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Guido D' Andrea: homenagem na Festa da Uva de 1961

25 de janeiro de 2016 1

Bertilo Wiltgen, Janio Quadros e Leonel Brizola conferem a homenagem a Guido D’Andrea no antigo Pavilhão de Exposições, na Rua Alfredo Chaves. Mais ao fundo, o filho Auro D’Andrea (de bigode, à esquerda) e o neto Guido (de mesmo nome do avô, ao centro). Foto: Aldemor, acervo de família, divulgação

A Festa da Uva de 1961 homenageou importantes vitivinicultores da região em uma galeria disposta no antigo Parque de Exposições, da Rua Alfredo Chaves. Um deles foi o enólogo italiano Guido D’ Andrea (1888-1956), um dos precursores do cultivo de uvas finas na Serra Gaúcha.

O espaço foi oficialmente apresentado ao então presidente da República, Jânio Quadros, e ao governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola. Os dois foram acompanhados pelo presidente daquela edição, o empresário Bertilo Wiltgen, pelo filho Auro D’Andrea (o senhor de bigode na foto acima) e o neto Guido (que recebeu o mesmo nome do avô).

Nascido em 2 de janeiro de 1888 na comunidade de San Giorgio della Richinvelda, Província de Pordenone, na Itália, Guido D’ Andrea era filho do casal Luigi D´Andrea e Corina Mazzoni D´Andrea. O amor pelas videiras motivou o jovem italiano a buscar especialização na área. Logo, ele formou-se enólogo pela Escola de Enologia de Conegliano, na Província de Treviso.

Segundo relatos de Virginia D’ Andrea Marcon, neta do enólogo, a oportunidade de Guido vir ao Brasil ocorreu em meados de 1913, por meio de um convite feito pelo governo do Rio Grande do Sul. A intenção era que, com a vinda dele, houvesse mais informações sobre o cultivo de uvas finas no Estado.

Em solo brasileiro, Guido logo se propôs a inovar. Em 1914, fundou em Caxias a Cantina de Vinhos Finos e Espumantes Guido D’Andréa. Já em meados de 1929, o italiano contribuiu para a formação da Sociedade Vinícola Rio Grandense, onde atuou como diretor técnico. Como a intenção era produzir vinhos finos, a Rio Grandense precisava de uvas viníferas para dar suporte à produção.

A partir dessa necessidade, por volta de 1931, surgia a Granja União, localizada em Flores da Cunha e também fundada com a participação de Guido. A Granja abrigava parreiras importadas da Europa, que produziram uvas finas dos tipos Merlot, Cabernet Sauvignon e Riesling.

Clique nas imagens para ampliar.

Guido D’Andrea Neto: fotos de infância na Praça Dante Alighieri.

Tempo de vindima: a trajetória de João Slaviero.

Galeria que homenageou antigos vitivinicultores e enólogos foi uma das atrações da Festa da Uva de 1961. Foto: Aldemor, acervo de família, divulgação

Congresso de Enologia em 1950 

Segundo registros do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, Guido D’Andrea foi presidente da comissão executiva, conferencista e co-autor dos anais do 5º Congresso Brasileiro de Viticultura e Enologia.

O evento foi realizado no salão de conferências do Círculo Operário Caxiense, em março de 1950. Também participaram empresários como Carlos Dreher, Massimo Nandi, Danilo Callegari, Arthur Rech e Eduardo Mosele, entre outros.

Texto em italiano publicado no livro “Cinquantenario Della Colonizzazione Italiana nel Rio Grande del Sud – Volume II” destaca o trabalho e a empresa de Guido D’Andrea. Foto: reprodução acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A família

Quando chegou ao Brasil, aos 25 anos, Guido já era casado com Elisabeta Anzolin D´Andrea. Da união do casal, vieram quatro herdeiros: Lino, Marcela, Enio e Auro.

Após a morte de Elisabeta, em 1940, Guido casou-se com Maria Frigeri, com quem teve mais duas filhas, Anita Lucia e Inés Ida.

A morte repercutida na imprensa. Foto: reprodução acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Morte em 1956

O falecimento de Guido D’ Andrea, aos 68 anos, em dezembro de 1956, teve destaque em jornais de Caxias do Sul e Porto Alegre. O Pioneiro de 16 de dezembro de 1956 assinalava a importante trajetória de Guido na vitivinicultura do Rio Grande do Sul. A nota de falecimento destacava: “Perdeu o Estado um dos seus mais destacados enólogos”.

O jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre, também mencionou a morte. Em um dos trechos Guido é citado como “tradicional figura caxiense, tendo-se destacado nos trabalhos das vinícolas”.

Foto: reprodução acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Pioneiro de 1956 destacou o falecimento do enólogo. Foto: reprodução acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Colaboração

Parte das informações e reproduções de jornal desta coluna são uma colaboração do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami e de Alana Fernandes.

Comitiva presidencial vistou também o estande da Vinícola Mosele e foi recebida pela senhora Alice Lomann Mosele (segunda à direita). Foto: Aldemor, acervo de família, divulgação

Há 55 anos

A Festa da Uva de 1961 ocorreu entre os dias 25 de fevereiro e 19 de março. O evento foi divulgado em nível nacional pela rainha Helena Robinson e pelas princesas Tânia Geremia, Jussara Queiroz, Enrica Paschero e Maria Helena Triches Minghelli.

A abertura oficial, dia 25 de fevereiro, contou com a presença do presidente Jânio Quadros e do governador Leonel Brizola. Além de cortar a faixa inaugural, Jânio e Brizola circularam por diversos estandes de expositores, juntamente com o presidente da festa Bertilo Wiltgen.

Uma das paradas ocorreu no estande da Vinícola Mosele. No local, Jânio e a esposa Eloá Quadros, além de Brizola e Victorio Trez (na foto acima), foram recepcionados pela proprietária, Alice Lomann Mosele, e pelas meninas que desfilaram no carro alegórico da vinícola.

Vinhos Raposa: um clássico da Mosele.

Corrida de carreteras na Festa da Uva de 1961.

Miss Brasília: um aniversário na Festa da Uva de 1961.

Homenagens

Em Caxias do Sul, Guido nomeia a Escola Municipal de Ensino Fundamental Dr. Guido D’ Andrea, no distrito de Fazenda Souza.

Uma das ruas do bairro Marechal Floriano também homenageia o enólogo italiano.

A coroação de Helena Robinson por Zila Turra em 1960. Foto: Studio Geremia, divulgação

Lembrança da Festa da Uva de 1961 e da rainha Helena Roninson, oferecida pela Óptica Caxiense. Foto: Óptica Caxiense, divulgação

Comentários (1)

  • Catiuscia Xavier diz: 26 de janeiro de 2016

    Show, Rodrigo!
    O Sr. Guido merece esta homenagem!

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