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Faquirismo: jejum, serpentes e uma cama de pregos em 1958

13 de fevereiro de 2016 0

Fama e fome: performance da faquiresa Sandra em Caxias do Sul, em 1958, atraiu centenas de curiosos. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

Sandra entra na urna para o início da prova de jejum. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

Equipe lacra a urna onde Sandra ficaria exposta ao público. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

Quem viu, provavelmente não esqueceu. Aliás, como esquecer de Sandra, a jovem que permaneceu 35 dias encarcerada em uma urna de vidro, exposta ao público, sem comer, deitada sobre uma cama de pregos e tendo como companhia duas enormes serpentes?

Foi em 1958, no período da Festa da Uva, que a faquiresa chegou a Caxias para apresentar um “número sensacional de jejum e suplício”, conforme anúncio veiculado pelo Pioneiro da época:

“Está marcado para o dia 25 de fevereiro corrente o início de uma sensacional prova de faquirismo feminino, a ser levada a efeito por Sandra, nome conhecido entre os jejuadores-esportistas do Rio Grande do Sul. A prova terá lugar no edifício que fica ao lado da Bomboniére Cairo e que foi salão da exposição de automóveis. Sandra permanecerá 35 dias encerrada na urna, reclinada sobre almofadas de pregos, tendo como companhia apenas algumas jibóias. Ela nasceu no município de Osório e, dedicando-se ao faquirismo, conseguiu bater o recorde gaúcho de jejum, tanto feminino como masculino. O encerramento da prova está marcado para o dia 31 de março.”

Jornal Pioneiro anunciou a atração em fevereiro de 1958. Foto: reprodução/ acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul

Jornal Pioneiro anunciou a atração em fevereiro de 1958. Foto: reprodução/ acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul

Performance em fotos

No decorrer desse post, alguns registros da performance da faquiresa em Caxias, sob os olhares curiosos do público, e do fim do jejum, quando, visivelmente debilitada, ela foi socorrida pela equipe de apoio – boa parte do ritual foi registrada pelo Studio Geremia.

Já no final de 1958, a artista bateria o recorde mundial de jejum feminino em Porto Alegre, depois de 83 dias exposta ao público sem comer. Nascida em 1930, Sandra faleceu em 2003, aos 73 anos.

As imagens foram gentilmente cedidas pelos pesquisadores Alberto de Oliveira e Alberto Camarero, a partir do acervo mantido pela família, em especial a neta Andreia Athaydes.

Clique nas fotos para ampliar.

Acrobatas alemães agitam o centro de Caxias em 1957.

Caxias do Sul, 1958: Sandra jejua sobre a cama de pregos, sob os olhares curiosos de crianças e adultos. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

Jibóias eram parte do número e permaneciam dentro da urna com a faquiresa. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

Sandra e a serpente: prova de jejum em Caxias teria durado 35 dias. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

Sandra é retirada da urna após o período de jejum. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

Equipe auxilia Sandra a sair da urna de vidro, após o período de jejum em que ficou exposta ao público. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

Faquiresa recebe os primeiros socorros da equipe após o final da prova. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

A faquiresa ao final da prova em Caxias, em 1958. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

O faquirismo

Faquirismo é a técnica de resistência consagrada pelos faquires. Graças a ela é possível controlar a respiração e os músculos.

Seus adeptos têm o poder de andar sobre brasas, deitar em camas de pregos, atravessar o corpo com longas agulhas, reduzir o batimento cardíaco ou até mesmo interrompê-lo aparentemente.

Sandra foi uma das maiores faquiresas do Brasil e teve uma longa e sólida carreira na arte do jejum, realizando inúmeras provas ao longo de dez anos. Foto: acervo de família, divulgação

A foto promocional da faquiresa Sandra, divulgada durante suas apresentações pelo país nos anos 1950. Foto: acervo de família, divulgação

A foto promocional da faquiresa Sandra, divulgada durante suas apresentações pelo país nos anos 1950. Foto: acervo de família, divulgação

Musas do submundo

Mesclando sensualidade e ousadia e desafiando a morte, as faquiresas foram figuras emblemáticas do submundo circense, com sua vasta lista de atrações exóticas. No Brasil, a primeira mulher a jejuar em público teria sido Rose Rogé, no Rio de Janeiro, em 1923.

A época de ouro, no entanto, foram os anos 1950, quando as apresentações passaram a ser turbinadas por colchões de pregos e cacos de vidro e pela inclusão de répteis peçonhentos nas urnas. Segundo justificativas da época, as cobras serviriam para purificar o ar, mas tudo não passava de mais um truque para atrair curiosos.

A trajetória das famosas faquiresas também foi pródiga em episódios policiais: uma teria se suicidado, outra sido assassinada pelo marido, uma terceira, presa e espancada – a elas foram relacionados ainda casos envolvendo troca de identidade, fugas do país e até rapto de crianças.

Mais trash, impossível…

Livro Cravo na Carne: Fama e Fome mapeia a trajetória de 11 faquiresas brasileiras atuantes entre os anos 1920 e 1960. Foto: reprodução/Pioneiro

Livro “Cravo na Carne: Fama e Fome” mapeia a trajetória de 11 faquiresas brasileiras atuantes entre os anos 1920 e 1960. Foto: reprodução/Editora Veneta

Em livro

A trajetória de Sandra e outras 10 mulheres praticantes da controversa técnica integram o livro Cravo na Carne: Fama e Fome – O Faquirismo Feminino no Brasil, dos autores Alberto de Oliveira e Alberto Camarero, lançado em 2015 pela Editora Veneta.

Chocando a opinião pública com sua postura underground e fazendo o deleite das colunas sensacionalistas dos jornais, ícones como Verinha, Suzy King, Marciana, Otamires, Zaida, Yone e Rossana por vezes não chegavam ao fim das provas. Era quando quebravam as urnas a marteladas e fugiam ou sofriam crises, convulsões e desmaios, sendo retiradas às pressas do cárcere e levadas a hospitais.

A febre do faquirismo e suas nuances erótico-marginais perduraram até meados dos anos 1960, quando mudanças culturais e políticas acabaram por minar e condenar esse tipo de apresentação.

Para mais detalhes sobre faquirismo no Brasil, acesse o site www.cravonacarnefamaefome.blogspot.com.br.

Arte do autor e cenógrafo Alberto Camarero para a divulgação do livro. Foto: reprodução/Pioneiro

Colégio La Salle, uma história de 80 anos

12 de fevereiro de 2016 2

Av. Rio Branco: a primeira sede do educandário, em um registro do início dos anos 1950. Foto: acervo Colégio La Salle, divulgação

Uma das instituições de ensino mais tradicionais de Caxias, o Colégio La Salle celebra 80 anos de atuação neste domingo, exatamente na véspera do retorno às aulas. Fundado em 14 de fevereiro 1936, o educandário mescla-se à história e à evolução do bairro São Pelegrino, assim como alguns de seus “vizinhos” mais famosos: a igreja, o bar Danúbio e a Avenida Itália.

Bar Danúbio nos anos 1950: sorvetes, bebidas e guloseimas.

A criação da escola só foi possível graças à iniciativa da Associação de Ex-Alunos do Colégio Nossa Senhora do Carmo, fundado em 1908 e também integrante da congregação lassalista. A mobilização dos estudantes garantiu a compra de um terreno no início da Av. Rio Branco, esquina com a Avenida Itália, onde originalmente localizava-se uma serraria.

Com a adaptação do prédio, o imóvel passou a contar com duas salas de aula, uma secretaria, uma recepção e uma sala para os Irmãos Lassalistas. Porém, a chegada do curso ginasial, em 1958, reforçou a necessidade de ampliação da escola.

Naquele mesmo ano, era adquirido pelos irmãos um terreno na Rua La Salle  - o lançamento da pedra fundamental teve desfile dos alunos pela Av. Itália e contou com as presenças do governador Ildo Meneghetti; do secretário de Educação, Ariosto Jaeger; do secretário de Obras Públicas, Euclides Triches; do bispo auxiliar Dom Cândido Maria Bampi; e do padre Eugênio Giordani, pároco de São Pelegrino.

A construção do novo prédio, no entanto, seguiu vagarosa. Apenas em março de 1964 houve a transferência definitiva do colégio para o endereço atual. O espaço ampliado permitiu melhorias na área educativa. Ainda na década de 1960 foram criados o Grêmio Estudantil e a Associação de Pais e Mestres. Já em 1970, o colégio adotou o regime misto de alunos. Neste mesmo período, houve a ampliação de turmas, a partir da criação da pré-escola e do segundo grau noturno.

Clique nas imagens para ampliar.

O guardião da chave da Igreja São Pelegrino em 1953.

Formatura do secretariado do Colégio La Salle em 1973.

A equipe campeã de pingue-pongue do La Salle em 1951. Em pé vemos o Irmão Adalberto juntamente com os alunos Darcy Molon e Sílvio Pavan e o técnico Luís Pauletti. Agachados estão João Paulo Andognini, Enio Costamilan e José Maria Lôro. Foto: acervo Colégio La Salle, divulgação

As ruas

Até meados dos anos 1950, a Av. Itália era conhecida por Av. Brasil, uma mudança decorrente da Segunda Guerra Mundial. Já Castro Alves era o nome original da Rua La Salle. A alteração deu-se em 1961, por decreto do prefeito Armando Biazus, em homenagem ao 50º aniversário da Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs em Caxias do Sul.

Para recordar do bairro São Pelegrino.

Residência

Na década de 1960, o antigo Parque Hotel, na Av. Rio Branco, próximo à igreja, foi alugado para servir como residência dos Irmãos Lassalistas.

São Pelegrino e o novo espaço da Casa de Memória.

Bairro São Pelegrino em 1958.

São Pelegrino: ontem e hoje.

Anos 1970: Irmão Ramiro orientando seus atletas no antigo areião do pátio do colégio, em 1973. Foto: acervo Colégio La Salle, divulgação

Os 50 anos

Durante a comemoração do jubileu de ouro, em 1986, o La Salle ganhou a informatização da secretaria, da tesouraria e dos laboratórios. Hoje, o colégio atende a cerca de 890 alunos com um quadro de 85 professores e funcionários.

O Tio da Pipoca, um ícone da trajetória do La Salle por 34 anos. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

O Tio da Pipoca

Imposssível falar do La Salle e não lembrar de seu Algemiro Fermiano da Silva, o lendário Tio da Pipoca. Por 34 anos, até 2010, o simpático vendedor e sua carrocinha tornaram-se uma espécie de “grife” na entrada e saída dos alunos.

Nos tempos do falecido Orkut, ele chegou a ser homenageado com a comunidade Tio da Pipoca do La Salle. O tópico de abertura não podia ser outro: “pessoa de importância inestimável para todos os estudantes do colégio”.

Aposentado, seu Algemiro celebrou 89 anos em 12 de dezembro último.

Seu Algemiro e sua lendária carrocinha, uma lembrança de milhares de estudantes do La Salle até 2010. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Os formandos de 1975

Falando em aniversário, em 15 de agosto do ano passado, os formandos de 1975 comemoram os 40 anos da formatura. E, lógico, não faltou a tradicional foto no pátio (abaixo).

Estão lá David Abramo Randon, Sérgio Luis Hahn, Ana Maria Rockenbach Pagliarin, Maria Regina Constantin Morangon, Julieta Comerlato, Celeste Maria Cavion, Ivete Onzi, Dione Broilo Búrigo, Kátia Mambrini Franken, Sarita Gonçalves, Nelsa Campos, Selmira Frizzo, Everton Vial, Eliseu Mussatto, Rudimar da Rosa, Evelise Corte, Dimarês Variani Vial, Joaquim Piccinini, Lucy Provenzi Dias, Romualdo Formigheri, Cesar Augusto Pagliarin, Elton Bortoncello, Geraldo Santa Catharina e Eva Elisabeth Boeira. Além, claro, dos professores Arno Junges e Vilmar Marchiori.

Clique na imagem para ampliar.

Formatura do Magistério do Colégio São Carlos em 1965.

Os formandos de 1975: grupo realizou encontro de 40 anos em agosto de 2015. Foto: Siela Montanari, acervo Colégio La Salle, divulgação

Algumas datas

1936: fundação do Colégio La Salle em 14 de fevereiro. O início das aulas ocorreu em 6 de março
1958: criação do curso ginasial e início obras do novo prédio, na Rua La Salle, 1.004
1960: instalação da Comunidade dos Irmãos Lassalistas, na Av. Rio Branco
1961: jubileu de prata do colégio e formatura da primeira turma do ginásio (39 alunos)
1963: fundação do Grêmio Estudantil em 9 de março
1964: início das aulas no novo endereço, na Rua La Salle
1968: fundação da Associação de Pais e Mestres em 27 de outubro
1970: criação: Pré-Escola, 2º grau noturno e início do regime misto
1977: inauguração do Ginásio de Esportes em 22 de outubro
1979: início do 2º grau diurno
1982: fundação do Centro de Professores
1984: inauguração da ala dos prés e biblioteca

Parceria

Informações desta coluna são uma colaboração do Irmão Ivan Migliorini, atual diretor do colégio, e de Alana Fernandes.

Encontro da família Braz em Cambará do Sul

11 de fevereiro de 2016 2

A família de Vergilia da Silva Braz Maciel e Jardelino Maciel. Foto: acervo pessoal, divulgação

Descendentes da família Braz têm compromisso obrigatório neste fim de semana, em Cambará do Sul. O sábado e o domingo serão dedicados a relembrar a trajetória de Vicente Francisco Braz e Antônia da Silva Braz, que chegaram à região em finais do século 19.

O casal se instalou na chamada Vila São José do Campo Bom, denomianção do lugarejo à época. Ali, eles criaram os 12 filhos: Isolina, Leopoldina, Benvinda, Antônio, João, Jovêncio, Hortêncio, Felipe, Vergília, Lúcia, Toríbia e Otávio, o caçula da família – a imagem acima mostra a família de Jardelino Maciel e Vergília da Silva Braz, filha de Vicente e Antonia Braz, em Cambará.

A programação do encontro começa no sábado, às 8h, no Clube 15 de Março. Depois do almoço de confraternização, haverá jogo de futebol e visitação a pontos turísticos da cidade. Às 20h, será servido o jantar. No domingo, as atividades começam às 8h, com café comunitário. Um dos momentos mais aguardados ocorre às 10h30min, com a brincadeira “quem é quem”, que pretende identificar cada um dos familiares.

O encontro deve reunir descendentes espalhados por cidades como Caxias do Sul, Santa Maria, Porto Alegre, Três Coroas, São Francisco de Paula, Carlos Barbosa e Araranguá (SC).

Em 2015: família Braz celebra as origens em Cambará do Sul.

Turismo

No final de semana, os participantes poderão conhecer os atrativos turísticos de Cambará do Sul. A cidade, localizada nos Campos de Cima da Serra, é conhecida como a Terra dos Cânions, por abrigar grandes paredões rochosos. É possível agendar visitas guiadas.

Contatos

* José Leo Rodrigues Braz: (54) 9989.6890
* Ivan Braz: (51) 9194.9259
* Itamar Braz: (51) 9693.1822

Há 30 anos: o início das operações da Visate

10 de fevereiro de 2016 1

A primeira frota da Visate em exposição nos Pavilhões da Festa da Uva em 1988. Foto: acervo Viação Santa Tereza, divulgação

Rua Matteo Gianella: a sede da Visate em 1987. Foto: acervo Viação Santa Tereza, divulgação

Há exatos 30 anos, em 10 de fevereiro de 1986, a Viação Santa Tereza (Visate) iniciava seus serviços no transporte coletivo urbano de Caxias do Sul. No entanto, a concessão já havia sido adquirida um ano antes, em 1985, pelo presidente da empresa, Sérgio Tadeu Pereira.

Para dar andamento aos trabalhos, os proprietários da empresa Expresso Caxiense, até então responsável pelo serviço, cederam um terreno na Rua Matteo Gianella, no bairro Santa Catarina – além de concentrar os veículos, o local abrigava o setor de mecânica, responsável pela manutenção da frota. Nos primórdios, a Visate contava com 450 funcionários e um total de 104 ônibus, que atendiam a 28 linhas.

Desde aquela época, porém, a questão da superlotação em alguns horários já era uma dor de cabeça. Conforme matéria veiculada no antigo Jornal de Caxias em 10 de fevereiro de 1986, a empresa “não vê solução para os problemas de superlotação nos horários de pique, a não ser com a contribuição dos setores produtivos”.

O presidente avaliava a situação relacionando-a com o escalonamento dos turnos.

“Enquanto comércio, indústria, serviços e demais atividades continuarem a absorver e liberar seus empregados nos mesmos horários, nunca será resolvido o problema dos ônibus cheios demais. Por que eles não adotam horários escalonados para e entrada e saída dos trabalhadores? Não adianta aumentar o número de ônibus circulando, pois crescerá a ociosidade em outros horários”, afirmou Pereira.

Em fevereiro de 1986, segundo a reportagem, os coletivos de Caxias trafegavam com uma ociosidade de 50% nos chamados “horários mornos”.

Clique na imagem para ler o texto original da época.

Coletivos urbanos e a Praça Dante Alighieri nos anos 1950.

Foto: reprodução Jornal de Caxias/Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul

Nova sede

Seis anos depois do início das operações, mais precisamente em 11 de maio de 1992, a Visate inaugurou sua sede própria na Rua Júlio Calegari, no bairro Esplanada.

A expansão ocorreu em 1999, quando surgiu o Complexo Administrativo Visate. Já em 2010, o contrato licitatório com o município foi prorrogado por mais 10 anos.

O antigo pátio da Visate. Foto: acervo Viação Santa Tereza, divulgação

Em 1988: os funcionários Adão Acacio da Silva, Marcos Dante Fonseca dos Santos, Remi Antonio Sartor, Sérgio Schaschinskz Machado e José Pereira da Silva em frente a um ônibus com motor traseiro. Foto: acervo Viação Santa Tereza, divulgação

Três concessões

O transporte coletivo urbano chegou à cidade em meados dos anos 1930. Já em 1955 foi fechado o primeiro contrato de concessão de serviço por 10 anos com a Empresa Pérola de Transportes. A parceria, no entanto, durou pouco tempo. No ano seguinte, o contrato foi transferido para a Empresa Santos de Transportes.

Já em 1965, estabeleceu-se uma nova parceria com a Expresso Caxiense de Transportes. A permissão foi prorrogada por diversas vezes até 1986, quando a Visate assumiu o serviço.

Expresso Caxiense e o transporte coletivo de Caxias nos anos 1970.

Ônibus Romeu e Julieta: um clássico do transporte coletivo.

Processo de lavagem dos ônibus em 1987. Foto: acervo Viação Santa Tereza, divulgação

O antigo logotipo da Viação Santa Tereza. Foto: acervo Viação Santa Tereza, divulgação

A empresa hoje

Atualmente, a Visate conta com cerca de 1,6 mil funcionários e 343 ônibus. Ao todo, a área urbana do município é atendida por 77 linhas.

Com informações da Visate e colaboração de Alana Fernandes.

Folias de Carnaval no Recreio da Juventude em 1986

09 de fevereiro de 2016 0

Nos salões do RJ em 1986: a chegada da corte, formada pelos carnavalescos Clary de Mello e Valdir dos Santos, juntamente com o Rei Momo Vivaldo Vargas de Almeida e a rainha do Carnaval Maria José dos Reis. Foto: acervo Recreio da Juventude, divulgação

A segunda edição do Carnaval Interclubes, nesta terça (9), no Recreio da Juventude, nos remete à folia esmeralda de fevereiro de 1986. Foi quando a agremiação promoveu três bailes, com animação a cargo do grupo Brasil Exportação. Porém, nem tudo foram confetes e serpentinas na Pérola das Colônias de 30 anos atrás.

Em 1986, os foliões de Caxias do Sul tiveram bem menos opções para festejar. Conforme reportagem do Pioneiro de 8 de fevereiro daquele ano, o carnaval de rua foi suspenso pela Secretaria Municipal de Turismo, que alegava economia de energia elétrica. Os clubes também diminuíram o número de bailes devido à seca que atingia o Estado e ao racionamento de energia – entre as “baixas”, a não realização do tradicional baile da sexta-feira pelo Clube Juvenil e a ausência da segunda noite no Recreio da Juventude.

Com o cancelamento do baile municipal, a secretaria abriu oficialmente o Carnaval de Caxias no Reno Piscina Clube, com o prefeito Victorio Trez entregando a chave da cidade ao Rei Momo Vivaldo Vargas de Almeida (1934-2002), que retornava ao posto após seis anos afastado. O radialista, no entanto, deu uma espécie de ultimato: largaria a coroa se, em 1987, não fosse promovido o carnaval de rua.

Momo desde 1967, quando aceitou o convite do então Departamento Municipal de Turismo e da Cervejaria Pérola (patrocinadora do evento), Vivaldo sugeria, inclusive, maior participação dos blocos dos clubes na Sinimbu, integrados às escolas de samba.

A estratégia deu “mais ou menos” certo. No ano seguinte, não houve carnaval de rua, mas o “Carnaval na Praça”. Organizado pelo Serviço Municipal de Turismo (Semtur), presidido por Maria Frigeri Horn, o evento buscava “aquelas pessoas que não possuem condições de pagar ingressos nos clubes”, segundo depoimento da diretora ao Pioneiro, em 28 de fevereiro de 1987.

Na imprensa

Reportagem do Jornal de Caxias de 10 de fevereiro de 1986 destacou o baile de abertura do Carnaval e o retorno de Vivaldo Vargas de Almeida como rei da folia. O texto também fazia referências às luxuosas fantasias de Clary Mello e Valdir dos Santos.

Clique nas imagens para ler os textos originais da época.

Foto: reprodução Jornal de Caxias/Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul

Foto: reprodução Jornal de Caxias/Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul

Foto: reprodução Jornal de Caxias/Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul

Foto: reprodução Jornal de Caxias/Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul

Anúncios antigos: o Carnaval nos clubes caxienses em 1986.

Antigos carnavais: um elefante de circo agita a Sinimbu em 1985.

O salão do RJ fervendo ao som das marchinhas em 1986. Foto: acervo Recreio da Juventude, divulgação

A diretoria e os integrantes do Departamento Jovem do Recreio da Juventude, responsáveis pelos agitos do verão de 30 anos atrás. Ao centro, com o adereço na cabeça, a rainha do clube Fulvia Stedile Angeli. Nas laterais, os casais José Carlos e Liana Bertotto (à esquerda) e Marília e Angelo Daros (à direita). Foto: acervo Recreio da Juventude, divulgação

Há 30 anos

* Naqueles tempos de pré-Plano Cruzado, os ingressos para as noites do Recreio da Juventude custavam (pasme!) Cr$ 120 mil (masculino), Cr$ 80 mil (feminino) e CR$ 15 mil (infantil). Para as três noites, duas mesas chegavam a custar Cr$ 1,5 milhão, e três mesas, Cr$ 2 milhões.

* A não realização do carnaval de rua fez os clubes bombarem em 1986. Além do RJ e Reno, promoveram bailes o Recreio Rodoviário, o Guarany, o Incitatus, o Roda Viva e o Palermo.

* O Carnaval Azul e Branco, do Guarany, teve animação do Musical Latino. No Recreio Cruzeiro, as noitadas ficaram a cargo da Super Banda Panorama, enquanto o Reno Piscina Clube dançou ao som do mítico Ego Mecanóide.

Foto: reprodução/Pioneiro

Retomada

Desde 2015, o Carnaval Interclubes busca retomar os antigos agitos que lotavam as sedes sociais do Juventude, Guarany, Cruzeiro e Juvenil.

Seguindo a proposta nostálgica, a animação da noite desta terça (9) será pontuada também por marchinhas, a cargo dos músicos Rafa Gubert, Tita Sachet, Franciele Duarte e Dan Ferretti.

A volta das folias: três clubes e um baile para recordar.

Anúncios antigos: o carnaval nos clubes caxienses em 1986

09 de fevereiro de 2016 0


Há 30 anos, os clubes e agremiações sociais ferviam com seus tradicionais bailes de Carnaval, tanto adultos quanto infantis. Uma breve folheada no Pioneiro de fevereiro de 1986 dá uma ideia da animação daqueles tempos.

Clique nas imagens para ampliar.

Folias de Carnaval no Recreio da Juventude em 1986.

carnaval1 - Cópia - Cópia


Outros verões: lembranças enviadas por leitores

08 de fevereiro de 2016 0

Em 1968: Juliana e Dalmira Mazzochi, Francisco Massochi e Justina Mazzochi na chamada praia dos colonos. Foto: acervo de família, divulgação

Janeiro e fevereiro são meses para recordar de antigos veraneios, no litoral ou na Serra mesmo. Da leitora Ledionara Massochi recebemos um curioso registro, feito pelo tio Rufino Mazzochi em 1968. A imagem foi tirada em um riacho na Capela de São José, interior de Caxias do Sul.

Naquele tempo, o lugar era considerado “a praia dos colonos”, além de ser fonte de energia para as famílias da comunidade de São Braz. Na foto vemos Juliana Mazzochi, Dalmira Mazzochi, Francisco Massochi e Justina Mazzochi.

Na sequência, outras contribuições enviadas por leitores.

Outros verões: Torres em 1954, Areias Brancas em 1964.

Fioravante Cetolin em Tramandaí em 1959. Foto: acervo de família, divulgação

Tramandaí em 1959

Fioravante Cetolin nasceu em 1912 no município de Daltro Filho e veio para Caxias com a esposa Ernesta Pivatto e seus oito filhos em 1952. Eles sempre residiram na Rua Ernesto Alves, esquina com a Isidoro Moretto.

Por anos, dedicou-se à confecção artesanal de cartucheiras e bainhas de facas e espadas, em couro, atividade ainda exercida pelo neto Cesar Cetolin, na mesma casa, na mesma rua.

Seu Fioravante gostava muito de viajar, o que comprova a foto acima, do veraneio de 1959, em Tramandaí. Ele faleceu em 2007, aos 95 anos.

Família Comandulli nos primórdios de Rainha do Mar.

Os Furlan em uma ainda bucólica Torres em 1968. Foto: acervo de família, divulgação

Torres em 196

Marta F. Matuella envia um registro da família Furlan, de Galópolis, em Torres, em 1968 (acima). Avelino Furlan e Dorinda Furlan aparecem com os filhos (da esquerda para a direita) Joel, Rita e Marta. E no colo, Juarez Furlan.

Família Lucchese em Arroio do Sal em 1966.

Quinteto de Vacaria: Paulo Gargioni e os amigos Celço, Lucidio, Rocha e Bruno, em Arroio do Silva (SC), em fevereiro de 1964. Foto: acervo de família, divulgação

Virando sereia: Miguelina Astha Heis da Silva em Tramandaí, em meados de 1950. Foto: acervo de família, divulgação

Arroio do Sal em 1961: Geni Dallegrave Dutra, Jussara Serra, Izaura Lucchese, Gessy Serra, Sergio Serra e Horizau Lucchese. Foto: acervo de família, divulgação

Paulo Gargioni e um baile no Clube Gaúcho em 1966

06 de fevereiro de 2016 1

Riscando o salão: Paulo Gargioni e Maria de Lourdes dos Santos Spido, rainha do Gaúcho em 1966. Foto: acervo Departamento Municipal de Turismo, acervo pessoal, divulgação

Bailes de Carnaval e de escolha da rainha da agremiação sempre foram atrações de destaque no calendário do Clube Gaúcho desde finais da década de 1950, quando o então bloco Os Protegidos da Princesa começou a tomar forma. Passados 50 anos, recordamos do baile em que foi escolhida a soberana do Esporte Clube Gaúcho de 1966.

Escolha da rainha do Esporte Clube Gaúcho em 1953.

A festa teve a presença do iniciante colunista social Paulo Gargioni, na época integrante do Departamento Municipal de Turismo, coordenado pelo jornalista e historiador Mario Gardelin – naqueles tempos, a pasta era a responsável pela organização e difusão do Carnaval de rua de Caxias do Sul.

Nas fotos desta página, alguns flagrantes do agito de cinco décadas atrás. Abaixo, Gargioni entre o amigo Rudinei Carlos Esteves e o jornalista Edgar Ferretti (D). Fechando o post, o colunista com a titular da página social do Pioneiro, Margot Sauer, a irmã Sofia Sauer (C), a rainha do Clube Gaúcho, Maria de Lourdes dos Santos Spido, e a diretora social da agremiação (à esquerda).

Clique nas imagens para ampliar.

Paulo Gargioni: 50 anos de colunismo social.

Paulo Gargioni no aniversário da União Caxiense de Estudantes Secundaristas em 1962.

Rudinei Carlos Esteves, Paulo Gargioni e Edgar Ferretti no Esporte Clube Gaúcho em 1966. Foto: acervo Departamento Municipal de Turismo, acervo pessoal, divulgação

Conquistas de 50 anos atrás

Durante boa parte da década de 1960, o bloco d’ Os Protegidos da Princesa desfilou pelas ruas da cidade, conquistando o campeonato por nove carnavais seguidos, de 1961 a 1969.

Outra novidade de 50 anos atrás foi a “mudança” de Rei Momo. Depois de várias edições, Luiz Soares deixou o posto, sendo substituído por aquele que se tornaria um ícone da folia caxiense: o radialista Vivaldo Vargas de Almeida.

No sábado de Carnaval de 1966, Vivaldo recebeu a coroa do então presidente do Sindicato dos Jornalistas de Caxias, o advogado Heráclito Limeira, mais conhecido pelo pseudônimo Velho Laranjeira e um grande entusiasta dos festejos.

Naquela mesma noite, a Protegidos sagrou-se vencedora, com os blocos Conquistadores do Ritmo e Os Bola Preta em segundo e terceiro lugares, respectivamente.

Christiano Carpes Antunes e as antigas folias de Carnaval nos clubes.

Dia Nacional da Consciência Negra: as lembranças do Clube Gaúcho.

Memórias do Carnaval: os animados bailes do Clube Gaúcho nos anos 1950.

Há 50 anos: badalação de escolha da rainha do Clube Gaúcho foi prestigiada pela colunista Margot Sauer (segunda à esquerda), pela rainha Maria de Lourdes dos Santos Spido (à direita) e pelo integrante do Departamento Municipal de Turismo Paulo Gargioni. Foto: acervo Departamento Municipal de Turismo, acervo pessoal, divulgação

Rainhas 

Rainha do Carnaval de 1966, Celira de Andrade recebeu faixa e coroa da antecessora Genecy Scobo, durante um baile na sede social do Reno Futebol Clube.

Encontro da família Barcarollo em Galópolis

05 de fevereiro de 2016 0

Imigrantes italianos Pietro Barcarollo e Maria Maddalena Comin foram dos primeiros a chegar a Caxias, em 1878. Foto: acervo de família, divulgação

Integrantes das diversas ramificações da família Barcarollo/Barcarolo terão a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a história dos antepassados italianos no encontro do próximo dia 28, no salão paroquial de Galópolis. Descendentes das derivações Barcarol, Bacarolli e Bacarol também são aguardados.

A chegada dos Barcarollo ao Brasil remete a finais da década de 1870 e início de 1880, conforme informações contidas no livro Povoadores da Colônia Caxias, de Mário Gardelin e Rovílio Costa. Assim como os demais imigrantes, eles buscavam melhores condições de vida, fugindo da crise e da miséria que assolavam a Itália.

Um dos primeiros imigrantes da família a se estabelecer em solo brasileiro foi Pietro Barcarollo. Ele veio da comunidade de Borso del Grappa, em Treviso, juntamente com a esposa, Maria Maddalena Comin, e os irmãos Anna, Giovanni e Maria, todos solteiros.

Pietro e Maria Maddalena (foto acima) trouxeram os filhos Francesco, Antonio, Evaristo, Marietta e Petronilla – segundo registros, a chegada da família ocorreu em 8 de janeiro de 1878. Nesse mesmo período, fixou-se no Rio Grande do Sul a italiana Antonia D’ Ambros, viúva de Francesco Barcarollo, irmão de Pietro. Antonia trouxe os filhos Luigia, Francisco (mesmo nome do pai) e Giovanni.

Ao chegar ao Rio Grande do Sul, os imigrantes estabeleceram-se no acampamento do Núcleo Colonial de Nova Palmira, hoje pertencente ao distrito caxiense de Vila Cristina. Ali, aguardaram a definição dos lotes de terra para, depois, instalarem-se em Caxias do Sul.

Atualmente, os descendentes dos Barcarollo estão espalhados por cidades como Feliz, Carazinho, Sarandi, Porto Alegre e Erechim, no Rio Grande do Sul, além de Chapecó, Campos Novos e Xanxerê, em Santa Catarina.

Com a colaboração de Alana Fernandes.

Museu de Território de Galópolis: um vínculo comunitário.

Brasão da família faz referências a Portugal, Brasil e Itália. Foto: reprodução/Pioneiro

O brasão da família

No brasão da Família Barcarollo estão representados Portugal, Brasil e Itália. As partes azuis representam o velho reino português. Já os pontos em dourado simbolizam a riqueza e a abundância do Brasil.

A armadura e o escudo homenageiam a Itália. O leão, ao centro, revela a bravura dos imigrantes, e a árvore representa a terra conquistada.

Imigração italiana: encontro da família Dal Bosco.

Encontro da família Fontana em Flores da Cunha.

Registros

A partir dos encontros dos Barcarollo realizados desde 2001, os familiares puderam reunir informações de outros imigrantes com o mesmo sobrenome. É o caso do casal de imigrantes Giovanni Barcarollo e Maria Donazzolo.

Sabe-se que o italiano Giovanni casou-se com Maria em 17 de janeiro de 1894, já em solo brasileiro. Dois de seus filhos mais velhos nasceram na colônia de Alfredo Chaves, atual Veranópolis.

Galoteca incentiva a leitura em Galópolis.

A programação

As atividades do domingo, dia 28, iniciam-se às 8h30min, com recepção no salão paroquial de Galópolis. Haverá café, lanche e chimarrão.

A partir das 9h30min, ocorre missa, exposição da árvore genealógica da família e passeio pelo centro histórico de Galópolis. Após, será servido almoço com cardápio típico. Também estão previstas atividades para quem chegar no sábado.

Para recordar do antigo Cine Operário de Galópolis.

Galópolis, um museu a céu aberto.

Saiba mais

Outras informações sobre o encontro podem ser obtidas com Amarildo José Barcarol, pelo fone (54) 9996.1557, ou pelo e-mail familiabarcarollo@gmail.com.

Também no site www.barcarollo.org e na comunidade do Facebook Família Barcarollo.

Agruras do poeta Cassiano Ricardo em Vacaria

04 de fevereiro de 2016 0
O poeta e escrtor Cassiano Ricardo em meados dos anos 1960.  Foto: reprodução/Agência RBS

O poeta e escritor Cassiano Ricardo em meados dos anos 1960. Foto: reprodução/Agência RBS

Integrante do movimento modernista brasileiro, o escritor e advogado paulista Cassiano Ricardo (1895-1974) teve uma passagem pelo Rio Grande do Sul, mais precisamente por Vacaria, onde morou durante quatro anos. Em 1919, aos 24 anos, instigado por um cunhado, decidiu conhecer as “coxilhas onduladas” e o pampa gaúcho, que há muito o fascinavam.

A viagem, num “fordeco bigode”, como conta em suas memórias, foi uma aventura. Trazendo consigo os pais, a mulher e um filho, entrou por Erechim, passando por Sananduva e Lagoa Vermelha, enfrentando atoleiros em estradas construídas pelas rodas das carretas.

Foi muito bem recebido pelos vacarianos, mas, já no primeiro chimarrão que lhe ofereceram, cometeu uma gafe imperdoável: pediu um pouco de açúcar, para amenizar o amargo da bebida. “Bem mostra que é baiano”, gracejaram os parceiros, dando a entender que era alguém de fora dos pagos.

Cassiano abriu seu escritório de advocacia e já no primeiro dia apareceu um cliente. Entusiasmado, foi logo firmando amizade com maragatos e pica-paus, mas a aproximação maior foi com os primeiros, tornando-se defensor do partido antiborgista.
Conheceu os principais líderes políticos da cidade, entre eles, o general Firmino Paim, que costumava, segundo os maragatos, mandar colocar o adversário indesejado no lombo de um burro e largá-lo no outro lado do Rio Pelotas, em território catarinense, vivo ou morto.

Passou também a tomar posição partidária, de que mais tarde viria a se arrepender. Enquanto isso, identificava-se cada vez mais com os costumes da terra: aprendeu a andar a cavalo, a usar a garrucha na cintura, a enfrentar o frio abaixo de zero e a dominar o linguajar do povo. Orgulhava-se de já “saber falar gaúcho”.

Fragmentos do poema Exortação estão gravados em bronze na porta do Monumento ao Imigrante. Foto: reprodução/Agência RBS

Jogo de roleta

Conforme um pesquisador local, o advogado Adhemar Pinotti, Cassiano Ricardo viveu ainda uma experiência amarga em Vacaria: o jogo de roleta, que quase o levou à falência.

Ele conseguiu superar o vício, mas não a ira dos defensores de Borges de Medeiros, motivada também pelos artigos críticos que publicava no jornal Pátria, fundado por ele e pelo amigo jornalista André Carrazoni.

Ameaçado de morte por mais de uma vez, Cassiano decidiu voltar para São Paulo, no início da revolução de 1923.

Clique nas imagens para ampliar.

Monumento ao Imigrante, um símbolo de Caxias do Sul. 

Foto: Ricardo Wolffenbüttel, banco de dados/Pioneiro

Desde 1954: poema está gravado na porta de bronze que dá acesso ao Espaço Cultural Antonio Caringi, na cripta do Monumento ao Imigrante. Foto: Ricardo Wolffenbüttel, banco de dados/Pioneiro

Poema no Monumento ao Imigrante

A presença de Cassiano Ricardo no Rio Grande do Sul não se encerrou em Vacaria. Desde 1954, ela está eternizada nos fragmentos do poema Exortação, gravado em bronze na porta da cripta do Monumento Nacional ao Imigrante, na BR-116, em Caxias do Sul.

Espaços para recordar da história: o Monumento ao Imigrante.

Monumento ao Imigrante pelo Studio Tomazoni Caxias.

Os versos

Ó louro imigrante
que trazes a enxada ao ombro…
Sobe comigo a este píncaro
e olha a manhã brasileira
que nasce por dentro da Serra,
com um punhado de cores
jogado da terra

O meu país
e todo um rútilo tesouro
nas tuas mãos
e a semente que aqui plantares
será de ouro
no chão de esmeralda

E terás, sobre o solo bravo,
aberto em flor,
a sensação, a graça
de um descobridor

Poema de Cassiano Ricardo é um dos destaques do museu da cripta. Foto: Tatiana Cavagnolli, banco de dados/ Agência RBS

Parceria

Informações desta página foram publicadas originalmente na coluna Almanaque Gaúcho, do colega Ricardo Chaves, de Zero Hora.