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Dia Nacional da Consciência Negra: memórias do Clube Gaúcho

20 de novembro de 2015 0

A bênção da bandeira do Clube Gaúcho em janeiro de 1957. Foto: Studio Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

No Dia Nacional da Consciência Negra, relembrar dos clubes de Caxias do Sul que foram – e são – referência na construção e afirmação da identidade social dos negros é fundamental. Principalmente em uma região que, historicamente, exaltou sua hegemônica italianidade.

O surgimento de associações quase que exclusivas para negros foi uma espécie de resposta à segregação imposta pelos clubes, associações e espaços sociais nas primeiras décadas do Século 20 na cidade. Entre eles o pioneiro Clube das Margaridas, idealizado por mulheres que buscavam um espaço de lazer para seus filhos, e a Sociedade Recreativa Gaúcho.

Conforme o historiador Fabrício Romani Gomes, autor da dissertação e livro Sob a Proteção da Princesa e de São Benedito – Identidade Étnica, Associativismo e Projetos num Clube Negro de Caxias do Sul (1934-1988), o Clube das Margaridas foi fundado em 12 de dezembro de 1933.

Já no ano seguinte, em 23 de junho de 1934, surgia o Esporte Clube Gaúcho. O nome foi uma escolha da diretoria, formada por vários militares vindos com o 9º Batalhão de Caçadores de Pelotas. O objetivo? Destacar o orgulho de serem brasileiros nascidos no Rio Grande do Sul e marcar a presença negra no Estado.

Clique nas imagens para ampliar.

Escolha da rainha do Esporte Clube Gaúcho em 1953.

Memórias do Carnaval: os animados bailes do Clube Gaúcho em 1958.

O Clube das Margaridas em meados dos anos 1930. Foto: Julio Calegari, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Baile de debutantes nos salões do Clube Gaúcho em meados dos anos 1960. Foto: acervo pessoal, divulgação

Sandra da Silva, eleira rainha do Clube Gaúcho em 1965. Foto: acervo de família, divulgação

Sandra da Silva, eleita rainha do Clube Gaúcho em 1965. Foto: acervo família Machado, divulgação

Memórias dos bailes

Diretora do Departamento de Etnias da União das Associações de Bairro, Juçara Quadros, 58 anos, frequentou o clube desde criança e conta que, para os eventos sociais, era preciso vestir traje adequado. Na época de sua mãe, por exemplo, havia o Baile da Seda e o Baile do Veludo, destacando os tecidos finos empregados na confecção dos vestidos.

– No estatuto constava como se portar no clube, como dançar. No dia do baile, duas pessoas ficavam responsáveis por observar as pessoas. Se fizesse algo errado, era convidado a se retirar – lembra Juçara, que na reportagem especial desta edição recorda também do preconceito sofrido em alguns clubes.

O início da construção da atual sede do Clube Gaúcho, no final dos anos 1970. Foto: acervo família Pacheco, divulgação

Sócios fiadores do Clube Gaúcho

A primeira sede Gaúcho funcionou de forma provisória até 1950, na esquina das ruas Pinheiro Machado e Moreira César – posteriormente, transferiu-se para o bairro Primeiro de Maio.

A sede atual surgiria no final dos anos 1970, na Rua São José, bairro Pio X. Porém, o dinheiro dos eventos promovidos pelo clube não foi suficiente para viabilizá-la. Nove casais fizeram, então, um empréstimo na Caixa Econômica Estadual e hipotecaram suas casas para ajudar a concluir o espaço.

Eles ficaram conhecidos como os “sócios fiadores”. Vamos a eles: José Francisco e Eulália Medeiros Gama, João e Maria da Glória Andrade Ribas, Agenor da Silva e esposa, Homero José e Ivone Duarte, Raul Branco e Aracy dos Santos Camargo, Florêncio e Regina Rodrigues Machado, Godofredo Jesus e Ondina Pereira da Costa, Otávio Moreira e Maria Rita de Brito, Agenor Matias e Maria Madalena Pacheco.

Os sócios fiadores no final dos anos 1970. Foto: acervo família Pacheco, divulgação

Colaboração

Informações desta coluna são uma colaboração de Cintia Colombo e Marcia Dorigatti.

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