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Otávio Rocha e os primórdios do cooperativismo vinícola

05 de dezembro de 2015 0

O prédio da Cooperativa Agrícola Octavio Rocha recém-construído em 1931. Foto: reprodução do livro Heitor Curra – Um Cidadão Florense, acervo pessoal de Lourdes Curra

O movimento cooperativista no Rio Grande do Sul, liderado pelo advogado italiano Giuseppe Stéfano Partenò, tem sua origem em meados de 1911. Porém, as cooperativas vinícolas surgidas a partir dos ideais de Giuseppe tiveram vida curta – já em 1913 a União das Cooperativas era dissolvida.

A partir de 1929, no entanto, esse formato retorna com força total. É quando surgem a Cooperativa Forqueta/Caxias, em 21 de agosto de 1929; a Cooperativa Vinícola Emboaba/Nova Milano/Farroupilha, em 9 de novembro de 1929; a Cooperativa São Victor/Caxias, em 21 de novembro de 1929; e a Cooperativa Vinícola Otávio Rocha/Nova Trento (atual Flores da Cunha), em 30 de novembro de 1929.

Há 86 anos, batizando-a de Cooperativa Agrícola Octávio Rocha Ltda e aproveitando os exemplos de outras localidades, 29 moradores se motivaram para a criação e elegeram o senhor Bortolo Manosso como o seu primeiro presidente. Fundada em 30 de novembro de 1929, a ccoperativa foi a pioneira na então Nova Trento, graças à abundante produção vinícola da região. Já o prédio foi inaugurado em 20 de novembro de 1931, dois anos após a fundação.

Antes de disporem dessas instalações, vários agricultores faziam o vinho em casa e repassavam à cooperativa para comercializar – dali o vinho era transportado para Caxias por meio de carretas. Além da vinícola propriamente dita, a sociedade dispunha de uma tanoaria, onde eram fabricadas as bordalesas para a exportação dos vinhos.

A primeira marca de vinho da cooperativa, Gerez, deve ter sido inspirada em um tipo de vinho espanhol (detalhe do rótulo ao lado). Havia ainda a marca Redentor, baseada na estátua que encimava a torre de Otávio Rocha – a expressão Redentor foi, portanto, anterior a inauguração do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, em 12 de outubro de 1931.

Clique nas imagens para ampliar.

Os diretores e sócios-fundadores da cooperativa por volta de 1930, quando o prédio ainda estava sendo construído. Foto: Giacomo Geremia, reprodução do livro Heitor Curra – Um Cidadão Florense, de Lourdes Curra

O prédio em 1930

Acima, um registro da construção do prédio da Cooperativa Agrícola Octávio Rocha, por volta de 1930.

Entre os sócios fundadores estão, da esquerda para a direita, na primeira fila, em pé: Frederico Trentin, Joaquim Smiderle, Alberto Smiderle, Maximiliano Galiotto, Ulielmo Ferrari, Florêncio Panizzon, Heitor Bigarella, José Galiotto, Mário Ferrari e Ângelo Molon.

Na segunda fila vemos Heitor Curra (então prefeito de Nova Trento), Jerônimo Zorzin, João Marzarotto, Félix Molon, (não identificado), José Marzarotto, Mateus Slaviero, Félix Nezzelo, Fioravante Galiotto; Sentados (diretoria): João Nezzelo, Atílio Trentin, Domingos Galiotto, João Slaviero, Bôrtolo Manosso (1º presidente), José Dani, Joaquim Molon e Alexandre Molon.

Confraternização: churrasco na vala na cantina da cooperativa em meados dos anos 1930. Foto: acervo pessoal de Lourdes Curra, divulgação

A chegada das primeiras uvas ao prédio da cooperativa. Foto: acervo pessoal de Floriano Molon, divulgação

O comércio

Nos registros de 1932 da prefeitura de Nova Trento, no item de indústria e comércio, há o registro da Cooperativa Otávio Rocha com tanoaria e de João Manosso e Carlos Dani com armazém de secos e molhados, produtos coloniais, calçados, cal, sal, óleo e tudo o que as famílias precisavam.

Esse comércio, em 1939, passou a Carlos Molon e João Nesello.

O estande da Cooperativa Agrícola Octavio Rocha na Festa da Uva de 1933. Foto: acervo pessoal de Lourdes Curra, divulgação

Nova sede

Em 1937, uma séria crise em todo o setor cooperativo levou à opção por reunir cooperativas e instalar uma nova sede em Caxias do Sul. A Cooperativa de Otávio Rocha passou a integrar esse consórcio.

Já em 1958, com aprovação dos associados, os bens foram vendidos para a firma João Slaviero & Cia Ltda. Slaviero tinha experiência na área de vinhos, ao administrar a própria Cooperativa de Otávio Rocha e também a Santo Antônio.

Com o encerramento de atividades da Slaviero, a cooperativa passou a ser propriedade da União Federal e, posteriormente, foi repassada ao município de Flores da Cunha.

Em 2012, houve uma reunificação de cooperativas, com o nome de Nova Aliança. Pela sua história, acabaram incorporadas a São Victor e Otávio Rocha.

Gerez, uma das primeiras marcas de vinho da cooperativa. Foto: acervo pessoal de Lourdes Curra, divulgação

Parceria

Informações desta coluna são uma colaboração de Floriano Molon, pesquisador e autor do livro Cooperativas Vinícolas de Flores da Cunha, editado em 2009.

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