Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Veranópolis eternizada pelas lentes de Elígio Parise

29 de dezembro de 2015 2

Elígio Parise: em seis décadas de atuação, fotógrafo contabilizou mais de 600 mil negativos e diversos equipamentos fotográficos, como a antiga câmera em madeira acima. Foto: reprodução livro Elígio Parise: Vida, Paixão e Arte pela Fotografia 

De um total de 82 anos, 60 foram dedicados a registrar os acontecimentos à sua volta com uma câmera fotográfica. Falamos de seu Elígio Parise (1931-2013), de Veranópolis, nome que eternizou a cidade e a região e que agora também encontra-se eternizado – não apenas pelas milhares de imagens, mas pelo livro Elígio Parise: Vida, Paixão e Arte pela Fotografia, do autor Antônio Frizon.

Lançada oficialmente durante a Feira do Livro da cidade, em outubro, a obra destaca uma trajetória que remete a meados dos anos 1950. Foi quando Parise deu início um rico acervo composto por mais de 650 mil negativos, dentre eles 178 em chapas de vidro, 1,2 mil em diapositivos (slides) e cerca de 13 mil cópias.

Cooperativa Agrícola Alfredo Chavense em 1942.

Acervo com mais de 600 mil negativos e positivos era mantido em caixas devidamente organizadas por temas no porão de casa, em Veranópolis. Foto: reprodução/Agência RBS 

Acervo em caixas 

De forma bastante disciplinada, o fotógrafo arquivava sua produção em caixas identificadas por temas: casamentos, batizados, aniversários, funerais, acidentes, homicídios, festas religiosas, ordenações sacerdotais, etc.

Inicialmente, eram 25. Posteriormente, o material foi reclassificado em outros 50 assuntos, como construção da ponte sobre o Rio das Antas, caminhões, ônibus e carros antigos, acidentes de trânsito, temporais, vendavais e chuvas, Sociedade Alfredo Chavense, trabalho e costumes dos descendentes de imigrantes, pontos turísticos, formaturas, vistas da cidade, conjuntos e bandas musicais e por aí vai.

Dessa leva fazem parte os dois registros abaixo, de cunho religioso: a turma do seminário e as freiras em meio à neve nos anos 1960.

A turma do seminário de Veranópolis em meados dos anos 1960. Foto: Elígio Parise, acervo pessoal, divulgação

As freiras e a neve, por volta de 1965. Foto: Elígio Parise, acervo pessoal, divulgação

Ponte ferroviária TPS sobre o Rio das Antas, em meados dos anos 1960. Foto: Elígio Parise, acervo pessoal de Dolmires Lunardi, divulgação

Exemplo a ser seguido

Depois de um longo processo, em julho de 2013 todos os negativos, slides, cópias e a coleção de câmeras (de madeira, em grande formato, como a da foto ao lado, até outras de 35mm) de seu Elígio Parise acabaram sendo incorporados ao acervo do Museu Municipal por decisão da Câmara de Vereadores.

Uma iniciativa exemplar, que contribuiu para preservar a memória da cidade e de seus cidadãos.

Decisão, aliás, que poderia servir de exemplo para o Município de Caxias do Sul: há meses, a Secretaria da Cultura patina no processo de aquisição de um acervo fotográfico particular tão relevante quanto o de Parise.

Uma pequena fração dos R$ 6,6 milhões devolvidos pela Câmara de Vereadores ao Executivo em 2015, por exemplo, contribuiria – e muito – para que esse importante recorte da história de Caxias não se perdesse.

Que os ventos de 2016 tragam notícias mais animadoras…

Livro sobre Elígio Parise foi escrito por Antônio Frizon e lançado em outubro, na Feira do Livro de Veranópolis. Foto: reprodução/Agência RBS

Legado

Em maio de 2013, na 8ª Semana do Museu, Elígio Parise foi reconhecido como “testemunha e responsável pelo registro da história”, teve exibição o filme Memórias em Sal de Prata, de José Camilo da Silva (Bocca), e até uma peça de teatro do Grupo Tubo de Ensaio, sobre a sua vida.

E, neste ano que termina, foi lançado o livro Elígio Parise – Vida, Paixão e Arte pela Fotografia, de Antônio Frizon. Todas, iniciativas que fazem jus ao seu legado.

Vista aérea da Terceira Seção do Rio das Antas e da Estação São Luiz. Foto: Elígio Parise, acervo pessoal de Dolmires Lunardi, divulgação

Em 1962: vista da ponte Ernesto Dornelles sobre o Rio das Antas e a imensidão do vale. Foto: Elígio Parise, acervo pessoal de Elígio Parise, divulgação

Parceria 

Com informações da coluna Almanaque Gaúcho, do jornal Zero Hora.

Comentários (2)

  • Vitor Hugo Zapani Langaro diz: 1 de janeiro de 2016

    Muito bom. Apenas observo que a Estação que aparece à direita da Ponte Ernesto Dornelles é São Luiz, e não Jaboticaba, que não consta da imagem, pois está ao fundo, atrás do morro.

Envie seu Comentário