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Para recordar do Cine Operário, em Galópolis

21 de janeiro de 2016 1

Em 2014: projeto atraiu dezenas de moradores do bairro à praça central, próxima ao antigo cinema do bairro. Foto: Varsóvia Educação e Cultura, divulgação

A chegada do projeto Cinema de Verão à praça de Galópolis, nesta quinta (21) à noite, promete uma viagem no tempo. A exibição ao ar livre do clássico Nadando em Dinheiro (1952), de Mazzaropi, deve remeter o público aos anos em que não era preciso deslocar-se até o centro de Caxias para conferir as “fitas” de mocinho e vilão, faroestes, dramas, comédias e épicos bíblicos que marcaram as décadas de 1930 a 1970. Sim, naquela época Galópolis tinha “o seu próprio cinema”.

Toda essa história teve início na segunda metade dos anos 1920, quando o jovem Victório Diligenti (1895-1969), então chefe da expedição do Lanifício São Pedro, começou a exibir filmes mudos esporadicamente – animadas por uma pianola, as sessões costumavam ocorrer em uma sala cedida pelo Círculo Operário. Isso até ficar pronto, em 1929, o prédio próprio para as sessões, na Rua Ismael Chaves.

Proprietário do terreno, Victório (já casado com Rosina Massignani Diligenti) instalou o cinema em uma construção de dois andares, inicialmente em madeira. A estrutura era dotada de camarotes nas laterais, cadeiras de palha na plateia, assoalho plano, sanitários, bilheteria e cabine com abertura para a rua – adequada às normas de segurança, no caso de incêndio com os rolos de filmes.

Surgia, assim, o Cine Operário Galópolis, o primeiro cinema do interior de Caxias do Sul, cuja programação era abastecida pela mesma distribuidora que atendia ao Central e ao Guarany.

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Capitel de São Roque: uma tradição de Galópolis.

Exposição Janelas de Galópolis destaca a arquitetura típica do bairro.

Galópolis: um museu a céu aberto.

Victório Diligenti, o  precursor e fundador do Cine Operário de Galópolis, em 1929. Foto: acervo de família, divulgação

Victório Diligenti, o precursor e fundador do Cine Operário de Galópolis, por volta de 1920. Foto: acervo de família, divulgação

Cinema fundado por Victório Diligenti em 1929 surgiu como uma construção de madeira, recebendo paredes de alvenaria na década de 1940. Foto: Roni Rigon, banco de dados

Memórias de família

Conforme relatos de dona Lourdes Diligenti Comerlato, 80 anos, filha caçula de Victório, os filmes eram transportados pelo senhor Júlio Canutto, que dispunha de um ônibus de linha entre o centro e o então distrito de Galópolis.

Já as sessões ocorriam aos sábados e domingos, com a terça-feira reservada às damas – que não pagavam ingresso. Tal privilégio era estendido aos familiares de funcionários, como os operadores Eugênio Belló e Plácido Nissola.

Galópolis antiga: no escurinho do cinema.

Primórdios do Cine Teatro Guarany.

Antigo Cine Central: uma reforma a caminho.

Lourdes Diligente Comerlato, filha do fundador Victorio Diligenti, mantém vasto material sobre a trajetória do cinema de Galópolis. Foto: Rodrigo Lopes

Cinema foi administrado por Victorio Diligenti até 1965. Foto: Roni Rigon

Uma casa de espetáculos

A estrutura em madeira seguiu até meados dos anos 1940, quando o prédio foi “revestido” de alvenaria – obra que foi tocada sem a interrupção das sessões. Ao mesmo tempo em que os camarotes foram subtraídos, surgiram as poltronas de madeira, o mezanino, um novo palco e os desníveis no assoalho, próprios para que o Cine Operário Galópolis agora se transformasse em uma casa de espetáculos.

Era o início de uma era marcada pelas apresentações do grupo de teatro dirigido pelo padre Olívio Bertuol e pelos bailes de encerramento da Festa da São Pedro (padroeiro de Galópolis), além de corais, exposições, mostras escolares, palestras, fomaturas e concertos.

Victório Diligenti permaneceu como proprietário do imóvel até 1965, quando o prédio foi adquirido pela Mitra Diocesana. O fundador da sala faleceu apenas quatro anos depois, em 1969 – exatos 40 anos depois de ter iniciado os moradores de Galópolis num mundo de sonho e fantasia em meio ao escurinho do cinema…

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Casarão da família Stragliotto, um símbolo de Galópolis.

Galópolis: trajetória das famílias Sbabo e Balzaretti.

Montagem teatral “O Homem”, com o grupo liderado pelo padre Olivio Bertuol, foi apresentada durante a inauguração do novo palco do cinema, em agosto de 1947. À direita, Lourdes (de tranças) e Elzio Diligenti (atrás de Lourdes), filhos do fundador. Foto: Sisto Muner, acervo exposição 120 Anos de Galópolis, divulgação

Um novo palco em 1947

Na foto acima, a peça que marcou a inauguração do novo palco do Cine Teatro Operário, em 9 de agosto de 1947. O texto “O Homem”, do dramaturgo austríaco Hugo Von Hoffmannsthal, foi encenado pelos integrantes do Departamento Artístico do Círculo Operário Ismael Chaves Barcellos, atrelado ao Lanifício São Pedro.

Eram eles: Honorino Sandi (o protagonista), Argemiro Rigon (a Morte), Clementina Sandi, Maria Terribile, Vilma Stragliotto, Vilson Goulart (o Diabo), Atilio Toniolli, Nilo Forner, Aurora Pegoraro, Dionisio Sandi, Norma Valduga Forner, Elzira Filippi, Raimundo Pegoraro, Lourdes Diligenti, Elzio Diligenti, Sergio Braga, Ivo Vignochi, Maria Scola e Armando Filippi, todos sob a coordenação do padre Olívio Bertuol.

Teatro no Cine Operário de Galópolis em 1947.

O programa original, guardado até hoje pela senhora Lourdes Diligenti Comerlato (a menina de tranças da foto acima, à direita), detalhava o que o público iria assistir: “a emocionante situação do homem, que, em meio ao luxo e às festanças, recebe o aviso de que dentro de uma hora deverá comparecer ante o Eterno Tribunal”.

Além da peça em si, a noite reservava poesias com Eulina Terribile; canto com Vera Maria Vial; uma seção de piadas e a comédia Uma Visita de Cerimônia.

Galópolis ganha uma nova igreja em 1947.

Família Rigon e os povoadores da Colônia Caxias.

Galópolis: Grupo de Bolão Explosivo em 1945.

Preciosidade: programa de inauguração do novo palco é mantido até hoje por dona Lourdes Diligenti Comerlato. Foto: acervo de família, divulgação

Comentários (1)

  • José Luiz Canale diz: 12 de junho de 2016

    Emocionante para mim a história do cinema. Frequentei-o, acompanhando meu avô Giuseppe Canale na década de 50. Havia um alto-falante no prédio que transmitia músicas uns 15/20 minutos antes da sessão iniciar. A Sra. Lourdes é irmã de minha falecida tia Teodolinda, esposa de meu finado tio Luiz Canale, irmão do meu pai falecido pai Euclides Mario Canale. A Sra. Lourdes casou-se com um Comerlato, parente de minha avó Ignes Comerlato. Bons tempos! Parabéns Rodrigo!

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