

Nu fotográfico agita a Aliança Francesa em 1955.

Desenho de Darwin Gazzana para o carro alegórico Pássaro de Fogo, da Metalúrgica Abramo Eberle, um dos destaques do corso alegórico de 1969. Foto: croqui pertencente ao Arquivo Histórico Municipal e imagem de Hildo Boff, acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

Os carros alegóricos

Consagrado pelos luxuosos carros alegóricos, pelo desenho de trajes típicos e pela criação de estandes na Festa da Uva até o final dos anos 1960, Gazzana adentrou a década seguinte com novos desafios. De 1970 a 1976, dedicou-se ao design de produtos junto a Metalúrgica Abramo Eberle.

Foi o período em que atuou especialmente na criação e na decoração de artigos de prata, destinados a um público exigente e apreciador de obras mais elaboradas. Os desenhos representavam, quase sempre, cenas do mundo mitológico, romântico e regionalista.

O trabalho do artista, inclusive, modificou alguns conceitos existentes na empresa quanto à forma e o visual dos objetos até então produzidos.

Desenho do vestido assinado por Darwin Gazzana para Helena Robinson, rainha da Festa da Uva de 1961. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Acervo precioso

O envolvimento de Gazzana com a Festa da Uva ganhou expressividade a partir de 1958, quando ele desenhou o vestido da rainha Zila Turra, confeccionado pela amiga Corina Wainstein. Naquele ano ele também foi o vencedor do concurso para o cartaz da Festa.

Na sequência viriam os carro das soberanas de 1961, 1965 e 1969 e diversos outros figurinos para a corte da Festa, além de vestidos encomendados por noivas, debutantes e mulheres da sociedade dos anos 1960, como Helena Robinson e Lucila Michelon.

Os croquis de Gazzana reproduzidos nesta página integram o acervo do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Carro alegórico em 1972

A partir dos anos 1970, a concepção de carros alegóricos por Gazzana começou a rarear. Na Festa da Uva de 1972, por exemplo, ele idealizou apenas o veículo do Projeto Rondon (abaixo).

Festa da Uva 1972: Gazzana  foi o responsável pelo carro do Projeto Rondon. Foto: Hildo Boff, acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

Festa da Uva 1972: Gazzana foi o responsável pelo carro do Projeto Rondon. Foto: Hildo Boff, acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

Cultura regional

A partir da segunda metade dos anos 1970, Gazzana passou a atuar na concepção de espetáculos artísticos regionais. Em 1976, por exemplo, foi convidado pela Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul, na gestão do então secretário Mario Bernardino Ramos, para compor a equipe que mudaria a concepção vigente até então – de que “a arte era produto turístico totalmente esquecido pelos pragmáticos”.

O resultado desse trabalho foi o Projeto CULTUR, responsável pelo incentivo e desenvolvimento de espetáculos artísticos regionais, como o Espetáculo Som & Luz da Redução dos Sete Povos das Missões, nas ruínas de São Miguel, em Santo Ângelo.

A atração foi concebida a partir de roteiro e texto de Henrique Grazziotin Gazzana (seu filho, escritor e também médico) e contou com a colaboração de artistas como Fernanda Montenegro, Paulo Gracindo, Juca de Oliveira, Armando Bogus e Lima Duarte – que emprestaram suas vozes para contar a história da redução e dos antigos moradores jesuítas e índios.

A efetivação do Som & Luz nas Ruínas de São Miguel oportunizou a Gazzana extrapolar as fronteiras do Rio Grande do Sul. A convite da Empreendimentos Turísticos da Bahia, ele atuou na produção e direção-geral de mais um espetáculo Som & Luz, desta vez no Solar do Unhão em Salvador. Foi quando destacou histórias do Brasil colonial e escravocrata, na época do rei Dom João VI.

Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Morte em 1983

A partir do final dos anos 1970, Gazzana dedicou-se mais à pintura de quadros que retratavam os santos, as pessoas e os casarios típicos de arquitetura portuguesa. Porém, já com a saúde debilitada em decorrência de um infarto, teve sua trajetória interrompida justamente durante uma viagem ao Nordeste, onde procurava inspiração.

Darwin Gazzana faleceu em João Pessoa, na Paraíba, em 2 de novembro de 1983. Ele tinha apenas 54 anos.

Parceria

Informações desta coluna são uma colaboração do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

Comentários (2)

  • Maria Helena Muratore diz: 11 de novembro de 2015

    Estas reportagens ,de uma beleza extraordinária , nos fazem voltar no tempo e recordar Personagens e Acontecimentos Sociais que tornaram Caxias do Sul conhecida. no campo das Artes e das Festas da Uva ,no Brasil e no exterior . O Dr. Darwin Gazzana, um consagrado Artista , nas várias áreas que atuou,é merecedor de muitas homenagens e agradecimentos dos Caxienses.

  • Vini diz: 11 de novembro de 2015

    O cara desenhava, heinnnn! Queixo caído! Uma aula de humildade aos estilistas novos.

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