Depois do grande susto do acidente de trânsito que envolveu a família no domingo, contado aqui no blog, a correria foi grande. A segunda-feira teve poucas horas para tantas providências. Um dos compromissos era no IML de Santa Maria, já que a colisão resultou em ferimentos em mim e no Bruno. O exame de lesões corporais foi feito após um feriado, mas não demandou muita espera. O pouco que passamos naquela sala já foi suficiente para conhecermos muitas tragédias vivenciadas todos os dias em tantos lares.
Uma senhora que aparentava 50 anos contava que foi acordada por agressões feitas com um pedaço de pau pelo vizinho viciado em crack. Ele queria levar a televisão e gritava por dinheiro.
- Acordei apanhando, sem entender ao certo o que estava acontecendo. Tenho medo de voltar pra casa. Ele disse que vai voltar e me matar porque não conseguiu levar o que queria.
Outra senhora, mais jovem, contava que seu drama morava dentro de casa mesmo. Fora agredida pelas costas pela nora, que lhe deu um chute tão forte que lhe tirou a firmeza do caminhar.
Eu, que só acompanhei aquelas conversas sem me pronunciar, saí de lá na certeza de que meu problema foi pequeno demais se comparado a tantas tragédias que tiram a paz e a alegria de tantas famílias. Saí de lá triste por aquelas mulheres, mas feliz por ter compreendido o propósito daquela vivência.








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