
"Antigamente, a mãe era aquela que disponibilizava o seu tempo integral para cuidar dos filhos. Com a inserção da mulher no mercado de trabalho, hoje quase uma necessidade no matrimônio, algumas lacunas precisam ser pensadas. As responsabilidades aumentaram e as exigências sobre ela também. Então, ser uma mãe eficiente, profissional exemplar, uma ótima dona de casa e é claro uma excelente esposa faz parte dos mandamentos da mulher moderna. Mas qual o mandamento para educar?
Hoje, os filhos marcados por uma educação individualista estão dotados de incertezas, pois, os pais, por não saberem dos seus próprios limites se apropriaram de idéias prontas, pré-concebidas, de um consumo que por hora satisfaz o vazio.
Os brinquedos se globalizaram, ocupando um lugar que pertenciam aos pais. O excesso de estímulos deixa a criança sem contorno, um mundo de "posso tudo, mas não tenho nada". Estes são os traços estampados nos olhos de cada uma. O alcance imaginário que o brinquedo da atualidade proporciona, garante a criança uma fantasia ilimitada de poder, de vencedor, ele não precisa criar um personagem, este vem pronto é só ligá-lo e comandar.
A criatividade, a imaginação, se fragmentou na multiciplicidade de opções ilusórias criada pela sociedade que não dá mais conta da falta, da falta de algo que ela mesma não compreende, mas que poderíamos dar o nome de angústia.
A combinação destes fatores desenvolve a dificuldade do indivíduo em tolerar a frustração. No momento em que os pais, submersos à sua criança interna, perdidos psiquicamente em um invólucro de sentimentos incompreendidos de uma criança que na época não tinha espaço para falar, pensar e agir.
E hoje, dominado pela sociedade ampla, desteminada, garantida pela tecnologia, perde as arestas do limite, deixa seus filhos engessados, entre as bases do tudo ou nada. Assim, ou o indivíduo é feliz porque tem o poder, ou ele é infeliz, taxado de baixa auto- estima, por não tê-lo.
Os pais, anestesiados pelo desfile de tantas novidades, negam que tem uma história, um passado, uma genética que não permite esquecer sua origem. Todavia, sem este espaço nobre para manifestarem-se de forma saudável, regem-se então pelo acting out, no qual manifestam suas faltas, seus vazios, pela ação.
Muitas vezes, então, aparecem os crimes bárbaros, dos quais as pessoas ficam surpresas, desesperadas, tentando achar uma explicação, mergulhadas na homogeneidade cultural do pensamento. Assustadas, diante de uma soberana impotência de não conseguir simplesmente colocar um off neste episódio, tal qual a criança de hoje poderia somente desligar o game e ir jantar.
Assim, pais e filhos destituídos deste poder, sentem-se intolerantes, esvaziados e inconformados pela certeza de que possuem limites, e que não conseguem mudar o que foi feito. Resta apenas enlouquecer, destruir o que já a muito estava dentro de si, o sentido das coisas, que até agora não tinha nome, mas que se transformou em pedido de socorro.
Pensamos que para muitos, este pedido de socorro tem sua origem lá no início da vida, quando, repetida vezes, através do choro, a criança clamava pela atenção da mãe, e esta, muito ocupada, deixava a criança mergulhada no nada, num eco que não lhe devolvia nada, além de sua própria voz.
Será que este adulto de hoje não está repetindo este mesmo choro, esta emancipação precoce afetiva entre pais e filhos que de alguma forma subtraíram o significado do vínculo afetivo? "
Mariza Tessa, psicóloga clínica, e Denise Barbarioli, psicóloga clínica
Postado por Anelise







Muito pessismista o texto, centrado no esteriótipo da tal mulher contemporânea da classe média alta da metrópole. A tecnologia ajuda muito, desde que não nos deixemos levar por ela como um fim. A longevidade permite maior liberdade de escolha sobre o momento de ter filhos. Planejamento e maturidade (leia-se: libertar-se do narcisismo)são essenciais. O personagem que dá título ao blog agradece. Aliás, ele, e não as mamães em conflito com a carreira, deveria ser o protagonista.