Gente, ainda estou chocada. No domingo à noite, quando lavava as mãos no banheiro, o Bruno chegou correndo na rapidez de um foguete, avisando:
- Mãe, o Papai Noel está na TV. Vem ver - gritou, me puxando pela mão.
Quando chego na cozinha, onde o aparelho estava instalado, levei um choque. Em rede nacional, no programa de maior audiência do domingo à noite, assistido por milhares de crianças, começava a ocorrer uma "transformação" que resultaria naquela figura que é tão adorada pelos pequenos nesta época natalina. Nem vi direito quem era o ser que, na sequência, receberia todos os apetrechos vermelhos. Só deu tempo de eu tapar os olhos do meu pequeno com as duas mãos, e sair para o quarto também correndo como foguete e avisando:
- Bruno, fecha os olhos que a mãe vai te mostrar uma surpresa.
Nos segundos até o quarto, inventei uma solução qualquer, que, ainda bem, não despertou nenhuma desconfiança do guri. Ufa, foi por muito pouco.
Mas e quantos pais e mães não conseguiram manter o encanto a tempo? Para quantas crianças, a ficha não deve ter caído naquele instante? Como é que acabam com um sonho tão puro de tantas crianças em rede nacional? Não teve uma mãe ou pai para alertar a equipe? O consumismo chegou a tal ponto que não se dá mais importância para isso? Se eu quiser garantir que o meu menino siga acreditando nesse senhor simpático de barba, vou ter de manter a TV desligada todo o tempo... Talvez seja o jeito mesmo.
Ou então, como me aconselha o Marcos Fonseca, que senta aqui ao meu lado na Redação do Diário de Santa Maria e é pai da linda Mariana, o jeito, diante da revelação, é explicar ao pequeno que há vários ajudantes, mas um só é o titular, o verdadeiro. Os demais usam a fantasia para ajudar nessa tarefa grandiosa, que é não deixar uma única criança sem presente. Outra boa alternativa.
Postado por Fabiana Sparremberger







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