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Capitel de São Roque, uma tradição de Galópolis

11 de janeiro de 2016 2

Os Basso em 1947: a matriarca Amábile Cesa Vial, o casal Luiz e Égide Vial Basso e os filhos Mauro, Mário, Paulo e Carmen. Foto: acervo de família, divulgação

Quem passa apressado pela BR-116 por vezes nem vê, mas os moradores de Galópolis têm nele não apenas um símbolo religioso, mas um companheiro de quase um século. Trata-se do capitel de São Roque, localizado às margens da rodovia, quase na esquina com a Rua Ismael Chaves.

Em meio ao atual momento de ataques a imagens sacras pela região, retomamos uma história que dialoga com devoção religiosa, cuidado e, infelizmente, um episódio também envolvendo depredação. Ele ocorreu em abril de 2001, quando a quase centenária estátua foi retirada do capitel por supostos vândalos e estraçalhada no meio do asfalto durante uma madrugada.

Os pedaços foram vistos nas primeiras horas da manhã do dia seguinte por dona Égide Vial Basso (in memoriam) a poucos metros da estrutura. Com 79 anos em 2001, dona Égide recebera da mãe, Amábile Cesa Vial, a incumbência de preservar e ornamentar com flores e velas o pequeno santuário localizado próximo ao casarão da família.

Após o choque, dona Égide dirigiu-se a BR-116 e recolheu os cacos, que foram guardados em uma caixa e levados ao antigo Atelier Zambelli. Diante da impossibilidade de restaurar a estátua italiana original, de 65 centímetros e cerca de 20 quilos, uma nova foi encomendada.

“Não será a mesma coisa, mas tentamos fazer uma réplica”, resignou-se na época.

Figura amplamente conhecida no bairro, muito pelo lendário armazém de fazendas e secos & molhados Cantinho da Amizade, dona Égide comparou o ocorrido “à perda de um membro da família”.

Na foto maior acima, as três gerações da família Basso responsáveis por cuidar da imagem: a matriarca Amábile Cesa Vial (à esquerda), a filha Égide Vial Basso (com o marido Luiz Basso), e a pequena Carmen Basso Festugatto (à direita, com a boneca), acompanhada dos irmãos Mauro, Mário e Paulo.

O registro foi feito no Natal de 1947.

Abaixo, a repercussão do fato nas páginas do Pioneiro em 2001. Clique nas imagens para ler o texto original da época.

Crime de ódio estaria por trás dos ataques contra imagens sacras na Serra.

Galópolis: um museu a céu aberto.

Dona Égide e os pedaços de São Roque: episódio foi destaque na edição do Pioneiro de maio de 2001. Foto: reprodução

Matéria do Pioneiro destacou o episódio e contou a história do capitel cuidado por dona Égide Basso. Foto: reprodução Pioneiro

Égide Basso, responsável pelo capitel até falecer, e seu lendário armazém de secos & molhados junto ao casarão da família. Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

Dona Carmen Basso Festugatto, filha de Égide Vial Basso, também cuidou do capitel e da imagem de São Roque. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Medalha salvou Renato Galló

O início da devoção a São Roque no bairro remete a Primeira Guerra Mundial (1914-1919), quando Renato Galló, um dos filhos do empreendedor Hércules Galló, atuou em combates na Itália.

Reza a lenda que Renato (foto abaixo) foi atingido por uma bala, mas o projétil teria desviado na medalhinha de São Roque que ele carregava junto ao peito. Após saber dessa história, e de como São Roque teria salvo a vida do filho, Hércules mandou vir da Itália uma imagem do santo em forma de agradecimento.

Posteriormente, a estátua passou a ser cuidada pela senhora Amábile Cesa Vial e pela filha Égide Vial Basso, que instalou-a em uma capelinha construída no jardim de casa – mais ou menos no mesmo local onde o capitel encontra-se até hoje.

Casarão da família Stragliotto, um símbolo de Galópolis.

Galópolis: uma formatura de corte e costura em 1953.

Renato Galló: filho de Hércules Galló teria sido salvo de um tiro pela medalha de São Roque levada no peito. Foto: acervo de família, divulgação

Proteção na BR-116

A São Roque também são atribuídos “milagres” e proteção divina. Conforme dona Carmen Basso Festugatto e o sobrinho Giancarlo Spido Basso, vários episódios às margens da BR-116 tiveram o santo como “protagonista”.

Nos anos 1960, um cami­nhão desgovernado demoliu completa­mente o abrigo, mas milagrosamente a estátua permaneceu intacta. Na década de 1970, um jipe bateu no capitel, destruindo-o quase por inteiro. A imagem novamente sobreviveu.

Em outra colisão, após chocar-se contra a estrutura, um veículo ficou suspenso entre o capitel e a ponte do Arroio Pinhal, prestes a cair. Os ocupantes conseguiram se salvar, sem ferimentos.

São Roque? Nem um arranhão sequer…

Exposição Janelas de Galópolis destaca a arquitetura típica do bairro.

Corretor Giancarlo Spido Basso cuida da imagem, localizada defronte a Imobiliária São Roque e batizada em homenagem ao santo e à devoção da família. Foto: Rodrigo Lopes

Zelo em família

Atualmente, o capitel está sob os cuidados do corretor Giancarlo Spido Basso, cujo escritório, a Imobiliária São Roque (lógico!), fica praticamente “colado” à imagem.

Devoto fiel, Giancarlo dá sequência a uma tradição de zelo religioso que perpassa três gerações dos Basso: a bisavó Amábile, a avó Égide e a tia Carmen.

Entre 1910 e o início dos anos 2000, as três foram as principais guardiãs da estrutura, cuidando também da limpeza e da pintura anual – esta a cargo do amigo Itamar Costa.

Páscoa em Galópolis: os 50 anos da Operação Cruz.

Galópolis: Grupo de Bolão Explosivo em 1945.

Apesar de ter sido destruída por veículos ao longo das décadas e mudado de posição, estrutura permanece até hoje próxima aos terrenos da família Basso, às margens da BR-116. Foto: Rodrigo Lopes

Detalhe em metal traz o nome do santo na fachada. Foto: Rodrigo Lopes

Comentários (2)

  • Andréia Festugatto diz: 11 de janeiro de 2016

    Parabéns !!!!! A reportagem ficou show RODRIGO LOPES

  • Mario Roque Basso diz: 11 de janeiro de 2016

    Excelente reportagem contanto um pouco de nossa história e nossos antepassados. Parabéns ao Sr. Rodrigo Lopes de Oliveira.

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