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Varejo do Eberle: um clássico do Centro

21 de dezembro de 2015 3

O varejo em 1953: a partir da esquerda os funcionários Lucila, Ivan Nodari, Robert Matana, Silvana Aguzolli e Jandira Therezinha Affonso Michelon. Foto: acervo pessoal de Renan Michelon, divulgação

Às vésperas do Natal é quase obrigatório recordarmos do Varejo do Eberle, um dos principais endereços de quem procurava por lembranças de final de ano nas décadas de 1950, 1960 e 1970. Baixelas, faqueiros, utensílios domésticos, pratarias personalizadas, enfim, todo “presente chique” daqueles tempos costumava ser buscado no térreo do prédio central da metalúrgica, na Rua Sinimbu, 1.670.

O varejo surgiu no pós-guerra, mais especificamente em 1949, e teve como um dos gerentes mais lembrados o senhor Enio Arioli, atuante na empresa entre 1943 e 1988. O local chefiado por ele era destino obrigatório para turistas e caravanas vindas de vários pontos do país e do Exterior, principalmente durante a Festa da Uva – personalidades como o presidente Getúlio Vargas e as misses Martha Rocha e Terezinha Morango circularam por lá.

Martha Rocha e uma visita ao Varejo do Eberle em 1955.

Terezinha Morango, Miss Brasil 1957, conhece a prataria do Eberle.

Ilustres ou não, todos os visitantes eram recepcionados por Arioli e por um grupo treinado para oferecer e demonstrar o que de melhor era produzido pela metalúrgica. Na foto maior acima, por exemplo, vemos a equipe em um registro de outubro de 1953, quando iniciou no Eberle dona Jandira Michelon, uma das atendentes mais longevas e queridas da chamada Casa da Prata.

Da esquerda para a direita vemos os colegas Lucila, Ivan Nodari, Robert Matana, Silvana Aguzolli e Jandira. A imagem foi cedida pelo leitor Renan Michelon, filho de dona Jandira.

Clique nas imagens para ampliar.

Jandira Michelon e os 30 anos de atuação no Varejo do Eberle.

Acrobatas alemães agitam o Centro de Caxias em 1957.

O gerente Enio Arioli mostra as lendárias facas de gaúcho do Eberle para a Miss Brasília Magda Pfrimer (ao centro) e sua mãe, durante a Festa da Uva de 1961. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Os clássicos faqueiros: Enio Arioli mostra para a Miss Brasília Magda Pfrimer e sua mãe as peças que faziam a fama do varejo do Eberle. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O gerente Enio Arioli 

A trajetória de Enio Arioli no Eberle remete a 1943, ano em que ele iniciou como aprendiz no setor de depósito e expedição. Já o cargo de gerente do varejo chegou em setembro de 1952.

Foi quando ele auxiliou a consolidar o espaço, seja por meio da constante capacitação dos funcionários com cursos de vendas ou pelos badalados concursos de vitrines – não havia quem circulasse pelo Centro e não desse uma “passadinha” para conferir as belíssimas vitrines do Eberle.

Entre tantas personalidades, Arioli recepcionou a Miss Brasília Magda Pfrimer, durante sua passagem pela Festa da Uva de 1961. Nas fotos acima, Magda e Arioli conferem as lendárias facas de gaúcho produzidas pela metalúrgica.

Facas de gaúcho: clássicos do varejo do Eberle.

Magda Pfrimer e um aniversário na Festa da Uva de 1961.

O cavalo do varejo: Alexandre Arioli, filho do gerente Enio Arioli, em um registro de 1964. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Um cavalo em 1964

Filho de José Arioli e Fenice Pezzi Arioli, Enio Arioli nasceu em Caxias em 10 de novembro de 1928 e faleceu em 1º de novembro de 1992. De sua união com Ada Therezinha Chiaradia Arioli, em 9 de fevereiro de 1952, nasceram os filhos Alexandre Luiz, Adriana Maria e Vicente José.

Conforme lembra Alexandre, os irmãos foram fotografados em diferentes contextos para compor várias vitrines do varejo, muitas delas premiadas.

Na foto acima, de meados de 1964, Alexandre posa junto a outro clássico lembrado até hoje por antigos clientes: o cavalo empalhado que decorava a loja – com o fechamento do varejo, o animal teria sido levado para o Rincão da Lealdade, mas seu destino permanece uma incógnita.

Orevil Bellini: o desenhista do Eberle.

Varejo do Eberle: presentes que duram uma vida inteira.

Eduardo Bortolucci e Alexandre Arioli em 1964, quando o lendário cavalo empalhado era uma atração do varejo do Eberle. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Atuação

Além do trabalho no Eberle, Enio Arioli foi presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (de 1966 a 1967) e também fundador do Rotary Clube Imigante.

Ele permaneceu como gerente do varejo até setembro de 1974, mas atuou na empresa em diversos outros cargos até 1988.

Parceria

Informações e fotos desta coluna são uma colaboração dos leitores Alexandre Arioli e Renan Michelon e do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

Comentários (3)

  • Miguel Sehbe Filho diz: 7 de janeiro de 2016

    Rodrigo, que trabalho maravilhoso, espetacular, adorei, é ótimo ter alguém que se proponha a registrar a historia preservando, sobremaneira nossa tradição, nosso berço. Obrigado por resgatar lembranças tão queridas. Obrigado e mais 500 vezes OBRIGADO.

  • Américo Ribeiro Mendes Netto diz: 30 de março de 2016

    Parabens Rodrigo por resgatares a bonita história do Varejo Eberle.Quanto ao seu grande inspirador Enio Arioli, foi convidado para estabelecer a primeira filial da Eberle em Porto Alegre. Como era do seu feitio, formou uma equipe de colaboradores de alta competência profissional . O sucesso do Enio foi tão grande que após sua aposentaria ficou morando na capital. Em algumas ocasiões o encontrei de tenis e abrigo fazendo Cooper na Redenção. Sempre alegre e otimista “Mendes, vou continuar a caminhada pois atrás daquela nuvenzinha o céu está limpo,e o dia vai ser lindo .”

  • Maria Helena Muratore diz: 31 de março de 2016

    Parabéns Rodrigo pela qualidade da reportagem ! Voltar no tempo é muito gratificante e nos proporciona momentos de alegrias e saudades .

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