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	<title>Memórias da Legalidade (Encerrado)</title>
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	<description>Espaço para os leitores que querem compartilhar experiências vividas durante o movimento desencadeado no Rio Grande do Sul em 1961</description>
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		<title>O registro do tenente</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Sep 2011 10:00:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luan Ott</dc:creator>
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O pai George Borba da Cunha conduziu militares em 1961. Confira:
Meu pai, segundo tenente na época, conduziu o 19 até seu ponto de vigília, no Rio Caveira, em Lages (SC), onde aguardavam ordens para dinamitar a ponte por onde poderiam entrar as tropas leais ao governo federal. Com uma presença de espírito incrível, ele... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/memoriasdalegalidade/2011/09/09/o-registro-do-tenente/?topo=13,1,1,,,13">Leia mais &#187;</a>]]></description>
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<p><strong>O pai George Borba da Cunha conduziu militares em 1961. Confira:</strong></p>
<p><em>Meu pai, segundo tenente na época, conduziu o 19 até seu ponto de vigília, no Rio Caveira, em Lages (SC), onde aguardavam ordens para dinamitar a ponte por onde poderiam entrar as tropas leais ao governo federal. Com uma presença de espírito incrível, ele tratou de levar a máquina fotográfica do batalhão para o campo de batalha e trouxe de lembrança algumas fotografias.  Em outra foto mais de perto le-se na placa a data 05 de set 1961. Quem se interessar, tenho a maioria delas digitalizadas.</em></p>
<p><em><a href="http://wp.clicrbs.com.br/memoriasdalegalidade/files/2011/09/06.jpg" rel="lightbox[31]"><img class="aligncenter size-full wp-image-32" src="http://wp.clicrbs.com.br/memoriasdalegalidade/files/2011/09/06.jpg" alt="" width="549" height="404" /></a><br />
</em></p>
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		<title>Encontro com Jango</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Sep 2011 13:38:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luan Ott</dc:creator>
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O leitor José Vilmar de Medeiros vivenciou o período em que o Movimento da Legalidade foi desencadeado e ficou frente a frente com João Goulart . Confira o relato:
 
Eu tinha 19 anos e servia no Grupamento de Fuzileiros Navais em Uruguaiana. Estávamos todos em forma na Rua Duque de Caxias daquela cidade, para... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/memoriasdalegalidade/2011/09/08/encontro-com-jango/?topo=13,1,1,,,13">Leia mais &#187;</a>]]></description>
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<p><br class="spacer_" /></p>
<p><strong>O leitor José Vilmar de Medeiros vivenciou o período em que o Movimento da Legalidade foi desencadeado e ficou frente a frente com João Goulart</strong><em><strong> </strong><strong>. Confira o relato:</strong><br />
 </em></p>
<p>Eu tinha 19 anos e servia no Grupamento de Fuzileiros Navais em Uruguaiana. Estávamos todos em forma na Rua Duque de Caxias daquela cidade, para desfilar em homenagem ao Dia do Soldado. Houve uma contra ordem, foi suspenso o desfile e fomos recolhidos para os quartéis, onde nós, fuzileiros, permanecemos já em prontidão, tendo a 6ª Companhia embarcado às 21h do mesmo dia, com destino ao Porto de Imbituba Santa Catarina.</p>
<p>O Grupamento de Fuzileiros Navais tinha duas Companhias: a 7ª, pertencendo a Uruguaiana, e a 6ª Companhia, que pertencia a Ladário Rio Grande do Norte, mas servia acantonada ao Grupamento de Uruguaiana.</p>
<p>Todos estes fatos iniciais da Legalidade aconteceram no dia 25 de agosto de 1961. Houve grandes movimentos de tropas, muitos efetivos deslocando-se até a divisa do nosso Estado com Santa Catarina, onde presumia-se um enfrentamento do 3º Exercito - Rio Grande do Sul - com o 1º Exercito que não queriam que o Pres. Jango assumisse.<br />
 Mas felizmente, tudo ficou nas escaramuças, mas escaramuças que serviram para torpedear do governo do Presidente Jango até 31 de março de 1964, quando os militares conseguiram assumir o poder, destituindo o então presidente que se refugiou no Uruguai. Sinceramente, ao ler a participação de outras pessoas, defini a minha participação como insignificante para o contexto de fato histórico tão importante. Mas mesmo assim sinto-me orgulhoso por ter tido a oportunidade de ser um grão de areia em uma ação que marcou o Rio Grande do Sul.</p>
<p><em>A foto aqui postada foi tirada em uma visita do presidente João Goulart feita ao Destacamento de Fuzileiros Navais, na cidade de São Borja, em 1962. Nela, eu como encarregado da Praça D'Armas - refeitório dos oficiais no Destacamento - servia cafezinho para o Presidente. Pena que aparece só a minha cabeça. Me perdoem, não pude resistir à intenção de ser identificado, por isso, coloquei uma seta em direção a minha cabeça.</em></p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/memoriasdalegalidade/files/2011/09/Veteranos-0051.jpg" rel="lightbox[30]"><img class="aligncenter size-full wp-image-29" src="http://wp.clicrbs.com.br/memoriasdalegalidade/files/2011/09/Veteranos-0051.jpg" alt="" width="540" height="378" /></a></p>
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		<title>Golpe contra a Legalidade</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Aug 2011 10:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luan Ott</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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Doutor em Política e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFPel, Daniel de Mendonça enviou artigo em que questiona a efetiva vitória da Campanha da Legalidade, liderada pelo então governador Leonel Brizola. “Para mim, ao contrário do que a maioria da historiografia nacional acredita, o que ocorreu entre 25 de agosto... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/memoriasdalegalidade/2011/08/26/golpe-contra-a-legalidade/?topo=13,1,1,,,13">Leia mais &#187;</a>]]></description>
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<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/memoriasdalegalidade/files/2011/08/DSC01956.jpg" rel="lightbox[26]"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-25" src="http://wp.clicrbs.com.br/memoriasdalegalidade/files/2011/08/DSC01956-150x150.jpg" alt="" width="115" height="115" /></a></p>
<p>Doutor em Política e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFPel, Daniel de Mendonça enviou artigo em que questiona a efetiva vitória da Campanha da Legalidade, liderada pelo então governador Leonel Brizola. “Para mim, ao contrário do que a maioria da historiografia nacional acredita, o que ocorreu entre 25 de agosto e 7 de setembro de 1961 foi um golpe contra as instituições democráticas brasileiras, ou seja, um golpe contra a Legalidade. Esta, inclusive, foi justamente a opinião do governador Brizola e dos deputados do PTB e PSB na Câmara, como demonstrado pela minha pesquisa”.</p>
<p>Confira o artigo:</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<div>
<object classid="d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="100" height="100" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="menu" value="false" /><param name="src" value="http://static.issuu.com/webembed/viewers/style1/v1/IssuuViewer.swf?mode=embed&amp;layout=http%3A%2F%2Fskin.issuu.com%2Fv%2Flight%2Flayout.xml&amp;showFlipBtn=true&amp;documentId=110825234508-f88d525a21804e0d99c46c0744dd43fe&amp;docName=artigo_pol_tica___sociedade&amp;username=luan.ott&amp;loadingInfoText=O%20golpe%20civil-militar%20de%201961%3A%20cr%C3%ADtica%20a%20uma%20explica%C3%A7%C3%A3o%20hegem%C3%B4nica&amp;et=1314316564358&amp;er=15" /><param name="flashvars" value="mode=embed&amp;layout=http%3A%2F%2Fskin.issuu.com%2Fv%2Flight%2Flayout.xml&amp;showFlipBtn=true&amp;documentId=110825234508-f88d525a21804e0d99c46c0744dd43fe&amp;docName=artigo_pol_tica___sociedade&amp;username=luan.ott&amp;loadingInfoText=O%20golpe%20civil-militar%20de%201961%3A%20cr%C3%ADtica%20a%20uma%20explica%C3%A7%C3%A3o%20hegem%C3%B4nica&amp;et=1314316564358&amp;er=15" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="100" height="100" src="http://static.issuu.com/webembed/viewers/style1/v1/IssuuViewer.swf?mode=embed&amp;layout=http%3A%2F%2Fskin.issuu.com%2Fv%2Flight%2Flayout.xml&amp;showFlipBtn=true&amp;documentId=110825234508-f88d525a21804e0d99c46c0744dd43fe&amp;docName=artigo_pol_tica___sociedade&amp;username=luan.ott&amp;loadingInfoText=O%20golpe%20civil-militar%20de%201961%3A%20cr%C3%ADtica%20a%20uma%20explica%C3%A7%C3%A3o%20hegem%C3%B4nica&amp;et=1314316564358&amp;er=15"></embed></object></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<div style="width: 420px;text-align: left"><a href="http://issuu.com/luan.ott/docs/artigo_pol_tica___sociedade?mode=embed&amp;layout=http%3A%2F%2Fskin.issuu.com%2Fv%2Flight%2Flayout.xml&amp;showFlipBtn=true" target="_blank">Open publication</a> - Free <a href="http://issuu.com" target="_blank">publishing</a> - <a href="http://issuu.com/search?q=artigo" target="_blank">More artigo</a></div>
</div>
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		<title>A participação popular no Movimento da Legalidade</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 10:00:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luan Ott</dc:creator>
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Miriam Diehl Ruas*
"...DE MIM NÃO SE AFASTOU O PENSAMENTO DE EVITAR A LUTA ENTRE IRMÃOS. TUDO FIZ PARA NÃO MARCAR COM O SANGUE GENEROSO DO POVO BRASILEIRO O CAMINHO QUE ME TROUXE À BRASÍLIA."
Foi com esta frase que, em seu discurso de posse, que João Goulart justificou a aceitação do Sistema Parlamentarista.
Passado meio século,... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/memoriasdalegalidade/2011/08/25/a-participacao-popular-no-movimento-da-legalidade/?topo=13,1,1,,,13">Leia mais &#187;</a>]]></description>
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<p><strong>Miriam Diehl Ruas*</strong></p>
<p><em>"...DE MIM NÃO SE AFASTOU O PENSAMENTO DE EVITAR A LUTA ENTRE IRMÃOS. TUDO FIZ PARA NÃO MARCAR COM O SANGUE GENEROSO DO POVO BRASILEIRO O CAMINHO QUE ME TROUXE À BRASÍLIA."</em></p>
<p>Foi com esta frase que, em seu discurso de posse, que João Goulart justificou a aceitação do Sistema Parlamentarista.</p>
<p>Passado meio século, a mensagem do presidente nos faz refletir sobre as dimensões que o Movimento da Legalidade tomava em termos de participação popular. Podemos dizer que foi um dos momentos de maior conscientização e participação das massas que nossa história viveu.</p>
<p>Diferenças sociais e econômicas foram superadas e o povo uniu-se em torno da liderança do governador Leonel Brizola, em defesa da posse do Presidente João Goulart, conforme estabelecia a Constituição Brasileira. O movimento conquistou , inclusive, a adesão de militares e extrapolou as fronteiras do nosso Estado, ameaçando tornar-se uma guerra civil.</p>
<p>Tive oportunidade de ver com meus próprios olhos, ainda infantis, os tanques e as barricadas em frente ao palácio Piratini, escutei a rádio da legalidade e percebi o envolvimento dos adultos com aquela causa.</p>
<p>Neste cinqüentenário, em que relembramos o Movimento da Legalidade, cabe destacar a participação popular como decisiva nos rumos da crise política que se instalou no país, diante da tentativa do Congresso Nacional (de maioria conservadora)e dos Ministros Militares de impedir a posse de Goulart.</p>
<p>A união e conscientização de todas as camadas sociais, participando ativamente na resolução da crise política, foi realidade graças ao caráter, à coragem , ao carisma e à credibilidade do nosso então governador Leonel Brizola, pilar que deflagrou, sustentou e expandiu o movimento pela posse do vice-presidente. Formaram-se inclusive, milícias populares, no dia da chegada de Goulart ao Brasil, os voluntários inscritos já somavam 500 mil pessoas.</p>
<p>Este envolvimento de diferentes grupos sociais nos destinos da Nação ainda estará presente no Plebiscito, realizado em janeiro de 1963, quando, com o percentual de 80% de votos favoráveis, a população brasileira votou pelo fim do sistema parlamentarista de governo.</p>
<p>E, será somente através de Atos Institucionais, perseguições, prisões e exílios que o governo instituído pelo Golpe de 1964 conseguirá deter a mobilização da opinião pública brasileira e o avanço da participação popular nos momentos decisivos da Nação.</p>
<p><strong>*Historiadora, especialista em História da América Latina(UFRGS) e professora aposentada</strong></p>
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		<title>Atualizando a Legalidade</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 09:40:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luan Ott</dc:creator>
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Adão Villaverde*
As comemorações conjuntas do Executivo e do Legislativo em torno dos 50 anos do Movimento da Legalidade coincidem com um momento muito singular, caracterizando um dos períodos mais longos de democracia na história política brasileira. E, também, de recuperação e de retomada das funções públicas do Estado.
Junto com os eventos alusivos a agosto... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/memoriasdalegalidade/2011/08/25/atualizando-a-legalidade/?topo=13,1,1,,,13">Leia mais &#187;</a>]]></description>
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<p><strong>Adão Villaverde*</strong></p>
<p>As comemorações conjuntas do Executivo e do Legislativo em torno dos 50 anos do Movimento da Legalidade coincidem com um momento muito singular, caracterizando um dos períodos mais longos de democracia na história política brasileira. E, também, de recuperação e de retomada das funções públicas do Estado.</p>
<p>Junto com os eventos alusivos a agosto e setembro de 1961, resgatamos também os principais fundamentos que deram origem àquele épico movimento, sobretudo as grandes reformas apontadas à época por João Goulart e que tiveram, antes, na Legalidade, liderada pelo governador Leonel Brizola, a simbologia de que poderia se consolidar a ideia de um projeto nacional em nosso país. Identificado com aqueles setores econômicos e sociais que vinham desempenhando um papel importante, não só social e econômico, mas também fixando a referência de um país que ganhava espaço do ponto de vista das relações internacionais.</p>
<p>Aquele período aliou também uma grande compreensão da sociedade de que era fundamental cumprir e manter a Constituição, cumprir e manter a defesa da ordem e cumprir e manter no comando do país aquele que detinha o direito constitucional com a renúncia do Jânio Quadros: o vice-presidente da República João Goulart, nosso Jango.</p>
<p>E não foi apenas um ato de bravura de quem comandava a resistência, defendia a posse de Jango contra a vontade dos militares e das elites temerosas dos avanços sociais e de quem estava entrincheirado no Palácio Piratini ameaçado pelo bombardeio aéreo militar. Foi também um evento com enorme apoio, ressonância e sustentação social, dando a dimensão e criando as condições para que, ao menos, fosse protelado aquele indesejável momento que infelizmente prosseguiu em nosso país com a ditadura implantada em 1964.</p>
<p>As grandes mudanças e transformações do curto período histórico da Era Vargas, recuperadas agora na entrada do terceiro milênio por nosso presidente Lula, constituem a essência do legado do Movimento da Legalidade e que nos permite vislumbrar, de novo, a realidade de um projeto de nação soberana, democrática e igualitária. A história recuperada serve também, portanto, para alentar novos sonhos com base na realidade.</p>
<p><strong>* Presidente da Assembleia Legislativa do RS</strong></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A Legalidade como paixão</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 09:40:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thamires Tancredi</dc:creator>
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JORGE BARCELLOS* 
A encenação de Legalidade, o musical, de Fernando Alabarse (ZH, 17/08), tem tudo para se transformar em nossa Paixão. Aqui, a analogia é com o espetáculo idealizado por Plínio Pacheco na Fazenda Nova em 1956, quando vislumbrou a construção de uma réplica de Jerusalém em pleno coração do agreste pernambucano para encenar... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/memoriasdalegalidade/2011/08/25/a-legalidade-como-paixao/?topo=13,1,1,,,13">Leia mais &#187;</a>]]></description>
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<p>JORGE BARCELLOS* </p>
<p>A encenação de Legalidade, o musical, de Fernando Alabarse (ZH, 17/08), tem tudo para se transformar em nossa Paixão. Aqui, a analogia é com o espetáculo idealizado por Plínio Pacheco na Fazenda Nova em 1956, quando vislumbrou a construção de uma réplica de Jerusalém em pleno coração do agreste pernambucano para encenar o espetáculo da Paixão de Cristo. A nossa Paixão, a Legalidade, finalmente tem um espetáculo à altura e a Praça da Matriz se transforma no semi-árido escolhido para levantar nossa cidade-teatro, emoldurada não por montanhas, mas pelas instituições políticas que participaram do levante de 61. </p>
<p>Como se sabe, o espetáculo religioso lá é uma sociedade privada na qual participam a Sociedade Teatral de Fazenda Nova que transformou Nova Jerusalém em patrimônio do povo de Pernanbuco. Da mesma forma, a encenação da Legalidade tem a chance de se tornar o acontecimento teatral do Rio Grande do Sul e a Praça da Matriz, de se transformar em Patrimônio Imaterial do Estado. Produto para emocionar turistas do Brasil e do mundo, com um palco espalhado pelo Palácio, Assembléia Legislativa e Catedral Metropolitana, a multidão seguirá os passos de Brizola e seus seguidores com som pirotécnico, iluminação, efeitos especiais e figurino, com renovação anual que garanta que mais turistas venham a capital. "Venha você fazer parte do maior espetáculo político da terra", dirão os outdoors.</p>
<p>Mas o que exatamente significa isto? O que nos leva a explorar o tema da Legalidade com tanto entusiasmo? Foram 12 dias de tensão política, é verdade, mas a cidade continuava sua vida. Os problemas com o transporte urbano, iluminação e abastecimento de água também. O cidadão que ouvia a rádio da Legalidade ia ao cinema e as matinês e via uma novidade, a televisão. Época do rock and roll, mas também dos concursos de beleza e de uma expansão exacerbada para a região leste e norte. Se havia tanto em Porto Alegre além da política, o que fez com que a Legalidade se transformasse em nosso objeto de culto e adoração?</p>
<p>Vivemos uma época de descrédito com a política. O desejo e o fazer político não se misturam. A Legalidade encarna, na concepção de René Girard, o desejo mimético do homem: como hoje não somos naturalmente levados a desejar a política, acreditamos que quem sabe vendo o desejo de outros homens por ela talvez recuperemos o nosso próprio desejo. Isto é o que o espetáculo que Alabarse está prestes a encenar encarna, e que ao que tudo indica, será outra de suas obras obras primas. Mas, no fundo, no fundo, tudo isto é carregado de melancolia: triste é a época que perde o desejo pela política. As comemorações pela Legalidade vem assim a ocupar esse espaço no imaginário, espaço de salvação.</p>
<p>É preciso sempre uma vitima expiatória para que surjam todas as instituições humanas, diz Girard. De alguma forma, é o papel que damos a Jango e Brizola na Legalidade. Como a Paixão de Cristo e o Cristianismo na história humana, esta história ocupa lugar decisivo na história política gaúcha, não porque seja a fonte de um espetáculo teatral brilhante, mas porque revela que nossa natureza política está baseada na defesa da democracia. É isto que devemos ensinar as novas gerações.</p>
<p><em><strong>* Doutorando em Educação/UFRGS</strong></em></p>
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		<title>A Legalidade narrada por Roessler</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 09:25:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thamires Tancredi</dc:creator>
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ELENITA MALTA PEREIRA* 
Nos 50 anos da Campanha da Legalidade, convém trazer à tona memórias e relatos sobre esse importante movimento. Henrique Luiz Roessler produziu uma interessante narrativa em carta datada de 31/08/61 à neta Marli Guinter, que se encontrava nos Estados Unidos, informando-a, com sua verve irônica, dos episódios no Rio Grande do... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/memoriasdalegalidade/2011/08/25/a-legalidade-narrada-por-roessler/?topo=13,1,1,,,13">Leia mais &#187;</a>]]></description>
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<p><strong>ELENITA MALTA PEREIRA* </strong></p>
<p>Nos 50 anos da Campanha da Legalidade, convém trazer à tona memórias e relatos sobre esse importante movimento. Henrique Luiz Roessler produziu uma interessante narrativa em carta datada de 31/08/61 à neta Marli Guinter, que se encontrava nos Estados Unidos, informando-a, com sua verve irônica, dos episódios no Rio Grande do Sul. Ex-Delegado Florestal e fundador da União Protetora da Natureza, Roessler estava decepcionado com a renúncia de Jânio Quadros, o qual admirava pelas leis favoráveis à natureza sancionadas como governador de São Paulo e, em seu curto mandato presidencial, por um decreto que regulava o despejo de resíduos industriais nos rios. </p>
<p>Segundo Roessler, "o desentendimento houve, quando Janio deu uma medalha para 'Che' Guevara, o que revoltou toda a nação". Mas o povo queria que o vice João Goulart assumisse, queria "o cumprimento da constituição e que se mantivesse a ordem democrática". Muitos largaram "o serviço e foram para as ruas e praças para apoiar Brizola". Quando os militares decidiram bombardear o Palácio Piratini, "a coisa ficou preta. Famílias fugiam, reinou a confusão" e, "os curiosos, em vez de se afastarem, correram à Praça da Matriz para assistir ao raríssimo espetáculo de um bombardeio (...), um bêbado deu três tiros, ferindo-se a si mesmo e dois outros, o que originou um grande pânico". As ruas centrais de Porto Alegre ficaram apinhadas de militares e civis, estes armados fortemente, "à procura de 'generais' para darem tiros, mas como agora eles se cambaram para o lado de Jango, não encontram outros para matar. Alguns carregam trabucos tão grandes na cintura, que chegam a caminhar curvados; exibem esses pequenos canhões nos cafés e se deixam fotografar, estão tristes porque não encontram alvos (generais). É uma verdadeira comédia". Os bancos fecharam e as mercadorias ficaram escassas, "todos estão se sortindo de gêneros alimentícios e já há falta de farinha de trigo e pão. A gasolina já foi toda requisitada pelas Forças Armadas". </p>
<p>Ao final da carta, Roessler lamentou: "é uma tristeza que a política não deixa a nossa Pátria sair da Era de Republiqueta da Banana. Mal está querendo se aprumar um pouco, como no governo de Jânio, já vem um baque brabo, que leva tudo para o fundo da lama de novo". No entanto, a situação se normalizou com a aprovação no Congresso de uma saída através do parlamentarismo e Jango foi empossado Presidente. Não era a solução ideal, mas pelo menos, não houve "derramamento de sangue", o que nem Jango nem Roessler queriam. </p>
<p>O legado do Movimento da Legalidade, 50 anos depois, é a vitória da democracia, mesmo que o golpe viesse três anos depois, num contexto bem diferente. Em 1961, a sociedade venceu e conseguiu fazer valer os valores democráticos, o que, ainda hoje, não devemos (jamais) perder de vista. </p>
<p>
<em><strong>* Doutoranda em História na UFRGS</strong></em></p>
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		<title>Um voo suicida na Legalidade</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 09:20:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luan Ott</dc:creator>
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Ney Fonseca*
Naquela manhã cinzenta de 31 de agosto de 1961, Leonel Brizola insone desceu ao porão da Legalidade. A seu lado o capitão Walter Nique, sua sombra e segurança. Brizola trazia a tiracolo, no braço direito uma negra metralhadora INA.
Os jornalistas que há dias viviam no porão do Palácio Piratini se agruparam junto ao... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/memoriasdalegalidade/2011/08/25/um-voo-suicida-na-legalidade/?topo=13,1,1,,,13">Leia mais &#187;</a>]]></description>
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<p><strong>Ney Fonseca*</strong></p>
<p>Naquela manhã cinzenta de 31 de agosto de 1961, Leonel Brizola insone desceu ao porão da Legalidade. A seu lado o capitão Walter Nique, sua sombra e segurança. Brizola trazia a tiracolo, no braço direito uma negra metralhadora INA.</p>
<p>Os jornalistas que há dias viviam no porão do Palácio Piratini se agruparam junto ao Governador. Como eu estava mais perto, de braços cruzados, Brizola descansou a mão sobre meu braço e pediu:</p>
<p>"Quero que vocês busquem o presidente João Goulart lá no Uruguai. Ele chega no fim da tarde em Montevidéu. Me tragam João Goulart".</p>
<p>Brizola nos instruiu para seguir de imediato para o aeroporto Salgado Filho. Havia um avião da Varig já abastecido para nos levar à Montevidéu.</p>
<p>Quando olhei o avião na pista nos aguardando quase tive um choque. Era um velho e restaurado Curtis Commander. Quem não se lembra? Estes Curtis eram aviões pesados, tinham formato de baleia. Fora muito utilizado na II Guerra Mundial pelo exército americano. Quando terminou o conflito grande parte destes aviões ficaram abandonados no deserto da Tunísia.</p>
<p>Para descartá-los o governo americano os vendiam a preço de banana. A Varig aproveitou e enviou um antigo piloto da companhia aérea para coordenar a restauração e trazê-los para Porto Alegre num vôo solitário.</p>
<p>Recordo daqueles enormes aviões de cor verde e com a estrela americana pousados no antigo aeroporto São João, agora oficinas da Varig.</p>
<p>Depois de alguns anos, descobri que um antigo piloto de guerra americano havia desistido de viajar para o interior do Estado quando soube que seu avião era um Curtis. " Este avião está proibido de voar sobre cidades nos Estados Unidos e assim mesmo só pode transportar gado. Este era o avião que nos transportaria ao encontro de Jango !</p>
<p>Mas antes aconteceram alguns incidentes no aeroporto. Primeiro foi o então deputado Tenório Cavalcanti, o " Homem da Capa Preta" e sua metralhadora Lurdinha que a pretexto de lutar pela Legalidade, insistia em se encontrar com Jango. Depois foi meu encontro com dois oficiais da FAB, meus conhecidos que ao ver insistiram em saber o que estávamos tramando. Desconversei e eles foram embora.</p>
<p>À bordo estavam meia dúzia de jornalistas, entre eles o Adauto Vasconcelos e o fotógrafo Assis Hofmann, ambos da Ùltima Hora.Mais o Dilamar Machado e o Rui Diniz, português meu colega de Revista do Globo, que estava asilado e perseguido por Salazar. Na década de 80 ele foi Adido de Imprensa na Embaixada de Portugal. Os outros, depois de 50 anos, não recordo.</p>
<p>Até pousarmos no aeroporto de Carrasco não tivemos nenhum problema. Quando o avião estacionou no terminal, soldados do exército uruguaio o rodearam. Um oficial do exército uruguaio entrou no avião e ordenou que poderíamos descer, mas teríamos que deixar as armas no interior do avião.Armas estas,que nos foram fornecidas no Porão do Palácio Piratini pela Fábrica Taurus para nossa defesa pessoal.</p>
<p>Mas, havia uma burocracia. Teríamos que ser vacinados. Enquanto Jango não chegava ficamos circulando pelo aeroporto. Foi então que lembrei que estava sem dinheiro, pois os bancos estavam fechados em Porto Alegre e eu não tive tempo de passar pela redação da Revista do Globo. Só tinha no bolso uma nota de 200 cruzeiros, daquelas verdes com a efinge de D. Pedro I. A nota sumiu num lanche de um cafezinho e um bom bom. O peso estava com a cotação alta.</p>
<p>Um grupo de uruguaios me cercou buscando informações sobre o que se passava no Rio Grande do Sul. Um mais afoito, propos que aconselhasse Brizola e se separar do Brasil, juntando-se ao Uruguai formando um grande país.</p>
<p>Na correria de fotógrafos, jornalistas indicaram que Jango desembarcara. Uma das fotografias de minha autoria foi tirada da sobreloja. Gritei para Jango e ele me olhou sorrindo no meio do povo.</p>
<p>A correria foi maior quando todos procuraram condução para o centro de Montevidéu. O Rui Diniz foi atrás de Jango e eu fiquei na retaguarda, no aeroporto aguardando a volta de Jango.</p>
<p>Já passava da meia noite quando alguns carros chegaram e com eles a notícia:Jango resolvera permanecer na Embaixada brasileira reunido com Tancredo Neves. Chegaria a Porto Alegre no dia seguinte voando num Caravelle da Varig.</p>
<p>Não havia alternativa. Teriamos que voltar a voar no " tijolo voador " para retornar à Porto Alegre.</p>
<p>Decolamos, sem o Adauto Vasconcelos e o Assis Hofmann que ficaram em Montévideu com Jango.</p>
<p>Depois de meia hora de vôo, notei que estávamos com as luzes apagadas. Olhei pela janela, para a escuridão e vi um morro passar rente. Curioso fui até a cabine e perguntei ao comandante o que estava acontecendo. Ele calmamente respondeu:</p>
<p>Estamos voando às escuras e em altitude mínima. Parece que os jatos militares " Glosters" estarão nos aguardando na fronteira.</p>
<p>Voávamos na escuridão da noite sobre o Rio Grande do Sul. Foi então que me lembrei. Como passaríamos de madrugada, sobre Porto Alegre coberta por artilharia anti aérea ? Alertei o comandante e ele fez uma grande curva e desceu no Salgado Filho pelo norte.</p>
<p>Chegamos sãos e salvos depois de um vôo praticamente suicida. Estávamos salvos, mas três anos mais tarde pagaríamos pela ousadia de nos rebelarmos.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><strong>* Jornalista</strong></p>
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		<title>50 anos de Legalidade: Janguistas x Brizolistas</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 09:10:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thamires Tancredi</dc:creator>
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OLIDES CANTON* 
Na tensa madrugada do dia 2 para 3 de abril de 1964,, antes de voar a São Borja e depois deixar o Brasil por longos 12 anos, Jango Goulart teve mais uma de suas tradicionais escaramuças com o cunhado, o então deputado federal do PTB pela Guanabara Leonel de Moura Brizola. Uma... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/memoriasdalegalidade/2011/08/25/50-anos-de-legalidade-janguistas-x-brizolistas/?topo=13,1,1,,,13">Leia mais &#187;</a>]]></description>
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<p><strong>OLIDES CANTON*</strong> </p>
<p>Na tensa madrugada do dia 2 para 3 de abril de 1964,, antes de voar a São Borja e depois deixar o Brasil por longos 12 anos, Jango Goulart teve mais uma de suas tradicionais escaramuças com o cunhado, o então deputado federal do PTB pela Guanabara Leonel de Moura Brizola. Uma rusga da qual restam poucas testemunhas...</p>
<p>O local do encontro dos dois foi na casa do então comandante do III Exército, que defendia a tese de que o presidente deveria resistir ao golpe que marchara contra seu mandato. Depois de ouvir do general um pequeno pronunciamento sobre com o que poderia contar para uma eventual resistência, com evidente derramamento de sangue, Jango disse mais ou menos ao seu comandado:  </p>
<p>- General, agradeço sua lealdade, mas eu vou para o exílio.Não quero derramamento de sangue.  </p>
<p>Já a Brizola, que queria que Jango o nomeasse ministro da Justiça e fizesse do comandante do III Exército seu ministro da Guerra, Jango dirigiu-se com palavras mais duras: </p>
<p>- Por ir atrás de tuas idéias que eu me encontro nesta situação.  Brizola, dizem as testemunhas, teria rebatido:</p>
<p>- Vai rengo filho da puta, tu nunca mais vais voltar vivo a este país (profecia que se concretizou...).  </p>
<p>Jango e Brizola somente vieram a se falar doze anos depois deste episódio. Pouco antes da morte de Jango - em 6 de dezembro de 1976 -, quando andava muito adoentado, refez as relações com o cunhado. Há duas versões para o reatamento: uma, de Josué Guimarães, diz que foi ele que os aproximou, levando o ex-presidente à casa na Rambla dos Armênios, em Montevidéu, onde Brizola residia com a mulher, Neusa Goulart. "Ajudei a refazer a velha amizade", disse num artigo no jornal O Nacional, de Tarso de Castro, em 1979, o próprio Josué. Já outra versão dá conta que o autor desta iniciativa seria outro exilado, Percy Quartieri Penalvo, amigo de ambos.  </p>
<p>Durante o exílio uruguaio, a discórdia dos cunhados se aprofundou. Ficaram este tempo todo incomunicáveis. Há testemunhas de que Jango não queria ver Brizola nem pintado de ouro. E a ele se referia por um palavrão...  </p>
<p>Uma certa feita, conta o contador de Jango, Fagundes, que ainda vive em São Borja, ele foi chamado por Jango para resolver um assunto de divisão de terras e teria recebido a seguinte recomendação: </p>
<p>- Faça tudo de modo que que eu não precise falar com o filho da puta do Brizola.  </p>
<p>A edição da revista Realidade, da editora Abril, na edição de junho de 1966, captou muito bem, por meio do repórter Luis Fernando Mercadante, a diáspora que Jango e Brizola viviam no exílio. Num exemplar que está guardado no Museu João Goulart, em São Borja, uma extensa reportagem assinada por Mercadante, conta detalhes de como viam os dois exilados, petebistas, mas separados pela mágoa: "Uma vala profunda, cavada através do tempo e recavada em vários episódios, separa hoje, mais do que nunca, dois políticos brasileiros asilados no Uruguai, ambos gaúchos, ambos jovens, ambos petebistas e até parentes: cunhados", enfatiza a reportagem.  </p>
<p>Os dois políticos viviam tão separados que os companheiros gaúchos que ia visitá-los tinham o cuidado de que um não soubesse que o visitante iria na casa do outro também... Dava ciumeira e mágoa.  </p>
<p>O então deputado do MDB gaúcho, Pedro Simon, por exemplo, nunca esteve com Jango no exílio. Esteve, isto sim, duas vezes com Leonel Brizola. Uma foi para a festa de casamento da filha do então exilado, Neusa Maria, morta recentemente.  </p>
<p>Estas picuinhas do exílio parecem não ter fim... Passaram para a terceira geração. Dias destes, o neto de Jango, Cristopher Goulart, chamou a atenção num artigo de que não estavam enfatizando a importância do avô no episódio da Legalidade... Exigia que, por justiça, seu avô também fosse lembrado nestes 50 anos do evento.  </p>
<p>O "frouxo" do Jango, como diziam os brizolistas, ou o porralouca do Brizola, como diziam os janguistas. A verdade é que os herdeiros dos dois principais protagonistas do episódio que agora completa 50 anos, e que para muitos historiadores é o principal evento do século passado no Rio Grande do Sul, apenas igualado à enchente de Porto Alegre de 1941, ainda disputam o que se chamaria o espólio, ou os dividendos da Legalidade.  </p>
<p>A paz entre " janguistas" e "brizolistas" só existe no Cemitério Jardim da Paz, em São Borja, onde os dois repousam, no túmulo da família Goulart. Bom, mas lá é a paz dos cemitérios, como diz o ditado popular.  </p>
<p>
<em><strong>*Jornalista</strong></em></p>
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		<title>Nós e a Legalidade</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 09:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luan Ott</dc:creator>
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Alcy Cheuiche*
Eu queimei a língua, como se dizia. Uma semana antes da renúncia de Jânio Quadros, afirmei a meu pai, veterano das revoluções de 1930 e 32: nossa geração não faria o que vocês fizeram. Ele sorriu e disse simplesmente: nós também pensávamos assim, até ver o povo gaúcho brigando para entrar no trem... <a href="http://wp.clicrbs.com.br/memoriasdalegalidade/2011/08/25/nos-e-a-legalidade/?topo=13,1,1,,,13">Leia mais &#187;</a>]]></description>
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<p><strong>Alcy Cheuiche*</strong></p>
<p>Eu queimei a língua, como se dizia. Uma semana antes da renúncia de Jânio Quadros, afirmei a meu pai, veterano das revoluções de 1930 e 32: nossa geração não faria o que vocês fizeram. Ele sorriu e disse simplesmente: nós também pensávamos assim, até ver o povo gaúcho brigando para entrar no trem de Getúlio Vargas. E minha mãe completou: as moças até vaiavam nas ruas os rapazes que não se apresentaram como voluntários.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>E eu vi, naqueles onze dias da Legalidade, colegas que só pareciam interessados nos bailes da Reitoria carregando faixas contra o golpe. Vi funcionários da Carris, com seus uniformes de trabalho, fazendo ordem unida e marchando em direção ao Piratini. Vi a fantástica unidade da Brigada Militar, nenhuma deserção em seus quadros, garantindo a façanha de Leonel Brizola. Ouvi pelo rádio o apelo do jovem governador, suas palavras que tocavam em nossos brios, que nos convocavam para impedir o golpe dos ministros militares. E fiquei ombro a ombro, na frente do Palácio, com homens e mulheres, de todas as idades, que dali não se afastaram, nem mesmo com as ameaças (muito reais) de bombardeio aéreo.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Até hoje, quando penso no Hino da Legalidade, é com a voz da minha avó materna que recordo as palavras que nos empolgavam: avante, brasileiros, de pé, unidos pela liberdade! Lembro dela, com mais de oitenta anos, os cabelos muito brancos, pegando sua bolsa e dizendo para os netos: se vocês não me levarem para a praça, eu irei sozinha. E ela foi e estava lá conosco quando Brizola e Machado Lopes apertaram suas mãos, selando a união civil e militar que garantiu a posse de João Goulart como Presidente da República.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Que opinião posso dar hoje, meio século depois, sobre o desfecho desse fantástico movimento popular? Eu tinha vinte anos, passara muitos dias com um revólver Colt 38 na cintura, o mesmo que meu pai usara em 1930 e 32, e ansiava por levar João Goulart até Brasília. E fiquei estupefato, como a multidão de cinquenta mil pessoas que o esperava na Praça da Matriz, quando ele apenas acenou e não disse uma palavra, nem de agradecimento, ao povo que se dispusera a morrer por ele.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Durante a longa viagem da China ao Brasil, Jango, que era um político experiente, discípulo de Getúlio Vargas, deve ter avaliado que nessa marcha para empossá-lo correria muito sangue (o que as últimas reportagens de ZH mostram que era verdade). Ele preferiu não empolgar mais a multidão e, mesmo podendo ser chamado de covarde, aceitou o caminho da conciliação. E assumiu com menos poderes num regime parlamentarista aprovado às pressas pelo Congresso Nacional.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Com vinte anos, eu jamais poderia aceitar aquele conchavo. Com setenta, penso que, se não fosse o bom senso de João Goulart, talvez eu não estivesse aqui para contar esta história.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><strong>*Escritor.</strong></p>
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