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Casa de Pedra: uma restauração em 1975

17 de novembro de 2015 2

Janeiro de 1975: Maria Frigeri Horn e funcionários em meio às obras de restauração da Casa de Pedra (ao fundo). Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Se desde fevereiro de 1975 a Casa de Pedra é roteiro obrigatório para quem busca saber mais sobre a imigração italiana em Caxias, muito deve-se ao trabalho da professora e museóloga Maria Frigeri Horn, então diretora de museus da prefeitura na gestão de Mario Bernardino Ramos (1973-1975).

Naquele final de 1974, a ideia de Maria era ousada: criar o primeiro museu da imigração italiana no Brasil. Uma corrida contra o tempo, já que a Festa da Uva ocorreria dali a menos de dois meses. Relato concedido por Maria a então diretora do Museu Municipal, Tânia Zardo Tonet, em 1996, detalhou a recuperação do espaço.

Convidada pela secretária da Educação e Cultura, Santina Barp Amorim, para organizar o atual Museu Municipal, Maria teria aceitado mediante uma condição: se entregassem a ela também o trabalho de restauração da Casa de Pedra. Dito e feito:

“Eu lembro que no primeiro domingo eu peguei uma máquina fotográfica e fui ver em que condições estava a Casa de Pedra. Estava demolida (…), cheguei na porta da cozinha e não tive coragem de entrar, achei que ia cair o telhado em cima de mim. Eu disse: “Olha, nós temos que restaurar isso aqui!”

O olhar visionário e o empenho de Maria – aliados a uma personalidade “meio briguenta” e a uma boa dose de ousadia – deram o tom de todo aquele processo. Madeiras, telhas, móveis, utensílios, enfim, todo o contexto histórico e a logística para que o casarão ressurgisse foram fruto da colaboração da comunidade e das empresas – tanto que não foram poucos os que consideraram tudo aquilo uma loucura.

“Não tínhamos verbas, não tínhamos dinheiro, a mão-de-obra foi totalmente gratuita. Os que ganhavam, era muito pouco… Eu batia na porta das empresas e pedia… Foi muito na parceria”.

Clique nas imagens para ampliar.

O prefeito Mario Bernardino Ramos durante o discurso de inauguração da Casa de Pedra, em 14 de fevereiro de 1975. Foto: Basilio Scalco, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Bandas do São Carlos e do Cristóvão participaram da solenidade de inauguração da Casa de Pedra (ao fundo). Foto: Basilio Scalco, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Após a inauguração da Casa de Pedra (ao fundo), grupo dirigiu-se ao Museu do Vinho, instalado junto à Cantina Pão & Vinho e também organizado por Maria Horn. Foto: Basilio Scalco, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Sucesso na Festa da Uva

A “loucura” toda ficou pronta em 14 de fevereiro de 1975 e dialogou ainda com o temporário Museu do Vinho, também organizado por Maria e instalado junto à cantina Pão & Vinho, do outro lado da rua. Ambos foram roteiros obrigatórios para quem visitava os Pavilhões, outra novidade daquele fevereiro de 1975.

“A Casa de Pedra foi um sucesso tão grande que durante a Festa da Uva tinha-se que atender até as três da manhã”.

Parceria

Parte da entrevista com Maria Frigeri Horn reproduzida nesta coluna integra o Banco de Memória Oral do Arquivo Histórico Municipal.

A inauguração da Casa de Pedra em 1975.

A inauguração dos Pavilhões da Festa da Uva em 1975.

A Casa de Pedra em finais dos anos 1960. Foto: Hildo Boff, divulgação

A Casa de Pedra no final dos anos 1960, ainda quando fazia vizinhança com o antigo casarão de madeira derrubado em 1974. Foto: Hildo Boff, divulgação

A história da casa

A Casa de Pedra foi erguida por volta de 1885 pelos irmãos Giacomo, Antonio e Luis Lucchese, chegados a Caxias seis anos antes, em 1879, e estabelecidos na antiga 9ª Légua. Os Lucchese detiveram a posse da casa até 1918, quando ela foi adquirida por Jacob Brunetta. Nessa época, além da construção de pedra, havia uma casa de madeira, ambas ligadas por um passadiço.

Conforme informações disponibilizadas pelo Arquivo Histórico Municipal, a casa de madeira foi substituída por uma maior, onde os Brunetta instalaram um armazém, um matadouro e um açougue – pontos de comércio e hospedagem para os tropeiros da época.

Já em 1946, a propriedade foi adquirida por David Tomazzoni e os três filhos – em 1974, esse casarão de madeira, localizado onde hoje situa-se o Monumento aos Tiroleses, também foi demolido, restando apenas a casa de pedra propriamente dita.

Porém, com a expansão dos bairros São José e Santa Catarina, a edificação começou a ficar ameaçada. Relatos dão conta de que “muitos queriam passar com um trator por cima daquela casa velha, não foi fácil segurar e restaurar”.

Já em 1974, às vésperas do centenário da imigração italiana, o município negociou com a família Tomazzoni e adquiriu a propriedade, já em acelerado processo de deterioração (foto abaixo).

A Casa de Pedra em 1974: um símbolo da imigração italiana prestes a ser recuperado. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Um ano para recordar

A partir de 1975, Caxias do Sul deu um salto no quesito espaços de história e memória. Além da Casa de Pedra, naquele ano surgia oficialmente o Museu Municipal - após a sede da administração municipal deixar o prédio da Rua Visconde de Pelotas e ocupar o reformado pavilhão da Festa da Uva, na Rua Alfredo Chaves.

No ano seguinte, 1976, surgia o Arquivo Histórico Municipal, anexo ao Museu. Já em 1977, a Casa de Pedra recebia a companhia do Monumento aos Tiroleses, erguido em homenagem ao centenário da imigração italiana, celebrado dois anos antes.

Comentários (2)

  • ademir luis dambros diz: 17 de novembro de 2015

    Caxias do sul ja nao tem aquela identidade relacionada com a imigraçao . O linguajar , o jeito de falar estao se perdendo com o tempo.

  • Alexandre Frigeri diz: 19 de novembro de 2015

    Caro Rodrigo,
    Tuas matérias sempre surpreendendo. Sempre contemplando todos os segmentos que , de alguma forma,fazem parte da história de Caxias. Sensacional a da Casa de Pedra.
    E belo reconhecimento a essa grande historiadora de personalidade -”meio briguenta”-, que nunca mediu esforços para manter a identidade dos seus ancestrais.
    Merece menção especial, também, sua irmã ,Corina Frigeri Wainstein outra instituição na história de Caxias.
    Fica aqui a sugestão de fazer uma bela matéria sobre Corina na mesma base, ou dando continuidade,como foi a do Dr.Darwin Gazana.
    Afinal, além de amigos, sempre trabalharam juntos.

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