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Izaura Mano Bonho: 95 anos e um Natal em 1944

12 de dezembro de 2015 3
A primeira comunhão de Izaura Mano em 1931. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

A primeira comunhão de Izaura Mano em 1931. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

O aniversário de 95 anos de dona Izaura Mano Bonho neste domingo (13) serve para recordarmos de alguns momentos da trajetória de vida de uma das moradoras mais antigas da Rua Tronca – ainda quando o trecho entre as ruas Marechal Floriano e Garibaldi integrava o popularmente conhecido bairro Lusitano.

Filha dos imigrantes portugueses Guilherme Mano e Quitéria Rodrigues Mano, chegados a Caxias durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1919), dona Izaura nasceu aos 13 dias do mês de dezembro de 1920. Penúltima de uma prole de sete irmãos, Izaura desde cedo precisou auxiliar nas tarefas domésticas, o que acabou impedindo-a de frequentar a escola regularmente.

Mesmo assim, a pequena sempre dava um jeito de “escapar” e assistir às aulas escondida, sem estar matriculada – depoimentos de netos dão conta de que as professoras da época faziam “vista grossa” à permanência da menina na sala, deixando-a entrar e sair, para ser alfabetizada.

Clique nas imagens para ampliar.

A “senhorinha” Izaura Mano atuava com frequência nas apresentações do Grupo de Teatro do Círculo Operário Caxiense. Foto: acervo de família, divulgação

Programa de uma peça musicada dos anos 1930, em que a “senhorinha” Izaura Mano participou juntamente com Diva Tomasi, Leonor Teixeira e Antonieta Lunardi. Foto: acervo de família, divulgação

O trabalho

Na fase adulta, a atuação profissional incluiu passagens pela Cantina Antunes, lavando garrafas, pela Metalúrgica Gazola & Travi e até pelo rádio.

A convite do irmão Antonio Mano, que fazia teatro e radionovelas, Izaura participou de peças teatrais amadoras, como Honrarás Tua Mãe, apresentada pelo Grupo de Teatro de Amadores do Círculo Operário Caxiense, em finais dos anos 1930, no Cine Teatro Guarany (foto acima).

Izaura e Valentim Bonho em meados dos anos 1940, logo após o casamento. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

O casamento

O casamento de Izaura chegou em setembro de 1941, aos 20 anos. Da união com Valentim Bonho nasceram quatro filhos: Neusa Bonho Tronca, Sergio Bonho (in memoriam), Miriam Bonho Casara e Valentim Bonho – Izaura estava grávida deste último quando o marido faleceu, em 1951, de infecção, após complicações decorrentes de uma cirurgia.

Os quatro filhos lhe deram 10 netos e sete bisnetos. Boa parte deles, aliás, deve se reunir neste final de semana para celebrar a matriarca.

Parabéns!

Festa de Natal: as famílias Mano, Bonho e Lourosa em dezembro de 1944. Foto: acervo de família, divulgação

Em família

A família de dona Izaura era completada por outros seis irmãos: Adelino Mano, Antonio Mano, Vicente Mano, Irene Mano, Odila Mano Lourosa e Joaquim Mano, genro do historiador João Spadari Adami.

Os Mano possuíam ainda a Tanoaria São Martinho, que ficava na Rua Tronca, entre as ruas Garibaldi e Marechal Floriano, mais ou menos no lugar onde Izaura reside até hoje.

Na imagem acima vemos a família Mano no Natal de 1944. De pé, da esquerda para a direita, estão Vicente Mano, Antonio Mano (imigrante português), Joaquim Mano, Leonardo Lourosa (imigrante português), Valentim Bonho, Adelino Mano (imigrante português), Arno Mano e Reno Mano.

Ao lado do menino Gil Lourosa, sentadas, estão Zélide Pizzamiglio Mano (Eva), com o filho Guilherme; Izaura Mano Bonho, com a filha Neusa; a matriarca portuguesa Quitéria Rodrigues Mano; Odila Mano Lourosa, com a filha Beatriz; e Aida Pizolatto Mano. Por fim, os meninos Nuno Lourosa, Nilo Domingues Mano e Nelson Mano.

O cãozinho? Ninguém lembra o nome…

A jovem Izaura Mano em finais da década de 1930, eternizada no Studio Geremia. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

Os famosos pastéis

Viúva e com os filhos para sustentar, Izaura teve de esticar o orçamento doméstico atuando em várias frentes a partir dos anos 1950: costurava, recebia pensionistas e fazia viandas.

Mas ficou conhecida mesmo nas redondezas pelos pastéis fritos que fazia sob encomenda – não há morador da Rua Tronca, aliás, que não recorde dos famosos “pastéis da dona Izaura”, obrigatórios em aniversários, casamentos e festas de família.

Vizinha do antigo Grupo Escolar Clemente Pinto, quando este ainda funcionava na esquina da Tronca com a Marechal Floriano, foi lá que ela atuou como auxiliar e servente até se aposentar, em meados da década de 1970.

Em livro

O livro Vapor Drina, escrito por Tadiane Tronca (neta de dona Izaura), foi inspirado na história dos imigrantes portugueses Guilherme Mano e Quitéria Rodrigues Mano e seus filhos.

Comentários (3)

  • Catiuscia Xavier diz: 12 de dezembro de 2015

    SEN-SA-CIO-NAL!
    Feliz aniversário, Dona Isaura!!! ♥

  • Ivan Zeni dos Santos diz: 12 de dezembro de 2015

    fiquei impressionado pela semelhança de Dona Izaura jovem como sua filha Mirian, ambas muito bonitas. Mas essa história do imigrantes portugueses para a nossa região deveria ser mais divulgada. Conheci nos anos 1940/50 o bairro Luzitano onde se instalaram os portugueses. Depois chamou-se a região de bairro Juventus. Agora já é outra denominação. Felicidades e algurios aos Mano Bonho e outros Luzitanos.

  • Aldair diz: 13 de dezembro de 2015

    Eu conheci dona Izaura, Parabéns.

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