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Posts com a tag "Aldo Locatelli"

Escola de Belas Artes de Caxias do Sul em 1958

29 de janeiro de 2016 0

A formandas de 1958 com a paraninfa Rosália Eberle Peroni e a diretora Elyr Ramos Rodrigues (com a bolsa preta). Foto: Stefano Alberti, acervo de família, divulgação

Inaugurada em 31 de março de 1950, a Escola Municipal de Belas Artes é lembrada até hoje como um marco da trajetória artístico-cultural de Caxias do Sul. Situado na Rua Dr. Montaury, na área onde hoje localiza-se a Casa da Cultura, o espaço foi responsável pela formação de centenas de alunos, muitos deles com atuação destacada posteriormente em diversas frentes – pintura, música, escultura, arte decorativa, desenho e gravura.

A partir de 1952 sob a direção da senhora Elyr Ramos Rodrigues (in memoriam), a escola deu seu mais importante passo rumo ao amadurecimento e profissionalização em 1959. Foi quando a nova cartilha disciplinar da entidade alicerçou-se no currículo do Instituto de Belas Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Nesse mesmo ano, os cursos de música e artes plásticas foram reconhecidos, e a então instituição municipal foi elevada à condição de Escola Superior de Belas Artes, sendo posteriormente integrada à UCS.

Boa parte dessa história foi recordada recentemente pela leitora e ex-aluna Stela Alberti Lisot, que frequentou a entidade em finais da década de 1950. Foram disponibilizados por dona Stela os registros desta página, entre eles a festa das formandas de Belas Artes de 1958.

Na foto acima, a partir da esquerda, estão as jovens Doralice Bergmann, Gloria Rivoire, Lori Bolzani, Elisa Rombaldi, a própria Stela, Céres Ferrari, Vera Sartor, Suely Giron e Anéris Bedin, tendo à frente a paraninfa, dona Rosália Eberle Peroni, e a diretora da escola, a senhora Elyr Ramos Rodrigues (com a bolsa preta).

Clique nas imagens para ampliar.

Elyr Ramos Rodrigues e Aldo Locatelli: um retrato em 1952. 

Anos 1950: primórdios da Escola de Belas Artes de Caxias do Sul.

As formandas de 1958: Gloria Rivoire, Lori Bolzani, Elisa Rombaldi, Stela Alberti, Vera Sartor, Céres Ferrari, Anéris Bedin e Suely Giron. Foto: Stefano Alberti, acervo de família, divulgação

Aluna e mestra

Abaixo, outro flagrante daquele 8 de dezembro de 1958: a formanda Stela Alberti com a professora de modelo vivo e artista plástica Valdira Danckwardt.

Valdira, inclusive, foi uma das jovens que serviu de modelo, na época, para um dos anjos esboçados por Aldo Locatelli e que decoram as laterais da Igreja São Pelegrino – as chamadas Estações de Misericórdia.

Estações de Misericórdia: Igreja São Pelegrino nos tempos do pintor Emilio Sessa.

Aldo Locatelli e o retrato de Diva Martinato em 1962.

Honraria especial no centenário de Locatelli.

A formanda Stela Alberti e a professora Valdira Danckwardt. Foto: Stefano Alberti, acervo de família, divulgação

Outra formatura em 1965

Mesmo antes de concluir o magistério na Escola Normal Duque de Caxias, em dezembro de 1959, Stela Alberti começou a lecionar. Não sem antes resolver um “entrave legal”. Aos 17 anos, em 1958, ela precisou ter a maioridade reconhecida pelo pai, Stefano Alberti. Foi o que possibilitou à jovem dirigir-se, três vezes por semana, à localidade de Linha Brasil, em Nova Petrópolis, para dar aulas.

A licenciatura e a complementação do currículo vieram em 1965, com a formatura da Didática da agora Escola Superior de Belas Artes de Caxias do Sul.

Abaixo, um registro da solenidade de 9 de dezembro de 1965. Stela (à direita) aparece com Roney Marcon, Carmencita Maria Aguzzoli, Noely Oppermann (ao fundo), o paraninfo da turma, general Justino Alves Bastos, e a diretora da escola, Elyr Ramos Rodrigues.

Por fim, outro registro daquele dia, com o grupo inteiro. Na fila de trás, a partir da esquerda, estão Marisa Sebben, Noely Oppermann, Stela Alberti, o professor Otmar, Matilde Veronese, Lorena Gauer e Marilia Caberlon. Mais à frente vemos Marli, a professora Terezinha Pezzi, Doris Paternoster (bem ao centro), irmã Luizélia, Nilva, Maria Helena Leitão, o paraninfo, general Justino Alves Bastos, e uma jovem não identificada.

Se você reconhece alguém ou tem os sobrenomes completos das pessoas, entre em contato com a coluna.

Nu fotográfico agita a Aliança Francesa em 1955.

Em 1965: Roney Marcon, Carmencita Aguzzoli, Noely Oppermann, o general Justino Alves Bastos, a diretora Elyr Ramos Rodrigues e a formanda Stela Alberti. Foto: Studio Beux, acervo de família, divulgação

O grupo em 1965, com os professores Otmar (ao fundo) e Terezinha Pezzi (na fila do meio) e o paraninfo, o general Justino Alves Bastos. Foto: Studio Beux, acervo de família, divulgação

Participe

Você possui fotos antigas de formaturas nos anos 1950, 1960 e 1970? Envie para a coluna.

Pinacoteca Aldo Locatelli e Amarp: uma trajetória na imprensa

02 de dezembro de 2015 0

Foto: reprodução jornal Pioneiro, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A exposição O Fio da Memória traz à tona as lembranças da antiga Pinacoteca Aldo Locatelli, inaugurada em 5 de junho de 1975, junto ao Museu Municipal.

Desde aquela data, dezenas de reportagens e publicações destacaram a importância do acervo para o cenários das artes plásticas caxienses. Confira algumas delas, disponibilizadas pelo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

Clique nas imagens para ler o texto original da época.

Vídeo: inauguração da Pinacoteca Aldo Locatelli em 5 de junho de 1975.

Família de Aldo Locatelli prestigia abertura da Pinacoteca em 1975.

Galeria de fotos: o Amarp em 10 obras.

Foto: reprodução jornal Pioneiro, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foto: reprodução acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Foto: reprodução jornal Pioneiro, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Filme da inauguração da Pinacoteca Aldo Locatelli em 1975

02 de dezembro de 2015 0

A badalação em torno da inauguração da Pinacoteca Aldo Locatelli, em 5 de junho de 1975, rendeu um filme.

Produzido por Wanderley Rocha, responsável pelo setor de Imagem e Som do Museu Municipal, o vídeo traz imagens externas do prédio do Museu Municipal e de vários momentos da solenidade.

Estão lá o vice-prefeito em exercício Mário David Vanin, a primeira-dama Vera Menegotto Vanin, a viúva de Aldo Locatelli, Mercedes Biancheri, o filho Roberto Locatelli, o Ministro do Tribunal de Contas da União, Guido Mondin, a secretária da Educação e Cultura, Santina Barp Amorim, e a diretora de museus da prefeitura, Maria Frigeri Horn, além de dezenas de outros convidados.

O vídeo, que integra o acervo do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, foi recuperado e disponibilizado pela Spaghetti Filmes.

Família de Aldo Locatelli prestigia abertura da Pinacoteca em 1975

02 de dezembro de 2015 0

Vernissage contou com a presença de Roberto Locatelli (filho de Aldo), Mercedes Biancheri (viúva de Aldo), Vera Menegotto Vanin e Mário David Vanin. Foto: Wanderley Rocha, acervo Museu Municipal de Caxias do Sul, divulgação

O reconhecimento à trajetória do pintor italiano Aldo Locatelli (1915-1962), que por um bom tempo morou e deixou sua marca em Caxias, pautou a escolha do nome da pinacoteca surgida em 1975, junto ao Museu Municipal.

O espaço, inaugurado em 5 de junho daquele ano, foi prestigiado pela viúva, dona Mercedes Biancheri, pelo filho Roberto Locatelli, pelo então Ministro do Tribunal de Contas da União, Guido Mondin, e por dezenas de convidados, a partir de uma iniciativa da primeira-dama Vera Menegotto Vanin, esposa do vice-prefeito em exercício Mario David Vanin.

Pegando carona na abertura da exposição alusiva à trajetória do Acervo Municipal de Artes Plásticas nesta quarta (2), recordamos de como todo esse conjunto começou a tomar forma, há 40 anos.

A Pinacoteca Aldo Locatelli (embrião do Amarp) surgiu em meio à programação da Semana de Caxias de 1975, época em que Santina Barp Amorim e Maria Frigeri Horn respondiam, respectivamente, pela Secretaria de Educação e Cultura e pela coordenadoria de museus.

O acervo, que buscava mapear a produção caxiense e de artistas de fora, formou-se a partir da doações de artistas que realizaram exposições no Museu Municipal e, posteriormente, na Galeria de Arte da Casa da Cultura. Entraram aí obras em pintura, gravura e escultura.

Clique nas imagens para ampliar.

Vídeo: a inauguração da Pinacoteca Aldo Locatelli em 1975.

Em 1975: Roberto Locatelli, Mercedes Biancheri, Vera e Mário David Vanin durante a abertura da pinacoteca. Foto: Wanderley Rocha, acervo Museu Municipal de Caxias do Sul, divulgação

O artista Jatyr Antônio Loss trabalhando em uma obra para compor o acervo do novo espaço. Foto: Wanderley Rocha, acervo Museu Municipal de Caxias do Sul, divulgação

Jatyr Antônio Loss em ação no dia da abertura da Pinacoteca, em 5 de junho de 1975. Foto: Wanderley Rocha, acervo Museu Municipal de Caxias do Sul, divulgação

Convite e folder

Nas imagens abaixo, disponibilizadas pelo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, vemos o convite oficial da inauguração e o folder com a minibiografia de Aldo Locatelli e o nome dos artistas e obras da Pinacoteca.

Clique nas imagens para ampliar e ler o texto original.

Aldo Locatelli: um centenário para recordar e homenagear.

Museu Municipal recebe obras do Amarp com recorte sobre a história de Caxias do Sul.

O convite oficial de 1975. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Detalhe da capa do folder da exposição. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Os artistas e suas respectivas obras. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Artistas e doações

Na abertura, a Pinacoteca Aldo Locatelli estava composta por 26 obras.

Elas eram assinadas pelos seguintes artistas, conforme consta no convite original: Aly Chaves Silveira, Ary Cavalcanti, Beatriz Ferla Balen, Bruno Segalla, David Ratti, Dionéia De Carli, Elyr Ramos Rodrigues, Guido Emílio Frezza, Guido Mondin, Icléia Cattani, Iris Abella, Liana D’ Ávila Brandão, Lídia Mambrini, Liliana Rosseti, Marisa Rossato Saretta, Mirene Missaglia, Nayr Menegotto Hoffmann, Nely Zatti Yuchen, Pedro Saretta, Robinson Sobrera, Rejane Gimenez Lopes, Rosemary Spinato Scotti, Salli Cardoso da Luz, Soledade Sampaio Damiani, Valdira Danckwardt e Véra Stedile Zattera.

Posteriormente à abertura e a partir dos anos 1980, a pinacoteca começou a receber novas doações. Entre elas, obras de Valdir dos Santos, Élcio Rossini, Diana Domingues e Mario Soldatelli.

Após um período de indefinições sobre o futuro das obras nos anos 1990, elas passaram a integrar o Amarp, em 2004.

Centenário de Aldo Locatelli: retratos dos anos 1950.

Aldo Locatelli: um retrato antes de morrer.

Pinacoteca Aldo Locatelli e Amarp: uma trajetória na imprensa.

Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

No Pioneiro de 1978

Matéria do Pioneiro de 18 de outubro de 1978, três anos após a inauguração, ratificava a importância da pinacoteca para a cena artística da cidade. Já naquela época havia uma preocupação com o espaço físico:

“A Pinacoteca do Museu Municipal constitui um passo expressivo na vida cultural da cidade. Esperamos que, com o andar do tempo, consiga melhores instalações e venha a aumentar cada vez mais”.

Em 1979

Mercedes Biancheri, viúva de Aldo Locatelli, faleceu em 1979, quatro anos após a inauguração da pinacoteca. A presença dela na abertura foi uma de suas últimas aparições públicas em Caxias.

Colaboração

Fotos e informações desta coluna são uma colaboração Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

Identificamos o guardião da chave da Igreja São Pelegrino em 1953

19 de agosto de 2015 1

Em 1953: Paulo Gilberto Bratti, sobrinho-neto do padre Eugênio Giordani, participou da solenidade de inauguração da Igreja São Pelegrino. Foto: Studio Geremia, acervo Casa de Memória São Pelegrino, divulgação

Em 2 de agosto de 1953, data da inauguração da Igreja São Pelegrino, o menino da foto acima ganhou uma incumbência: entregar a chave para que a primeira-dama, Neda Ungaretti Triches, abrisse a antiga porta de madeira do templo.

Entre milhares de fotos que compõem o acervo Casa de Memória, essa ganhou uma identificação especial: o guardião da chave de São Pelegrino. Porém, por décadas o nome do menino de cinco anos permaneceu uma incógnita entre os funcionários da paróquia.

O mistério acabou nesta terça (18), poucos antes do início da solenidade da Honraria Especial Aldo Locatelli: 100 anos de História e Legado. Em uma conversa informal com o pároco Leonardo Inácio Pereira, o “garoto” casualmente identificou-se. Trata-se do empresário aposentado Paulo Gilberto Bratti, 68 anos, sobrinho-neto do padre Eugênio Giordani e atual morador de Encantado, também a terra natal de Giordani.

Clique no “P” e arraste para comparar.

Terça-feira na igreja

Bratti acompanhava o primo Ampere Giordani, sobrinho mais velho do padre Eugênio Giordani (1910-1985), uma das cinco personalidades escolhidas para receber a honraria concedida pela Câmara de Vereadores.

O “menino” já conhecia a imagem da infância, inclusive possui uma cópia em casa até hoje. Mas foi em 2008, quando visitou o antigo espaço da Casa de Memória, que se viu “ampliado” – o registro do Studio Geremia integra o enorme painel com as fotos da inauguração do templo.

- Lembro que falei: “o que eu estou fazendo aqui?”.

Na época, ninguém deu muita importância, e a foto do painel seguiu sem a identificação do garoto nas legendas – até o acaso nortear a revelação da última terça.

-  Após conversarmos rapidamente, padre Leonardo disse: “não vão embora sem falar comigo antes”.

O guardião das chaves agora tinha nome e sobrenome.

A inauguração em 2 de agosto de 1953. Foto: acervo Casa de Memória São Pelegrino, divulgação

Em 1953

Nascido em Encantado, em 1947, o pequeno Paulo Gilberto Bratti visitava Caxias regularmente no início dos anos 1950 para tratar de um problema de saúde.

Acompanhado da tia Alice Bertozzi, hoje com 97 anos, o garoto costumava hospedar-se na antiga casa paroquial, onde outra tia, Iracema Bertozzi (irmã de Alice), auxiliava o padre Giordani nas tarefas diárias. Uma dessas temporadas coincidiu com a inauguração da igreja, em 2 de agosto de 1953.

- Eu estava lá e acabei participando – conta, aos risos.

Paulo Gilberto Bratti na Igreja São Pelegrino, que ajudou a inaugurar em 1953, quando tinha cinco anos. Foto: Leonardo Inácio Pereira, divulgação

Em 1953: comunidade do bairro e da cidade lotaram as escadarias e arredores para a abertura. Foto: acervo Casa de Memória São Pelegrino, divulgação

Ligação com São Pelegrino

Morando por cerca de 12 anos na Casa Paroquial, o garoto logicamente teve a infância e juventude atreladas ao bairro São Pelegrino. Estudou na antiga sede do Colégio La Salle e, posteriormente, no Carmo e na antiga Faculdade de Economia, onde formou-se em 1970.

O casamento, em 17 de julho de 1976, obviamente ocorreu na igreja que ajudou a inaugurar, em 1953.

- Morava do lado, na Casa Paroquial, mas cheguei depois da noiva – gargalha.

Após a união com Maria Salete (in memoriam), os Bratti passaram a morar no Mato Grosso do Sul, onde nasceram os filhos Rafael e Clarissa. O retorno a Encantado deu-se em 2007, onde seu Paulo reside até hoje.

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Visitas guiadas para (re)descobrir a cidade

18 de agosto de 2015 0


Dois passeios guiados nesta terça (18) prometem conduzir o público a uma viagem pela arquitetura histórica da área central e pela obra do pintor italiano Aldo Locatelli em Caxias.

Os roteiros integram a Semana Municipal de Valorização do Patrimônio Histórico e Cultural e a programação da 8ª Semana de Fotografia. Confira:

Obras de Aldo Locatelli

Às 14h, a visita guiada (de ônibus) sai da Igreja do Santo Sepulcro (onde o Afresco da Ressurreição decora o fundo do altar), passa pela prefeitura (cenário para o imenso painel Do Itálico Berço à Nova Pátria Brasileira), chega à Capela das Irmãs Carmelitas (abrigo para o óleo sobre tela Natividade) e encerra-se na Igreja São Pelegrino, por volta de 17h.

Informações e inscrições na Divisão de Proteção ao Patrimônio Histórico e Cultural, pelo fone (54) 3901.1426.

Caminhos da Memória Noturno

Às 18h30min, a saída fotográfica orientada pelo arquiteto e urbanista Roberto Filippini parte do Museu Municipal (Rua Visconde de Pelotas, 586) e percorre o quarteirão em torno da Praça Dante Alighieri. Haverá acompanhamento da Guarda Municipal e da Brigada Militar.

Não há necessidade de inscrição, é só chegar…

Um passeio guiado pela memória das ruas.

Honraria especial no centenário de Locatelli

18 de agosto de 2015 0
Aldo Locatelli em 1959, quando esteve na cidade para a entrega dos prêmios do Salão de Artes Plásticas de Caxias do Sul. Foto: Studio Geremia, divulgação

Aldo Locatelli em 1959, quando esteve na cidade para a entrega dos prêmios do Salão de Artes Plásticas de Caxias do Sul. Foto: Studio Geremia, divulgação

Cenário para a obra máxima do pintor em Caxias, a Igreja São Pelegrino foi o local escolhido para a entrega da Honraria Especial Aldo Locatelli: 100 anos de História e Legado.

Por meio de indicações da comunidade ao Legislativo caxiense, serão homenageados nesta terça, 18 de agosto, dia do centenário de nascimento do artista, cinco nomes com forte envolvimento com sua obra. A iniciativa partiu do vereador Gustavo Toigo (PDT).

Também será exibido um documentário sobre a vida e a obra de Locatelli, produzido pelos jornalistas Fábio Rausch e Luiz Claudio Farias e pelo documentalista Eduardo Reis.

A solenidade, aberta ao público, ocorre a partir das 20h.

Confira os homenageados:

Alvino Brugalli
No início dos anos 1960, a pedido do padre Eugênio Giordani, participou da organização da Associação de Cultura e Arte Aldo Locatelli (Scala), fundada em 1964.

Emilio Sessa (1913-1990)
Pintor italiano que desenvolveu a parte decorativa em composição com os afrescos de Locatelli. Também executou a pintura das 14 Obras de Misericórdia (os chamados anjos das laterais do templo), cujo projeto e esboços foram concebidos por Locatelli.

Ivan Antonio Furlan
Desde 1999 preside a Associação de Cultura e Arte Aldo Locatelli (Scala), entidade filantrópica voltada a reunir recursos para manter a obra do artista. Entre as ações esteve o primeiro restauro da Igreja São Pelegrino, entre 2002 e 2009.

Padre Eugênio Giordani (1910-1985)
Primeiro pároco da Igreja São Pelegrino. Coube a ele contratar Locatelli para idealizar e pintar as obras sacras a partir de 1951. O padre idealizou a Associação de Cultura e Arte Aldo Locatelli (Scala), que, desde 1964, busca manter vivo o legado do artista.

Véra Stedile Zattera
Professora, pesquisadora e autora do livro Aldo Locatelli, publicado pela Editora da UCS em 1995. Em um amplo trabalho de pesquisa, mapeou a trajetória artística e pessoal do artista na Itália e no Brasil.

Aldo Locatelli: um centenário para lembrar e homenagear.

Incêndio danifica painel de Locatelli em 1992.

Solenidade ocorre a partir das 20h, na Igreja São Pelegrino. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Aldo Locatelli: um retrato em 1962

18 de agosto de 2015 0

O quadro de dona Diva Martinato, pintado por Aldo Locatelli em 1962, poucos meses antes de o pintor falecer. Foto: Guilherme Martinato, divulgação

Desde 1962, ano em que Aldo Locatelli faleceu, o óleo sobre tela de dona Diva Martinato, 87 anos, decora a sala do amplo apartamento da família. Foi lá que, durante dois dias de seu último ano de vida, o pintor italiano eternizou a esposa do empresário do ramo óptico Aldo Martinato (in memoriam).

Nesta terça, quando se celebra o centenário do artista, nascido em 18 de agosto de 1915, toda essa história ganha ares de ineditismo. Pela primeira vez, dona Diva recordou com precisão de detalhes a confecção da obra.

A tela foi pintada em momentos distintos: além dos dois dias na residência da família, Locatelli solicitou que sua modelo posasse durante mais dois no atelier localizado no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, onde morava.

O figurino foi escolhido pela própria: um vestido de gala e um leque. Cabelo e maquiagem também ficaram a cargo da jovem senhora de 34 anos.

– Ele praticamente não falava, pintava em silêncio. Mas fumava demais, acendia um cigarro atrás do outro – recorda dona Diva.

Morte poucos meses depois

O quadro surgiu meio por acaso. Um amigo em comum apresentou os Aldos durante um encontro. Após o pedido de Martinato –“o senhor não gostaria de pintar minha esposa?” –, Locatelli imediatamente deu início aos trabalhos.

Finalizadas as quatro sessões, o artista teria ligado ao empresário avisando da necessidade de voltar a Caxias para dar os retoques finais na tela. Não deu tempo. Locatelli faleceu em 3 de setembro de 1962, em Porto Alegre, deixando dona Diva “inacabada”.

Apreciando-se hoje, porém, talvez pouca gente perceba a ausência dos retoques finais: o quadro é perfeito. Pela data, acredita-se também que a tela seja um dos derradeiros retratos particulares encomendados ao pintor.

Quem sabe até o último…

Quadro decora a sala do apartamento de dona Diva Martinato desde 1962. Foto: Guilherme Martinato, divulgação

Detalhes

As araucárias ao fundo do quadro provavelmente foram inspiradas pelo cenário caxiense: da janela da sala dos Martinato avista-se parte do Mato Sartori.

Em 1952: Elyr Ramos Rodrigues, diretora da antiga Escola de Belas Artes, também foi retratada por Aldo Locatelli. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Três mulheres

Retratos particulares produzidos ou encomendados em Caxias foram pouquíssimos na época em que Locatelli realizou obras pela cidade, entre 1951 e 1958.

Em óleos sobre tela também foram eternizadas Elyr Ramos Rodrigues (diretora da antiga Escola de Belas Artes, em 1952, foto acima) e a artista plástica Valdira Danckwardt – que, quando estudante, inspirou ainda um dos anjos das Obras de Misericórdia, nas laterais da Igreja São Pelegrino.

Como Locatelli faleceu antes de retornar à cidade para retocar a obra, o pagamento pelo quadro de dona Diva Martinato foi recebido posteriormente pela viúva do pintor, dona Mercedes Biancheri. O pintor morreu vitimado por um câncer, atribuído ao fumo e ao forte odor das tintas que inalava diariamente.

Aldo Locatelli tinha apenas 47 anos.

Elyr Ramos Rodrigues: um óleo sobre tela em 1952.

Obra derradeira

A última obra de Aldo Locatelli foi a pintura inacabada do Sagrado Coração de Jesus, à esquerda da nave da Igreja da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Porto Alegre.

Incêndio danifica painel de Aldo Locatelli em 1992

24 de julho de 2015 0

Incêndio de 1992 destruiu telhado e atingiu o painel. Foto: acervo Núcleo de Artes Visuais de Caxias do Sul, divulgação

Às vésperas do centenário de nascimento de Aldo Locatelli, em 18 de agosto, recordamos de um episódio que por pouco não subtraiu uma das obras marcantes do pintor italiano em Caxias: o mural Do Itálico Berço à Nova Pátria Brasileira, inaugurado em 1954 junto ao antigo Pavilhão da Festa da Uva.

Em 17 de fevereiro de 1992, o painel foi parcialmente atingido pelo incêndio que destruiu a Câmara de Vereadores, então localizada no segundo e terceiro pavimentos da prefeitura.

Como o sinistro ocorreu à noite, a manhã seguinte e os dias posteriores foram de trabalho intenso não apenas para bombeiros e perícia, mas para as integrantes do Núcleo de Artes Visuais de Caxias do Sul (Navi).

Além de cobrir a pintura com uma lona, para minimizar os efeitos da chuva e do calor, as artistas recolheram os fragmentos que caíram da parede. Encomendada pelo empresário Julio Ungaretti para a Festa da Uva de 1954, a obra foi executada sobre argamassa de cal e areia e, enquanto ainda estava úmida, pintada a óleo por Aldo Locatelli.

Clique nas imagens para ampliar.

Nos dias subsequentes ao incêndio, artistas do Navi avaliaram os estragos. Foto: acervo Núcleo de Artes Visuais de Caxias do Sul, divulgação

Odete Garbin e Maria Tereza Stedile ajudaram a recolher os pedaços que caíram da parede. Foto: acervo Núcleo de Artes Visuais de Caxias do Sul, divulgação

Para proteger a obra da chuva e do sol, equipes cobriram o mural com uma lona. Foto: acervo Núcleo de Artes Visuais de Caxias do Sul, divulgação

As fotos

As imagens a seguir mostram um pouco daquele trabalho de resguardo, solicitado ao Navi pelo então prefeito Mansueto Serafini Filho. Acondicionados em caixas, os pedaços do painel foram levados pelas artistas plásticas Odete Garbin, Margarete Zanchin e Vera Martini, entre outras, para a sede do Núcleo, então presidido por Maria Tereza Stedile.

Os resquícios permaneceram na entidade por anos, até o início da recuperação, a cargo da restauradora Leila Sudbrack, de Porto Alegre.

Maria Tereza Stedile, Odete Garbin e Flávio José Aguzzoli avaliam os estragos e recolhem os pedaços do mural. Foto: acervo Núcleo de Artes Visuais de Caxias do Sul, divulgação

Depositário: artistas plásticas Odete Garbin, Margarete Zanchin e Vera Martini levaram os pedaços do mural para a sede do Navi, onde eles permaneceram por anos, até o início da restauração. Foto: acervo Núcleo de Artes Visuais de Caxias do Sul, divulgação

O restauro

O painel permaneceu abandonado por cinco anos, devido à escassez de verbas e a tentativas frustradas de auxílio junto à iniciativa privada.

Em 1997, a prefeitura e o Navi, então presidido por Teresinha Tregansin, encaminharam um projeto de restauro à Secretaria Estadual da Cultura, que habilitou o documento junto à Lei de Incentivo à Cultura. Os recursos, R$ 60 mil, foram arrecadados junto a empresas da região.

O trabalho iniciou-se em janeiro de 1998 e foi finalizado em fevereiro de 1999. Nesse período, o Navi, fiel depositário dos pedaços do painel, transformou-se em uma espécie de QG para a preparação das tintas e materiais utilizados pela restauradora Leila Sudbrack.

O painel foi entregue restaurado à comunidade caxiense em 10 de maio de 1999, sete anos após o incêndio.

Veja mais fotos do incêndio de 1992 clicando AQUI.

Clique nas imagens para ampliar e ver toda a extensão da obra.

O mural recuperado: uma obra a ser conferida no segundo pavimento da prefeitura. Foto: Roni Rigon

Homenagem

Do Itálico Berço à Nova Pátria Brasileira é uma homenagem do pintor à trajetória dos imigrantes que colonizaram a região.

O mural é formado por oito sequências que retratam a chegada dos italianos, o trabalho na vitivinicultura, a vindima, o lavrador semeando a terra e os operários atuando nas primeiras indústrias. O artista também faz menção aos índios que habitavam a região e aos gaúchos.

O painel possui 30,8m de extensão por 2,75m de altura.

Mural foi confeccionado por Aldo Locatelli especialmente para o novo pavilhão da Festa da Uva, inaugurado em 1954. Foto: Roni Rigon

Em 1962

Aldo Locatelli faleceu em 3 de setembro de 1962, oito anos após a confecção do mural.

Locatelli: um centenário para recordar.

Colaboração

Parte das informações e imagens desta coluna são uma colaboração da artista plástica Mara De Carli, atual presidente do Navi.

Aldo Locatelli: um centenário para recordar e homenagear

03 de julho de 2015 3

Em 1951: Locatelli dá os últimos retoques na pintura de São José com o Menino Jesus no colo. Foto: acervo Casa de Memória São Pelegrino, divulgação

A herança artística deixada por Aldo Locatelli em Caxias do Sul ganha evidência em 2015, quando o centenário de nascimento do pintor impulsiona várias homenagens.

Além de conferir a nova Casa de Memória São Pelegrino, prevista para reinaugurar no subsolo da igreja em 2 de agosto, a população pode participar da Honraria Especial Aldo Locatelli: 100 Anos de História e Legado.

A iniciativa da Câmara de Vereadores, via projeto do vereador Gustavo Toigo (PDT), busca reconhecer cinco personalidades da área das artes e do patrimônio histórico, cuja atuação dialogue com a vida e a obra de Locatelli. As sugestões podem ser enviadas ao e-mail honrariaaldolocatelli@camaracaxias.rs.gov.br, contendo o nome e o telefone de contato do votante.

Os nomes mais lembrados serão homenageados em uma sessão solene no Legislativo em 18 de agosto, data do nascimento do pintor em Bergamo, na Itália, em 1915.

Além de um diploma alusivo ao centenário, os homenageados ganharão uma espécie de réplica metálica de um pincel, com uma paleta contendo os dizeres: Pintor Aldo Locatelli (1915-2015): 100 Anos de História e Legado e Câmara Municipal de Caxias do Sul/RS.

A Câmara recebe as indicações até o dia 20 de julho.

Leia mais sobre a trajetória de Aldo Locatelli clicando AQUI.

Foto: Roni Rigon

Igreja São Pelegrino concentra uma das mais ricas produções de Aldo Locatelli no Rio Grande do Sul. Foto: Roni Rigon

A Casa de Memória

Embora o pintor tenha deixado sua marca também na Igreja do Santo Sepulcro, no Carmelo do Menino Jesus e no mural localizado junto ao antigo pavilhão da Festa da Uva (atual sede da prefeitura), é na Igreja São Pelegrino que sua obra impera.

É lá que o público poderá conferir o Espaço Aldo Locatelli, um dos destaques da nova Casa de Memória que reabre em 2 de agosto, data da tradicional festa de aniversário da paróquia.

O local contará com fotos, esboços originais das pinturas, sua história, as cartas trocadas entre Locatelli e o padre Eugênio Giordani e até os registros com os valores pagos pela obra.

Os andaimes que possibilitaram a execução da pintura do altar mor, ainda sem a obra “Os Quatro Evangelistas”, assinada pelo colega Emilio Sessa. Foto: acervo Casa de Memória São Pelegrino, divulgação

O altar-mor, com a Santa Ceia ao fundo, um dos destaques da Igreja São Pelegrino. Foto: Roni Rigon

Em 2003: a artista plástica Susana Fernandez atua na restauração da Criação do Cosmos, um dos afrescos do teto. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro

Telas recuperadas: em 2003, a artista plástica Fernanda Matschinske trabalhou na restauração das estações da Via Sacra, em Porto Alegre. Foto: Genaro Joner, banco de dados/Agência RBS

Entre 1951 e 1953

Os trabalhos de Aldo Locatelli na Igreja São Pelegrino iniciaram-se em 1951, com o mural da Santa Ceia – ela foi pintada em apenas 11 dias. Na sequência vieram o Juízo Final (no centro do teto), os 36 caixotões com os versos em latim do hino Dies Irae (O Dia da Ira), a Criação da Mulher, a Criação do Cosmos e a Expulsão de Adão e Eva do Paraíso.

Circundando a Santa Ceia, foram pintados mais dois afrescos: a aparição do Sagrado Coração à Santa Margarida Maria Alecoque (E) e a aparição de Nossa Senhora de Caravaggio à camponesa Joaneta (D). Com exceção da Via-Sacra, tudo foi concluído para a inauguração oficial do templo, em 2 de agosto de 1953.

Já entre 1958 e 1960, Locatelli dedicou-se à confecção de sua obra máxima. As 14 estações do flagelo de Cristo foram confeccionadas em seu atelier em Porto Alegre e inauguradas em 22 de maio de 1960, quando a comunidade caxiense prestava sua devoção a Nossa Senhora de Caravaggio.

Locatelli morreu apenas dois anos depois, em 3 de setembro de 1962, aos 47 anos.

Confira o vídeo original da inauguração da Via Sacra em 22 de maio de 1960 clicando AQUI.

Foto: reprodução

Um dos poucos retratos de Aldo Locatelli, nascido há 100 anos, em 18 de agosto de 1915. Foto: reprodução

Painel em bronze de Aldo Locatelli decora o acesso principal à Igreja São Pelegrino. Foto: Roni Rigon