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Freis Capuchinhos: 120 anos no Rio Grande do Sul

15 de janeiro de 2016 2

Os freis capuchinhos no Convento São Francisco de Assis, em Garibaldi, em 1908. Foto: acervo Província dos Capuchinhos do RS, divulgação

As comemorações dos 120 anos da presença dos freis Capuchinhos no Rio Grande do Sul têm largada neste domingo (17) com uma série de atividades. Em todas as paróquias que possuem párocos e vigários capuchinhos serão realizadas celebrações que retomam a história e a importância da ordem no desenvolvimento das respectivas cidades e regiões.

Toda essa história remete aos primórdios da imigração italiana no Estado. Após tentativas frustradas de trazer missionários para atuar nas antigas colônias, o bispo do Rio Grande do Sul, Dom Cláudio Ponce de Leão, escreveu diretamente ao Papa Leão XIII para solicitar que os imigrantes italianos fossem socorridos espiritual-mente.

Sendo assim, em dezembro de 1895, dois frades franceses da Província de Savoia, frei Bruno de Gillonnay e frei Leão de Montsapey, acompanhados pelo ministro provincial, frei Rafael de La Roche, embarcaram rumo ao sul do Brasil.

Clique nas imagens para ampliar.

A construção do convento e da matriz em Flores da Cunha. Foto: acervo Província dos Capuchinhos do RS, divulgação

A chegada

Na primeira semana de janeiro de 1896, eles chegaram a Porto Alegre, onde foram recebidos por Dom Cláudio e convidados a assumir a igreja de Nossa Senhora das Dores. A opção dos Capuchinhos, no entanto, foi a antiga Colônia Conde D’Eu (Garibaldi), onde eles poderiam implantar um novo projeto missionário junto aos imigrantes.

Após viajar de barco até Montenegro e completar o caminho de carroça, os freis chegaram à sede da colônia em 18 de janeiro de 1896, data que marca a fundação da Missão dos Capuchinhos no Rio Grande do Sul.

Depois de visitar algumas comunidades do interior da colônia, Frei Rafael voltou a Porto Alegre e acertou com o bispo as condições da fundação canônica da missão. Já ao frei Bruno coube alicerçar a atuação capuchinha no Estadol em cinco direções: missões populares, pastoral paroquial, escolas vocacionais, ensino para os filhos dos imigrantes e imprensa.

Com informações do portal dos Capuchinhos.

A casa que é símbolo da presença dos capuchinhos no Rio Grande do Sul desde 1896.Foto: acervo Província dos Capuchinhos do RS, divulgação

Os freis no antigo Seminário Seráfico da Colônia Alfredo Chaves, atual município de Veranópolis. Foto: acervo Província dos Capuchinhos do RS, divulgação

A criação da província

A Segunda Guerra, iniciada em 1939, afastava o sonho de uma província em solo brasileiro. Porém, em 24 de julho de 1942, apesar de o mundo permanecer envolvido nos conflitos, foi decretada a criação da Província do RS.

Ela é considerada a primeira do hemisfério Sul e da América Latina e, hoje, está entre as cinco maiores do mundo, com 246 membros, sendo 180 freis no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Os freis capuchinhos Bortolomeu, Feliciano, Modesto, Exuperio e Benjamim (em pé). Sentados estão frei Felix, Leão, Rafael, Eugênio e Bernardino. Foto: acervo Província dos Capuchinhos do RS, divulgação

Algumas datas

* Em agosto de 1902, a Missão Rio Grande do Sul foi elevada a Comissariado Provincial, sendo nomeado frei Bruno para o cargo de comissário até 1910.

* Frei Bruno não limitou a atuação somente entre os imigrantes italianos e decidiu estender sua ação até os campos de Vacaria, povoados por luso-brasileiros. Em 1903, confiou aos Capuchinhos a região de Vacaria e Lagoa Vermelha. No mesmo ano, também Nova Trento (Flores da Cunha) passou a contar com o trabalho pastoral dos capuchinhos, sendo que um ano antes, eles já haviam assumido a Colônia Alfredo Chaves (Veranópolis).

O jornal Il Colono Italiano, que circulou no início dos anos 1910. Foto: reprodução Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, divulgação

A atuação na imprensa

Entre 1911 e 1924, o Comissariado Provincial assumiu o semanário La Staffetta Riograndense. Fundado, em 1909, em Caxias, ele era publicado em língua italiana com o nome de La Libertà. Com pouco tempo de vida e ameaçado de fechar, o semanário foi adquirido pelo pároco de Garibaldi, para onde transferiu a tipografia e a redação, trocando o nome para Il Colono Italiano.

Já em 1917, frei Bruno de Gillonnay adquiriu a tipografia e redação, dando-lhe novo título de La Stafetta Riograndense. Em 1941, com a proibição dos jornais em língua estrangeira, o semanário começou a ser publicado em português, com o nome de Correio Riograndense.

O jornal La Libertà, editado pelos freis capuchinhos em Caxias. Foto: reprodução Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, divulgação

O La Staffetta Riograndense circulou com este nome até a Segunda Guerra Mundial, quando passou a se chamar Correio Riograndense. Foto: reprodução Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, divulgação

Frei gaúcho em processo de beatificação

Natural do pequeno município de Casca, o frei Salvador Pinzetta está em processo de beatificação em Roma. A atual etapa romana consiste na aprovação do Relatório do Inquérito Diocesano.

O documento está nas mãos do relator, frei Vincenzo Criscuolo, desde 5 de dezembro de 2014 – em outubro, Dom Ângelo Salvador, postulador da causa, também esteve em Roma para proceder algumas emendas no material.

Depois de assinado pelo relator, o documento será impresso e entregue a cada membro da Congregação das Causas dos Santos. Sendo aprovado o relatório, o Servo de Deus, frei Salvador, será proclamado pelo Papa Francisco como Venerável.

A partir de então, o processo retornará a Diocese de Caxias, para que se realize um novo Inquérito Diocesano, a fim de comprovar um milagre, necessário para a sua beatificação.

Frei Salvador nasceu em Casca em 1911 e faleceu em 1972. Foto: acervo Província dos Capuchinhos do RS, divulgação

Frei Salvador nasceu em Casca em 1911 e faleceu em 1972. Foto: acervo Província dos Capuchinhos do RS, divulgação

A trajetória de Pinzetta

Hermínio Pinzetta nasceu em 29 de julho de 1911. Fiho de pais agricultores, ele teve outros 12 irmãos e, desde criança, foi um cristão exemplar: rezava, participava das missas todos os domingos e trabalhava na roça.

Aos 32 anos, o pároco da sua comunidade, por avaliar que o rapaz tinha vocação religiosa, sugeriu que ele entrasse para o Seminário dos Freis Capuchinhos, em Marau.

Pinzetta também teve passagens breves por Flores da Cunha e Garibaldi, retornando – já como Leigo Professor da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos – para o Convento de Flores da Cunha, em 1948, onde permaneceu até o fim da vida.

Ele faleceu em 31 de maio de 1972.

No dia 26 de maio será realizada a 28º Romaria Frei Salvador, em Flores da Cunha.

Fonte: www.capuchinhosrs.org.br

Comentários (2)

  • Silvino Bisinella diz: 16 de janeiro de 2016

    Divina esta reportagem..parabéns..A espiritualidade é nossa principal missão..
    Tive a rara oportunidade de fazer parte de 1962 à 1968 em Vila Flores e Veranópolis(RS)
    como seminarista e vivi verdadeiramente nossa fé cristã e trago até hoje ótimos exemplos de verdadeiras amizadas e correta formação humana.

    Flores da Cunha(RS)

  • Luiz carlos alves dos santos diz: 18 de janeiro de 2016

    As imagens me refletem minha infância com minha falecida mãe adotiva onde morávamos na rua major josé batista, bairro rio branco, bem atrás da igreja imaculada conceição, igreja dos capuchinhos; o qual por alguns anos , foi ela à preciosa cozinheira do salão dos capuchinhos, onde eu me divertia bastante, colocando de volta as garrafas de pau para o andamento dos torneios do jogo de bolão!!!.

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