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'Papai está no céu, a gente pode visitá-lo?'

27 de julho de 2010 0

O papai está no céu. A mamãe virou um anjo. Se já é difícil para um adulto tentar entender a morte, imagina para as crianças, para os bebês... Morte combina com velhice, mas o que fazer quando ela é precoce? A jornalista Aline Dalmolin, mãe de Francisco com dois anos, está sobrevivendo à morte do marido Luis Eugênio Véscio. Ele morreu há dois meses após complicações que surgiram depois de uma cirurgia de redução de estômago.

Nos primeiros dias, o pequeno fazia perguntas do tipo:

- Papai está no céu, a gente pode visitá-lo?

Com o passar do tempo, Francisco passou a falar menos sobre o pai. Está numa fase em que não compreende o significado da morte. A mãe não esconde a dor que sente pela perda do marido. Reconhece no filho muitas características do pai.

- Ao mesmo tempo, dói e reconforta. Sinto a presença do pai dele em várias situações.

Passado o choque inicial, Aline vai vivendo e se dedicando ao filho. Ela procura não chorar na frente do pequeno, porém, mesmo tentando não demonstrar sua dor, é surpreendida com frases como:

- Mamãe está triste.

Francisco também é o nome do filho de Cristiana Guerra, uma celebridade do mundo virtual. "Um homem tem morte súbita, dois meses antes do nascimento do seu único filho. Assim nasce este blog. Tentando entender e explicar dois sentimentos opostos e simultâneos vividos pela viúva e mãe que, no caso, sou eu." O texto aparece na página inicial do blog que Cristiana começou a escrever em 2007. Ela tinha pressa em falar sobre o pai para o filho que acabara de nascer. A experiência pessoal dela virou um delicado e emocionante livro Para Francisco.

Para os que ficam, o jeito é encontrar um novo jeito de sobreviver. Deixar o tempo fazer a sua parte, assimilar que está faltando algo na vida e atravessar o longo caminho da dor. Segundo a psicóloga especialista em infância e família, Cristina Kruel, até a idade pré-escolar, as crianças não compreendem a morte como algo irreverssível. A partir dos 6 anos, elas começam a entender melhor.

- É preciso responder as perguntas das crianças porque o pai ou a mãe fazem parte da história delas. A explicação vai depender principalmente da crença de cada família.

Os que não são tão pequenos podem ter diferentes reações e desenvolverem até problemas físicos, como febres e dores abdominais. Não existe um período de luto, mas, se o choro constante e a tristeza profunda perdurarem por mais de quatro meses, é preciso procurar ajuda especializada.

- É patológico quando a pessoa não consegue retomar a vida, chora diariamente. Depende da intensidade e da freqüência do luto.

Para os adultos colocar para fora ajuda a aliviar a dor, seja falando ou escrevendo sobre os assuntos. Já os pequenos devem saber o que está acontecendo e não podem ficar sem respostas.

(Coluna Em Nome do Filho publicada no jornal Diário de Santa Maria na segunda-feira, 26/07/2010)

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