Guilherme Mazui, de Brasília
O conteúdo do voto do ministro-revisor Ricardo Lewandowski começa a deixá-lo isolado na Corte. Ao questionar em série a existência do mensalão, da compra de apoio político no Congresso, ao alegar que as acusações contra José Dirceu foram "cabalmente desmentidas" pela defesa do ex-ministro da Casa Civil, o revisor vem sendo questionado por seus pares.
Ayres Britto, Celso de Mello, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello interromperam a leitura do voto do colega para apontar trechos contraditórios. O ponto central: se Lewandowski condenou os deputados que receberam dinheiro por corrupção passiva e condenou Delúbio Soares por corrupção ativa, quem seria a cabeça do esquema?
— Vossa excelência imagina que o tesoureiro de um partido político teria essa autonomia? — questionou Marco Aurélio.
O revisor voltou a repetir que condenou os deputados por "se curvar" a decisão do colegiado, que indica o simples recebimento de vantagem indevida como prática suficiente para o crime de corrupção passiva. Assim, quem recebeu, errou. Por não acreditar na existência do mensalão, Lewandowski deixa em aberto o topo da cadeia do esquema. Para ele, o dinheiro teve fins variados, quem sabe, a compra de votos, fato que carece de provas na denúncia.
— Não há nenhuma contradição no meu voto, nenhuma — insiste o revisor.