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Imigração portuguesa: Tanoaria São Martinho em 1948

30 de dezembro de 2015 1

O aniversário de Antonio Mano, irmão de dona Izaura Mano Bonho, em 1948, na Tanoaria São Martinho. Foto: Ary Cavalcanti, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O falecimento de dona Izaura Mano Bonho na última segunda-feira, aos 95 anos, deixa a Rua Tronca órfã de uma de suas moradoras mais antigas, talvez a mais antiga de todas.

Testemunha da evolução do antigo bairro Lusitano, dona Izaura também teve sua trajetória mesclada à saga dos diversos imigrantes portugueses que se estabeleceram naquele trecho da cidade a partir do fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1919) – e na carona da expansão do setor vinícola na região, responsável por atrair a mão de obra externa.

Foi a época em que os recém-chegados passaram a desenvolver uma atividade tipicamente portuguesa: a tanoaria. Naqueles tempos, Guilherme Mano, pai de dona Izaura, e centenas de outros imigrantes lusos eram os responsáveis pela produção artesanal dos barris e pipas usados para armazenar e transportar a produção de vinícolas próximas, principalmente a Luiz Antunes e a Mosele.

Nos tempos da Cantina Antunes.

Lembranças da Vinícola Mosele.

Além de atuar nessas empresas, ensinando o ofício aos imigrantes italianos, os portugueses mantinham ainda pequenas oficinas e fabriquetas caseiras, nos lotes e fundos dos terrenos, para incrementar o orçamento.

Na foto acima, por exemplo, vemos parte da família de dona Izaura reunida na Tanoaria São Martinho, pertencente à família Mano e localizada no trecho da Rua Tronca entre a Garibaldi e a Marechal Floriano – onde dona Izaura sempre morou, até falecer.

Trata-se da comemoração do aniversário de Antonio Mano, irmão de Izaura, em 1948. Ator de novelas de rádio e comunicador, Mano (na cabeceira da mesa, ao fundo) tinha entre seu círculo de amizades ícones da então recém-inaugurada Rádio Caxias, como Oswaldo de Assis, Eloi Fritz e Jimmy Rodrigues – todos na foto acima, feita pelo também amigo Ary Cavalcanti.

Na imagem estão ainda vizinhos e familiares, como os pequenos Marco Antonio Lourosa, Guilherme Mano (de mesmo nome do avô), Sergio Bonho e Gil Lourosa (sentados à esquerda), Leonardo Lourosa (em pé, à esquerda), Eloi Chies, Osvaldo Rodrigues, Lidia Guimarães, João Spadari Adami, Decio Vianna, dona Izaura (então com 28 anos, em pé, à direita), Belkis Adami Mano (atrás de Izaura), Marilia Vianna, Serenita Adami Giazzon (com a sobrinha Corali Adami Mano no colo) e, sentadas à direita, as meninas Beatriz Lourosa Estivalet e Neusa Bonho Tronca (filha de Izaura).

Clique nas imagens para ampliar.

Izaura Mano Bonho e um Natal em 1944.

Baile no Esporte Clube Juventus na década de 1950.

Programa de uma peça musicada dos anos 1930, em que a “senhorinha” Izaura Mano participou juntamente com Diva Tomasi, Leonor Teixeira e Antonieta Lunardi. Foto: acervo de família, divulgação

A ‘senhorinha’ Izaura

Filha dos imigrantes portugueses Guilherme Mano e Quitéria Rodrigues Mano, dona Izaura nasceu em 13 de dezembro de 1920. A família era completada por outros seis irmãos: Adelino, Antonio, Vicente, Irene, Odila e Joaquim.

Foi a convite do irmão Antonio que Izaura atuou brevemente no rádio, com o Grupo Teatral do Círculo Operário Caxiense. Os folhetos e programas, aliás, costumavam referir-se a ela como “senhorinha” Izaura Mano.

No detalhe acima, o programa de uma peça musicada dos anos 1930, em que a Izaura atuou ao lado de Diva Tomasi, Leonor Teixeira e Antonieta Lunardi, com a professora Suely Bergmann ao piano.

Escola de Belas Artes em 1950.

O tanoeiro Guilherme Mano em ação na década de 1920. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Imagem do tanoeiro português Guilherme Mano integra o Espaço Cultural Antonio Caringi, na cripta do Monumento ao Imigrante. Foto: Jonas Ramos

Uma imagem no Imigrante

A imagem do tanoeiro português Guilherme Mano, pai de dona Izaura, trabalhando na confecção de um barril em meados dos anos 1920 é uma das mais emblemáticas do Espaço Cultural Antonio Caringi, junto à cripta do Monumento ao Imigrante.

É lá que estão também objetos, documentos, fotos e registros de diversos outros povos que ajudaram a moldar Caxias do Sul desde 1875.

O espaço está aberto à visitação pública de terça a domingo, das 9h às 17h, com entrada franca.

Monumento ao Imigrante, um símbolo oficial de Caxias.

Resquícios do passado: Museu Municipal, Casa de Pedra e Monumento ao Imigrante.

Comentários (1)

  • Catiuscia Xavier diz: 30 de dezembro de 2015

    Melhor é impossível!

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