Muita gente pediu e a gente aceitou. Abaixo, estamos reproduzindo a entrevista completa com a polêmica atriz Maria Mariana, que acredita que as mulheres só são felizes e completas se casarem e tiverem filhos.
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QUEM É ELA
Aos 19 anos, Maria Mariana queria expor ao mundo os medos e as descobertas que viveu no momento mais efervescente da vida. Escreveu a peça Confissões de Adolescente, que ficou 10 anos em cartaz, virou livro e série de TV.
Ao chegar à idade adulta, a rebeldia a fez mudar de rumo. A atriz, filha do cineasta Domingos Oliveira, famoso nome da contracultura, abdicou do trabalho, trocou o Rio por uma cidade menor, se casou. Em sete anos, viu nascer Clara, Laura, Gabriel, Isabel e, claro, uma mãe.
Depois de quase uma década longe dos palcos e da TV, Maria Mariana está de volta. Ela lança o livro "Confissões de Mãe" (Editora Agir Equilíbrio, R$ 29,90), uma espécie de diário que resgata os valores da maternidade.
Nas 96 páginas, relatos e lembranças levantam polêmicas sobre o universo materno, como a importância dos filhos na vida das mulheres que, para ela, aliada ao casamento, é a única forma de obter a felicidade.
ENTREVISTA:
Meu Filho _ Em Confissões de Adolescente, você apresentou os percalços da idade de forma rebelde. Hoje, depois de quatro filhos, e de um afastamento da vida pública, Confissões de Mãe surge como uma obra conservadora. O que mudou?
Maria Mariana _ O primeiro livro é um diário com textos que falavam de histórias de adolescente, época em que saímos do ninho familiar e fazemos opções. Confissões de Mãe são reflexões a partir do nascimento da minha primeira filha. Não mudei meus pensamentos, mas, na adolescência, estamos saindo para o mundo e, ao longo do tempo, começamos a chegar mais perto de nossas escolhas.
Meu Filho _ Seu pai (Domingos de Oliveira) é conhecido por defender a contracultura e os casamentos abertos. Como ele reagiu as suas mudanças?
Maria Mariana _ Meu pai ficava com saudade de me ver trabalhar, queria que eu desse continuidade ao que fazia. Mas ele percebia que eu estava muito feliz cuidando dos meus filhos. Eu não saberia fazer de outra forma, porque, neste tempo, só soube pensar na maternidade. Tudo tem seu tempo, e agora volto a trabalhar. O livro é um reconhecimento do trabalho de mãe.
Meu Filho _ Em sete anos, nasceram quatro crianças. Qual o grande aprendizado?
Maria Mariana _ Cada filho traz conhecimento e faz a gente ir para frente. O primeiro filho é um marco, nasce a mãe, os avós, a casa, tudo o que envolve a criança. O segundo é uma afirmação do casal, como uma cerimônia do casamento. Além disso, o casal afirma que o relacionamento está dando certo. O terceiro filho é uma afirmação da mulher, ela percebe que tem vocação para ser mãe. Mas é preciso que ela goste de ser mãe e tenha amor por isso. E o quarto filho vem como uma determinação superior mesmo. Alguma coisa em mim dizia que era preciso ter mais um. O quarto filho decide chegar, sem pedir licença. Cada filho é uma experiência para sempre.
Meu Filho _ O parto é descrito no livro como um momento fundamental para a mulher. O que é essencial?
Maria Mariana _ Aprendi a importância do parto com o tempo. É fundamental se preparar. As pessoas falam de como e quando o bebê vai nascer, mas a mãe precisa nascer também. A mãe precisa nascer porque adquirimos outro corpo. É preciso que o parto aconteça e, quando a mãe se permite viver parto natural, vive em si mesma. É quando a mãe nasce. É importante ter saúde física e emocional, permitir-se entrar no trabalho de parto, fazer-se despertar, acorda a mãe que existe dentro da mulher.
Meu Filho _ Como adolescente contestadora e mãe tradicional, você imagina como será a adolescência dos seus filhos?
Maria Mariana _ Já estou fazendo um trabalho pela adolescência deles. Minha amizade, respeito, confiança e o conhecimento que tenho deles é um começo. Temos a chance de fortalecer as bases desde o começo da vida deles. Estou investindo nisto para que, na adolescência, eles me sintam como amiga, tenham confiança também. E espero que sejam contestadores porque precisamos chegar às conclusões por nós mesmos. Mãe é para sempre, enquanto eu viver estarei orientando eles.Meu Filho _ Na sua opinião, toda mulher deve ser mãe?
Maria Mariana _ Faço uma defesa e um elogio à maternidade. Não quero ser polêmica, agressiva, mas sei que o assunto é polêmico porque hoje a sociedade exige que a mulher administre a carreira. Ser mãe não é uma opção. É um degrau que a mulher tem de subir se quiser ir para frente. Na história da mulher que quer evoluir, ter mais paz, entender sentido da vida e melhorar, é necessário passar pela maternidade. Tem mulher que não quer subir em seu caminho, mas é feliz com isso. Eu respeito. Para trabalharmos valores do feminino, do servir, do auxiliar, do encontrar sentido para a vida, somente com a maternidade, que é a melhor escolha.
Meu Filho_ Você é contra a ideia de que é preciso curtir a vida e trabalhar muito antes de ter um filho. Na sua opinião, quando é a hora de ter um um filho?
Maria Mariana _ Nada é motivo para decidir a hora certa de ser mãe. Estamos mais prontas entre os 20 e 30 anos, mas acho que o único quesito importante é encontrar um pai. Esse amor do casal é tudo que a pessoa precisa, o resto vem junto. Há muitos casos de mulheres contando dinheiro, se planejando, e quando o filho vem, as portas se abrem. Elas ganham autoconfiança, firmeza e coragem, valores fundamentais para encaminhar a vida profissional.
TRECHOS DO LIVRO
"Cabe à mãe abrir os canais de amor na percepção emocional do filho. Mostrar a força do amor que tudo pode resolver. Cabem muitos conhecimentos no coração de uma mãe e o filho merece todos eles.
Ser mãe é uma tarefa 24 horas, durante toda a vida. Que tal? Sem férias. A remuneração é o sorriso do cliente, que na maioria dos casos é extremamente exigente. Uma boa mãe está sempre trabalhando por seu filho. Seu espírito se mantém conectado através de um cordão umbilical misterioso e eterno." (página 30)
"... ser mãe é a missão que temos a cumprir! Nossas vivências maternais são o chão que nos deram para caminhar. Umas vivem para fugir, outras para se revoltar, outras para se harmonizar, mas todas nós estamos nesse mesmo barco. A caminhada para a mulher fica mais fácil quando ela entende e aceita essa realidade! Ser mãe é o que de mais importante podemos fazer aqui na Terra". (página 34)
"Um casal, ao casar, vislumbra a união homem-mulher. Mas apenas quando chegam os filhos é que a força do casal aparece. Homem e mulher, então, casam verdadeiramente.
Uma vez diante do filho, é preciso que você esteja pronta para se unir ao companheiro para todo o sempre, perante a eternidade. Diante do filho, sim, o casal estará unido na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na alegria e na tristeza. É um casamento espiritual, que independe do sim ou do não. Para o qual não tem divórcio. Mesmo fisicamente separados, o espírito do homem e o da mulher permanecerão juntos eternamente, refletidos na existência do filho." (página 54)
Postado por Anelise
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