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Gervis Damian: 90 anos, muitas histórias

15 de janeiro de 2016 6

Em 1938: Gervis Damian (à direita, de calças curtas), os pais João e Dozolina (sentados) e os sete irmãos. Foto: acervo de família, divulgação

Ele chegou a Caxias em 15 de janeiro de 1950, no dia do aniversário. Na manhã seguinte, começou a trabalhar na antiga Industrial Madeireira, onde por anos acompanhou de perto a saída de centenas de caminhões de madeira que auxiliariam na reconstrução da Europa do pós-guerra. E até hoje descreve, com riqueza de detalhes, o processo de fabricação dos móveis da empresa, cujas portas onduladas fizeram história no design da Serra e nos lares de centenas de famílias.

Falamos de seu Gervis Damian, que nesta sexta (15) celebra 90 anos. A comemoração será em família, ao redor da esposa, Julia, dos cinco filhos – Vera Lucia, Vera Mari, João Luis, Marcia e Nilva -, dos quatro netos e dos cinco bisnetos.

Clique nas imagens para ampliar.

Humberto Storchi: 90 anos e uma vida atrelada ao Eberle.

Augusto Sartori: um século de histórias.

Izaura Mano Bonho: 95 anos e um Natal em 1944.

Julia Argenta Damian e Gervis Damian logo após o casamento, realizado em 1957. Foto: acervo de família, divulgação

O início

Toda essa história remete a 1926, quando nascia em Rio do Cedro, sul de Santa Catarina, o quinto de uma prole de oito irmãos, três homens e cinco mulheres. Filho homem mais novo do casal João Damian e Dozolina Vetorazzi Damian, seu Gervis nunca soube informar de onde a mãe tirou um nome tão diferente, mas lembra que, quando tinha 14 anos, uma grande seca se abateu sobre a região de Rio do Cedro.

A solução para as famílias era buscar algum recurso fora. Com o irmão mais velho, Gervis partiu para Criciúma, a fim de trabalhar nas minas de carvão. Pouco tempo depois, ambos voltaram para ajudar na colheita das terras da família. Foi quando seu Gervis arranjou um novo emprego como marceneiro, aos 16 anos.

Graças a esse aprendizado, recebeu um convite para trabalhar numa fábrica de móveis de Canela, onde chegou com apenas 21 anos, em 1947. Na praça da cidade serrana, ele conheceu a jovem Julia, que tinha ido com um grupo de amigas caxienses passar um final de semana na Região das Hortênsias.

Conversaram e só voltaram a se encontrar durante um passeio de roda gigante na Festa da Uva de 1950. E, logicamente, toda essa história deu em casamento. A união veio sete anos depois, em 1957.

Em 2017, portanto, teremos mais uma comemoração: as bodas de diamante de seu Gervis e dona Julia, juntos há 60 anos.

Nostalgia do verão: os irmãos Damian nos anos 1970.

Ensaio: Gervis Damian (com o violão) e amigos em meados dos anos 1940. Foto: acervo de família, divulgação

Um registro na Praça Dante Alighieri, no início dos anos 1950. Foto: acervo de família, divulgação

Footing dominical: Gervis Damian e um amigo durante um passeio pela Av. Júlio de Castilhos, defronte à Praça Dante. Foto: acervo de família, divulgação

Gervis e sua moto alemã na Av. Rio Branco em meados dos anos 1950. Quando ele chegou à cidade, em 1950, hospedou-se no antigo hotel da família Casara, na esquina da Av. Rio Branco com a Olavo Bilac (o casarão ao fundo). Foto: acervo de família, divulgação

Moto alemã

Nos anos 1950, seu Gervis acompanhou a rotina e os programas obrigatórios da população na área central, como os passeios de final de semana no entorno da Praça Dante Alighieri – o famoso footing.

Por volta dessa época, ele adquiriu também uma moto NSU alemã, 250 cilindradas, integrando-se ao grupo de motociclistas locais (foto acima).

Amantes da velocidade: motociclismo caxiense nos anos 1950.

Anos 1950: flertes dominicais nos arredores da Praça Dante.

Jardins da Praça Dante Alighieri nos anos 1950.

O emrpesário Gervis Damian (o quarto a partir da esquerda) durante uma mostra de sua empresa de móveis na Festa da Uva. Foto: acervo de família, divulgação

Marcenaria em 1954

Em 1954, seu Gervis montou uma pequena marcenaria, produzindo móveis sob encomenda _ ele mesmo projetou e construiu a casa em que foi morar com a esposa, Julia, e onde nasceu a primeira filha, Vera Lúcia.

A qualidade do trabalho logo chamou a atenção de investidores, que o convidaram para fundar uma fábrica de móveis maior e mais moderna. Surgia aí a Marcenaria Andrade Neves, com loja própria e localizada na rua homônima.

Consolidada entre clientes e amigos, nos anos 1970 a empresa cresceu, mudou de nome para Móveis Man e passou a vender para todo o Brasil.

Já em 1983 saiu da fábrica e fundou, com outro sócio, uma nova empresa, a Móveis Mirage, que também atendia a todo o Brasil.

Hotel Avenida: um clássico da Av. Rio Branco.

A filha Vera Lúcia. Foto: Gervis Damian, acervo de família, divulgação

Fotografar crianças, uma das paixões de seu Gervis Damian. À direita, a filha Vera Lúcia. Foto: acervo de família, divulgação

Nostalgia da infância: quatro dos filhos de Gervis Damian e amigos no final dos anos 1960. Foto: acervo de família, divulgação

Números “de cabeça”

Quando completou 70 anos, Gervis decidiu parar de trabalhar, mas a decisão não durou mais do que 15 dias. Acabou criando uma nova empresa para representação de materiais de construção.

Como bom capricorniano, está até hoje envolvido com trabalho. Inclusive, surpreende a todos pela memória excepcional, guardando todos os números de telefone dos clientes “de cabeça” e contando, em detalhes, muitas das histórias da cidade que adotou para si.

- A vida é muito boa, mas é curta – resume o entusiasta, que nos finais de semana, “pra descansar na chácara”, retoma o passado pegando na enxada para plantar abóboras, feijão, tomates, milho, alface, radicci…

Vida ao natural: até hoje seu Gervis não deixa de lado uma boa “lida” na terra. Foto: acervo de família, divulgação

Julio e Gervis: casal vai comemorar 60 anos de casados em 2017. Foto: acervo de família, divulgação

Parceria até na hora de manter a forma. Foto: acervo de família, divulgação

Comentários (6)

  • MARISE IRENA FINN CRISPIM diz: 15 de janeiro de 2016

    SENSACONAL ESTE DOCUMENTÁRIO SOBRE AVIDA DO SR.GERVIS DAMIAN…O SR.GERVIS DAMIANERA MUITO AMIGO DE MEU PAI LEDUVINO HENRIQUE FINN,O SR.GERVIS FOI HÓSPEDE E AMIGO DE MEU PAI……..O SR GERVIS UM GRANDE SER HUMANO!
    LOGO QUE SE ESTABELECEU EM CAXIAS DO SUL, FOI HÓSPEDE DE MEU PAI, QUE NA ÉPOCA TINHA RESTAURANTE E CHURRASCARIA EM CAXIAS DO SUL PRÓXIMOÁ ANTIGA RODOVÍARIA E PRAÇA DA BANDEIRA!

    NOSSAS HOMENAGENSDE PAZ, SAÚDE E AMOR AO SR.GERVIS!
    QUE DEUS LHE ABENÇOE!
    MARISE FINN

  • Luiz Carlos Theil diz: 15 de janeiro de 2016

    Sim, tive o prazer de conhece-lo e conviver com ele
    Nos tempos idos, trocarmos muitas ideias, negócios, e viagens.
    Talvez o amigo não lembra de mim.
    Bela pessoa, bom companheiro, é com muita alegria que o vejo neste dia e data.
    Um grande abraço, parabéns muita saúde.

  • Vera Mari Damian diz: 15 de janeiro de 2016

    A família agradece os comentários generosos aqui expressados. Meu pai já saiu contando histórias sobre o tempo que morou de pensão na casa do Sr. Finn, que tinha 6 filhas. Mandou abraços e disse que gostaria muito de encontrar os parentes dele. O Sr. Luis Theil não lembrou pelo nome, mas certamente vai lembrar se se encontrarem. E virão muitas histórias também.

  • Silvano Antônio Castilhos e Família diz: 15 de janeiro de 2016

    Parabéns Sr. Gervis Damian e esposa por este documentário desejamos saúde paz

  • DOMINGOS CONRADO ZANOL diz: 16 de janeiro de 2016

    Saudades da Familia Damian!!!!!Bello Documentario Abraços do velho Mundo!!!!

  • José Lemos Leite da Silva diz: 17 de janeiro de 2016

    Foi com grande emoção que li essa reportagem sobre seu Gervi como aprendi a chama-lo na minha infância ,meu pai foi funcionário dele na serraria la no júa .fiquei feliz de saber q ele e dna Julia estão bem,q deus os ilumine sempre ,se por ventura o sr ler esse comentário meu pai se chamava Zezé e minha mãe Vaslinda .desejo ao sr e dna julia muita luz,e saúde .

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