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Romulo Carbone, um aniversário para recordar

19 de novembro de 2015 0

Carbone presta atendimento ao revolucionário Marianinho Moraes, ferido em um combate durante a Revolução de 1923. Foto: Giacomo Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Local que abriga boa parte da história de Caxias do Sul, o Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami também preserva, em fotos e documentos, a memória daquele que morou e exerceu seu ofício no antigo casarão da Av. Júlio de Castilhos, 318: o médico Romulo Carbone. E o dia do aniversário do cirurgião, nascido na Itália em 19 de novembro de 1879, serve para recordarmos um pouco dessa trajetória de forte vínculo comunitário.

Apesar de ter chegado a Caxias do Sul ainda em 1913 e clinicado inicialmente junto à antiga Pharmacia Peretti, o italiano transformou a pioneira Casa de Negócios de Vicente Rovea na Casa de Saúde do Dr. Carbone somente em 1925. O andar superior concentrava os quartos para os pacientes e a sala de cirurgia, enquanto o térreo servia como residência. O local funcionou como hospital até por volta de 1935, sempre com Carbone à frente da clínica – embora em 1931 a casa tenha ganhado novos administradores e o nome de Hospital Beneficente Santo Antônio.

Na foto acima, disponibilizada pelo Arquivo Histórico, vemos Carbone em ação na enfermaria do Hospital Pompéia, onde desde 1920 atuava como diretor clínico. O médico presta atendimento ao revolucionário Marianinho Moraes, ferido em um combate durante a Revolução de 1923.

Clique nas imagens para ampliar.

O médico e sua equipe prestando atendimento ao sargento Joaquim Inácio Velho, ferido em um ataque a São Francisco de Paula durante a Revolução de 1923. A partir da esquerda estão as assistentes Isabel Pezzi e Albina Menegotto e a enfermeira Lidia Kelsch. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação 

Personalidade de destaque

A dedicação, os atendimentos dia e noite, de carroça ou a cavalo, pela cidade e pelo interior, contribuíram para que relação do médico com a comunidade caxiense transcendesse o plano profissional. Tanto que em pouco tempo a população desenvolveu um sentimento de profunda amizade e estima pelo doutor.

Homem culto, excelente orador, profissional competente e esportista torcedor do Juventude, Carbone era também um cidadão atuante na família e na sociedade. Por ocasião de datas festivas italianas ou brasileiras, em cerimônias sociais, políticas ou religiosas, costumava fazer notáveis discursos.

Mesmo distante da terra natal, as relações com a Itália se mantiveram. Em novembro de 1920, Carbone foi nomeado Consul da Itália. Em março de 1921, recebeu o título de Agente Consular da Itália em Caxias no Estado do Rio Grande do Sul e, em 25 de outubro de 1932, recebeu o título de Cavaliere – Cavalheiro da Ordem da Coroa da Itália, em decreto assinado pelo Rei Vittorio Emanuelle.

Romulo e Lucia Carbone no dia do casamento, em 19 de novembro de 1910, na Itália. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A família 

Romulo Carbone casou com Lucia Bonotti em 19 de novembro de 1910, ainda na Itália. Dessa união nasceu o único filho do casal, Francisco Pedro Carbone, o Ferrucio. Entre idas e vindas, a família morou em Caxias até por volta de 1945, quando mudou-se definitivamente para Porto Alegre.

Porém,mesmo residindo na Capital, Carbone fazia questão de visitar a cidade e os amigos – consta que ele costumava passar pelo menos um mês por ano em Caxias. As visitas cessaram apenas com a morte da esposa.

Lucia faleceu em 8 de novembro de 1956, vítima de um tumor na cabeça. Romulo morreu cinco anos depois, em 2 de dezembro de 1961, aos 82 anos.

Um relicário para Lucia Carbone.

Arquivo Histórico Municipal, um casarão para a história.

Documentos

Na montagem abaixo, detalhes de documentos pessoais de Romulo Carbone. Em sentido horário, da esquerda para a direita, “Passaporto per L’Estero” (Passaporte para Estrangeiro); Título de Eleitor Brasileiro; “Libreto Personale per Licenze di Porto D’Armi” (Caderneta Pessoal para Licenciamento de Porte de Armas); Carteira de Identidade para Estrangeiro e Salvo Conduto Especial (para Estrangeiro).

Ao fundo, o registro de um grupo de pessoas reunidas em torno do resultado de uma excursão de caça, em 1939. À frente, sentado, vê-se Romulo Carbone (com o cigarro na boca). Em segundo plano está Dante Marcucci, prefeito de Caxias entre 1935 e 1947 (o primeiro à esquerda, de chapéu).

Clique na imagem para ampliar.

Documentos de Romulo Carbone que integram o acervo do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami. Montagem das fotos: Catiuscia Xavier, Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Referência

Apesar de o casarão do Arquivo Histórico Municipal ter abrigado o armazém de secos e molhados da família Rovea, o Hospital Beneficente Santo Antonio, uma pensão e vários tipos de comércio e serviços ao longo do século 20, muita gente refere-se ao espaço até hoje como “o antigo Hospital Carbone”.

Parceria

Informações desta coluna são uma colaboração do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

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