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In vino veritas: o vinho em provérbios

29 de janeiro de 2016 0

Severino De Bastiani e amigos brindam em uma típica festa de colônia, em meados da década de 1940. Foto: acervo família De Bastiani, divulgação

Às vésperas da Festa da Uva 2016, retornamos às vésperas da edição de 30 anos atrás. Em 1º de fevereiro de 1986, a antiga coluna Memória recordava dos ditados e provérbios em dialeto que enalteciam o vinho produzido na região.

Os textos, então publicados semanalmente no Pioneiro, eram escritos pela equipe do Museu e Arquivo Histórico Municipal. Na matéria, intitulada In Vino Veritas, a equipe relembrava da trajetória do padre Alberto Lamonato (1918-1997, foto), que, a partir da década de 1940, não só produziu como reuniu dezenas de provérbios sobre o vinho, escritos por ele mesmo.

Para ilustrar tudo isso, trazemos algumas imagens em que o protagonismo não recai sobre as pessoas, mas sobre a bebida. Na foto maior acima, o jovem Severino De Bastiani (na fila do meio, o segundo à esquerda) e um grupo de amigos durante uma animada festa de colônia regada a vinho nos anos 1940. Os descendentes, inclusive, promovem neste domingo (31) o 5º Encontro da Família De Bastiani, em Tapejara, na região noroeste do Estado.

Abaixo, um empolgado figurante do corso alegórico da Festa da Uva de 1950, durante a passagem pela Av. Júlio de Castilhos. Por fim, o registro de um batizado na família Pieruccini, em meados dos anos 1910. Regado a que? Vinho…

Tim-tim.

Clique nas imagens para ampliar.

Otávio Rocha: o Museu Padre Alberto Lamonato.

Figurante exibe a farta produção vinícola da região durante o desfile da Festa da Uva de 1950. Foto: Studio Geremia, acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação

Família Pieruccini: cerimônia de batizado teve vinho como bebida, em meados dos anos 1910. Foto: Giacomo Geremia, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Pioneiro de fevereiro de 1986 recordou dos provérbios elaborados pelo padre Alberto Lamonato. Foto: reprodução jornal Pioneiro, acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul

Dito e feito

A seguir alguns dos provérbios reproduzidos da matéria original, publicada pelo Pioneiro em  1º de fevereiro de 1986 (foto acima).

“Se vuoi vedere una famiglia contenta, dagli vino, salame e polenta” (Se queres ver uma família contente, dá-lhe vinho, salame e polenta)

“Il latte acidisse: I’acqua rudinisse: chí mangia ua, vive: chí beve vin, no more mai” (O leite azeda; a água enferruja; quem come uva, vive; quem bebe vinho, não morre nunca)

“Miserere: zê méio bêver vin che portar piére” (Caramba: é melhor beber vinho do que carregar pedras)

“L’acqua smarsise il páli, el vin fá cantar” (A água apodrece os postes, o vinho faz cantar)

“Bêvi el vin e dassa l’acqua al suo destin” (Bebe o vinho, e deixa a água seguir seu destino – ou deixe as coisas correrem)

“El vin de caza no embriaga” (O vinho feito em casa não embriaga)

“Amicíssia fata del vino, dura da sera al matino” ( Amizade feita na bebedeira dura pouco – ou dura da noite até a amanhã)

“Val depi un biciêr de vin in boca mia, che cento medicine in farmássia” (Vale mais um copo de vinho na boca do que mil remédios na farmácia)

“Chi gá inventa el vin, se no lé un paradizo el zê vicin” (Quem inventou o vinho, se não está no paraíso, está pertinho)

“Ai due primi biciêri lé el omo che beve el vin; al terso e al quarto, lé el vin che beve el vin; ai áltri biciêri lé el vin che beve el omo” (Os dois primeiros copos o homem toma; o terceiro e o quarto, o vinho toma o vinho; os outros copos o vinho bebe o homem)

“Frá i biciêri, tázíno i afári” (Entre os copos de bebida, vão-se as preocupações)

“Oio, vin e amíci: meio i antíchi” (Azeite, vinho e amigos: melhor os antigos)

“Se manca el vin, manca tuto” (Se falta o vinho, falta tudo)

“Bêvi el tuo goto de vin, e lassa l’acqua corer el so molin” (Bebe o teu gole de vinho e deixa a água correr – ou deixe as coisas acontecerem)

Origem

“In Vino Veritas” é uma expressão em latim que significa “no vinho está a verdade”. Era uma frase muito usada pelos antigos romanos. Para eles, a embriaguez soltava a língua e fazia a verdade vir à tona.

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