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Amor de vó é amor em dobro

26 de maio de 2009 6

 

“Levantei cedo, arrumei uma pequena bolsa com o essencial para dois dias. A minha rotina nunca mais seria a mesma, disso eu tinha certeza. Passavam das 9h quando entramos na freeway, rumo à Capital. Uma viagem tranqüila, observando as belezas naturais de nossa região e, de vez em quando, alguma conversa para passar o tempo na viagem de uma hora.

Murilo, meu filho, na direção, Simone, minha nora, ao lado, sentada confortavelmente com a barriga enorme que dentro carregava meu neto, a continuidade de meu filho. Eu, no banco de trás, já imaginando as horas de pura emoção que me aguardavam.

Na recepção do Hospital Divina Providência, que fica nos Altos da Glória em Porto Alegre, enquanto eles passavam pelo protocolo de internação, eu era a ansiedade em pessoa. Nesse tempo fiquei conversando assuntos banais com um senhor que também aguardava por alguém. Foi providencial a conversa no sentido de me acalmar. Faltavam poucas horas para a chegada de meu neto.

Um recepcionista nos encaminha até a porta do elevador, informando que deveríamos descer no terceiro andar. Simone foi levada para ser preparada para a cesariana que estava marcada para as 13h. Murilo e eu ficamos sentados na sala de espera, que possui uma janela onde se observa toda a movimentação no berçário.

As crianças nascem e, imediatamente, são levadas para esta sala, onde os médicos pediatras as examinam e estando tudo bem, são banhadas, vestidas e entregues às suas respectivas mães, isso tudo tendo a participação efetiva dos pais. Murilo foi chamado para também se preparar para acompanhar a cesárea.

Chegam César, o padrinho de Murilinho e Dona Eloi, a outra avó e foi muito bom ter a companhia deles, eu não queria ficar sozinha neste momento de espera. Eram 14h e meu neto não chegava. Sentei numa poltrona exatamente em frente à janela, eu estava tão tensa com a demora, que cheguei a morder o próprio lábio.

Pensamentos de todos os tipos, medos, angústia, sentimentos antagônicos, inexplicáveis. Então aconteceu a cena que eu tanto esperava. Vi meu filho, com aquela roupa que parecia um médico, entrando com meu neto nos braços. Corri até o vidro e fiquei a olhar, desabando em lágrimas. Meus pensamentos voltaram para remotos 25 anos atrás quando dei à luz a meu filho. Meu neto é idêntico. Nasceu às 13h59min, pesando 3,5 quilos, lindo, perfeito. Diante do milagre da vida, eu celebro a vida, que apesar dos tempos modernos é igual desde que o mundo é mundo.

Ahhh meu neto, quero ser uma criança grande a brincar com você. Quero ter todo o tempo do mundo para ser tua companheira de recreio.

Venha logo, estou aqui te esperando para brincar de futuro. Dizer-te o quanto vale a pena viver, conhecer pessoas, sorrir, sofrer decepções, deixar rolar uma lágrima, aprender com um bom livro, com amigos, com os sábios e até mesmo com os ignorantes.

Quero andar nas calçadas com você pela mão, te mostrando a beleza dos dias, o encanto do viver, do quanto é fundamental ter esperança e fé.

Estou te esperando meu neto, neste meio de outono. Quero te esquentar no inverno, te apresentar às flores na chegada da primavera, te mostrar o mar no verão. Quero sentir a plenitude de estar viva e querer envelhecer sempre ouvindo você dizer: Vovó.”

 

Silma Terra é a vovó-coruja do Murilinho, que nasceu no dia 29 de abril. Ele teve pneumonia, mas já está em casa se recuperando e com saúde!

Postado por Anelise

Comentários (6)

  • Catia Durão diz: 9 de junho de 2009

    Parabéns pelo texto!!!Muito lindo e sublime o amor q tens pelo Murilinho…sejas muito feliz e que Deus os abençõe!!!
    Abraços

  • Patricia Santos de Lima diz: 26 de maio de 2009

    Lindo e emocionante! Parabéns Vovó. Tuas palavras emocionam.

  • Silma Borges Terra diz: 26 de maio de 2009

    Ola Luiz Fernando, bem se vê a distância entre homem e mulher, pai e mãe, avô e avó….Você não entendeu nadinha…. Eu apenas expus um sentimento único que é de ser avó,num texto, numa crônica, num conto …. ser avó é ser mãe com açúcar, é amar em dobro, principalmente após vencer um câncer como eu venci…apenas isso… nada de terapia meu querido, isso é apenas alegria de estar viva e poder ter meus neto nos meus braços…é AMOR…. beijos

  • Francieli diz: 26 de maio de 2009

    Luiz Fernando, o teu comentário é sem validade já que tu nasceu homem e nunca sentirá a plenitude de ter um filho de ” ser mãe”, quem precisa de uma terapia é você, o que a dona Silma descreveu foi muito emocionante e demonstra o amor e a expectativa de contribuir para a evolução de um ser humano, seu neto.

  • Luiz Fernando diz: 26 de maio de 2009

    A avó não vai gostar do meu conselho, mas o melhor é não deixar toda essa empolgação interferir na relação dos pais, especialmente da mãe, com o seu neto. Se a avó tem essa necessidade de ser quase mãe de novo do filho do seu filho, talvez esteja precisando de uma terapia.

  • Caroline diz: 24 de outubro de 2012

    Silmaaaa *-* que texto maravilhoso!!! quase pude sentir sua emocao! parabéns tardio pelo seu neto, pois que so hoje tomei conhecimento de sua nota, porem merecedor e com louvor é um menino lindo seu princepezinho. Que Deus possa sempre abencoar e iluminar os caminhos deste pequeno e sejas sempre motivo de alegria no seio do lar!
    Em breve terei sentimento semelhante, pois que a namorada de meu enteado esta prestes a dar a luz a pequena Mehl, que ja aguardo com tanto anseio. Tomei a liberdade de copiar um trecho do seu texto com algumas midificacoes e espero que nao se importe, pois veio bem como oque eu procurava ha tempo para me expressar e nao sabia. Grandes beijos a ti, que tbm me parece uma pessoa linda!

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