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Infância e consumo nos tempos modernos

22 de junho de 2009 2

(foto: Jefferson Botega, ZH)

Aproveitando o texto que publicamos hoje sobre consumo infantil, a orientadora pedagógica da escola Cinco Estrelinhas, Maria Inês Galvez Ruiz Costa, nos enviou este artigo.

“A presença da mídia na vida cultural e social eé uma característica central dos tempos atuais. Esta forte presença sobre o desenvolvimento infantil, através de múltiplos canais de acesso de diferentes conteúdos, a partir de vertiginoso volume e velocidade de informação, não pode mais ser colocada em segundo plano do âmbito das discussões, na medida em que crianças e adolescentes são, quase que constantemente, instigados a olhar e a perceber o mundo, a partir da visão proposta pelos meios de comunicação.

Infelizmente, o quadro brasileiro aponta para um déficit em relação à omissão do poder público — seja no que se refere à produção de conteúdos de qualidade para a infância e adolescência, quanto na adoção de medidas mais eficientes para proteção destas no que se refere ao impacto do material, muitas vezes nocivo, que vem sendo veiculado.

Em contrapartida, encontramos inúmeros pesquisadores em todas as partes do mundo, produzindo conhecimento sobre as interfaces do relacionamento da infância e mídia construindo um patrimônio de fontes de pesquisa e estudos nas áreas da Educação, Sociologia, Psicologia, Comunicação e outras.

Com frequência, encontramos na mídia significativas influências ao consumismo infantil, uma prática sexual pouco responsável e comportamentos discriminatórios enquanto fatores de estímulo.

Mobilizada por esta temática, a equipe da Escola Cinco Estrelinhas como tomadora de decisão, desempenhando seu papel de formadora, promoveu um debate sobre o filme: Criança, a alma do negócio.

Entre várias abordagens teóricas, depoimentos de pais e crianças, os participantes da sessão evidenciaram a posição de destaque, enfatizando a participação da mídia na alteração das condições dos processos de construção social da realidade das crianças constituindo crenças, valores, hábitos e sentidos de pertencimento a uma representação daquilo que desejam ser.

Por considerar a peculiaridade do público infantil, já que suas noções de realidade e ficção estão em formação, manifestamos nossa preocupação e perguntamos: quais referenciais de realidade as crianças estão sendo estimuladas a formar em sua relação com a publicidade? Como transitam neste território? O que a publicidade está a dizer sobre a infância quando faz uso da sua imagem? Que lugar social a criança ocupa nas relações de produção e consumo?

Na medida em que encontramos estas e outras respostas para nossas inquietações passamos a entender quer esculpida por campanhas publicitárias, a infância, que circula em diferentes caminhos, reflete mudanças profundas nos campos social, econômico e educacional. A publicidade, neste sentido então, se constitui uma das esferas mais avançadas da produção de imagens passando a ser uma pedagogia que ensina as crianças, uma visão de mundo e de valores ao mesmo tempo em que ensina, também, quais comportamentos são socialmente aceitáveis e quais são inaceitáveis.

Colocados como objetos de consumo _ os brinquedos, os livros, os materiais escolares, os lugares para festas, a moda, a música, celulares, e outros se apresentam no discurso publicitário, com qualidades de “coisas de infância”, de tal forma que usufruir daquele bem implica diretamente adquirir certa identidade: frequentar determinado lugar, usar determinado tipo de roupa ou acessório como determinada mochila de tal marca, significa “um modo de ser criança”, ou ser identificado como detentor de certas qualidades percebidas socialmente; assim, submetidos a essa magia, todos nos reconhecemos de um modo ou de outro nas identidades que circulam nos anúncios.

Uma mudança significativa na vivência da infância e da adolescência é necessária nesse contexto midiático. Referimo-nos aqui não somente ao aspecto da qualidade, mas também de quantidade dos processos de produção e subjetividades associados à publicidade na diluição de fronteiras entre adultos e crianças.”

Postado por Anelise

Comentários (2)

  • Luiz Fernando diz: 22 de junho de 2009

    O tema é interessante e oportuno. Na maioria das vezes, os objetos adquiridos pelos pais substituem o afeto que são incapazes de fornecer aos filhos. O afeto inadequado e insuficiente está na base dos problemas de identidade, e o consumismo entra como consequencia e tentativa de compensação. A exposição da mente infantil desde cedo ao consumismo favorece a formação de personalidades com fortes traços narcisistas e individualistas na idade adulta, perpetuando o ciclo nas gerações seguintes.

  • Rosane diz: 22 de junho de 2009

    É isso. Às vezes me pego incorrendo nesse erro… inconsciente… ou não… procuro corrigir com afeto, presença… é um constante monitoramento para não se perder no turbilhão…

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