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Eu preciso tanto...

23 de junho de 2009 1

Conversamos um pouquinho com a autora do livro infantil Eu Preciso Tanto, Shirley Souza

Meu Filho _ Como surgiu a ideia de fazer um livro sobre consumismo infantil?

Shirley Souza _ Eu já havia escrito o "Eu quero! Eu quero!" para essa mesma coleção da Escala Educacional, que trata o mesmo tema com as crianças menores, que estão na fase da birra, quando defendem aos berros suas vontades. Este livro é muito bem aceito nas escolas e eu achava que precisava aprofundar a reflexão sobre o consumismo com os mais velhos, que já são capazes de entender a diferença entre "querer" e "precisar", mas que continuam usando qualquer recurso para conseguir o que querem.

As crianças, cada vez mais, são vistas como consumidoras e formadoras de opinião no núcleo familiar e isso é usado intensamente pelo mercado e pela propaganda. Eu não sabia muito bem que caminho seguir até que vivi uma cena com a filha de uma amiga minha, de sete anos, que estava agoniada por que não conseguia decidir entre dois brinquedos. Ela queria os dois, não aceitava a necessidade da escolha e justificava: "Mas eu preciso tanto dos dois!!!". Pronto, achei o caminho: trabalhar a diferença já citada entre o "querer" e o "precisar".

Meu Filho _ Na sua opinião, como os pais podem ajudar os filhos a repensar o consumo exagerado?

Shirley Souza _ Penso que um bom caminho é esse apresentado no livro, fazer o filho pensar sobre a necessidade e a utilidade do que consome. No livro há o caso de um garoto que compra pacotes de salgadinhos, mas não come nenhum, porque não gosta. O que ele quer são as figurinhas que vêm dentro dos pacotes... A questão é bem essa, a criança precisa pensar sobre seus desejos e identificar por que quer comprar determinado produto. A postura dos pais deve ser atenta, aberta ao diálogo e, principalmente, não ceder a todos os desejos infantis. É preciso pensar sobre o consumo desde cedo e conversar sobre ele em todas as ocasiões possíveis.

Meu Filho _ Qual a semelhança da personagem Gabriela com as crianças de hoje em dia?

Shirley Souza _ O livro é rico em personagens inspirados nas crianças reais. A Gabi não é um tipo idealizado de criança, ela tem desejos de consumo, quer que os pais comprem tudo o que ela pedir, mas, por outro lado, tem um acompanhamento atento dos pais, que questionam sua postura e não cedem facilmente aos pedidos da filha. Ela não deixa de ter "desejos de consumo", mas aprende a avaliá-los e a diferenciá-los de suas "reais necessidades". A melhor amiga dela, Flávia, já é totalmente consumista e seus pais atendem a todos os seus desejos. Ela é um ótimo exemplo da criança que não tem limites e não compreende o que representa seu consumismo, o quanto ele é desnecessário, excessivo e pode ser prejudicial. Assim como as duas, o perfil das outras crianças que aparecem na história é facilmente encontrado na vida real.

Postado por Anelise

Comentários (1)

  • Luiz Fernando diz: 23 de junho de 2009

    Qual a diferença na mente infantil entre o precisar e o querer? Não está havendo precipitação por uma racionalidade própria de uma fase de desenvolvimento posterior? Qual o papel da qualidade das relações pais-filhos no consumismo? Crianças atendidas e entendidas precisam de limites ou de orientações? Fiquei com a impressão de que o livro é um manual de boas maneiras para crianças de como "consumir corretamente". Elas merecem arcar com a responsabilidade de corrigir os erros do mundo adulto?

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