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140 anos de imigração italiana: o dia em que Caxias virou pérola

18 de dezembro de 2015 0

A Av. Júlio de Castilhos (ao fundo) e o antigo Hotel Bersani em meados dos anos 1910. Foto: Domingos Mancuso, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Às vésperas da Festa da Uva 2016, recordamos de um slogan que, por muitos anos, acompanhou a divulgação do evento: “venha visitar a Festa da Uva e conhecer Caxias do Sul, a Pérola das Colônias”.

Toda essa história remete ao final do século 19. Em 12 de março de 1897, menos de sete anos depois de Caxias do Sul ter conquistado sua emancipação, a cidade recebia uma de suas mais expressivas visitas. Ninguém menos que o presidente do Estado do Rio Grande do Sul, Júlio de Castilhos.

A distância de cerca de 150 quilômetros entre a Capital e o principal núcleo de imigração italiana, hoje considerada pequena, representava no final do Século 19 um obstáculo ao desenvolvimento, dada a precariedade das estradas. Assim, foi só em 1897, quase no fim de seu período governamental, que Júlio de Castilhos visitou Caxias pela primeira vez. E ficou maravilhado com o desenvolvimento da cidade e da região.

No discurso de saudação aos caxienses, pronunciado no antigo Hotel Bersani, Castilhos cunhou a expressão “Pérola das Colônias” para descrever seu encantamento com a cidade. E antes de despedir-se, fez uma promessa que seria cumprida em 1910: unir Caxias a Porto Alegre por uma linha férrea, feito que revolucionaria e economia e a vida nas colônias italianas. A partir daí, a cidade nunca mais seria a mesma…

Na imagem acima, a Av. Júlio e o lendário Hotel Bersani em meados dos anos 1910, num registro captado por Domingos Mancuso a partir da Rua Dr. Montaury. Na época, a praça ainda era delimitada por muros.

Clique nas imagens para ampliar.

O busto de Júlio de Castilhos, defronte à Catedral Diocesana, ainda protegido por grades. Foto: Giacomo Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O busto de Júlio de Castilhos

Inaugurada no mesmo dia do busto de Dante Alighieri, 15 de novembro de 1914, a escultura que homenageia Júlio de Castilhos está localizada na outra extremidade da praça, próxima à Rua Dr. Montaury.

Em mármore, a estátua foi desenvolvida na Itália pelo escultor Prosperi. O busto é adornado por armas riograndenses talhadas em bronze. Circundando a parte superior da coluna estão ainda duas ramagens, também em bronze, representando o carvalho e o louro, símbolos da força e da glória. À frente a mensagem “A Júlio de Castilhos – A Pérola das Colônias Italianas”.

Detalhes da imagem acima: a coluna do busto protegida por grades e a Catedral Diocesana ainda com as escadarias frontais.

Busto de Dante Alighieri: um ícone da praça desde 1914.

Em 1912: o pioneiro Cinema Juvenil na Av. Júlio, entre as ruas Visconde de Pelotas e Dr. Montaury. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A ‘Piccola Manchester’

Nos primórdios do século 20, havia quem chamasse Caxias, com um certo exagero patriótico, de Piccola Manchester (Pequena Manchester), uma referência à cidade inglesa que representava a própria Revolução Industrial.

Com a chegada do trem, em 1910, esse desenvolvimento deu um salto: em 1920, os habitantes urbanos seriam cerca de 6,5 mil e os rurais, 23 mil.

Acima, outro registro da Av. Júlio de Castilhos, no trecho entre a Visconde de Pelotas e a Dr. Montaury (ao fundo). À esquerda, o lendário Cinema Juvenil, construído no local da casa da família Chittolina e, mais acima, o Hotel Bersani.

A Avenida

O político também nomeia a principal avenida da cidade, a Júlio de Castilhos, inicialmente chamada de Silveira Martins.

Colaboração

Algumas das informações desta coluna são uma colaboração da página Almanaque Gaúcho, do jornal  Zero Hora.

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