* A criança tem aparência normal. Os pais desconfiam, mas não detectam o problema, nem com o uso de aparelhos nem com exames laboratóriais. O diagnóstico é feito por meio de uma série de sintomas como dificuldades na interação social, problemas de linguagem e de comportamento. Estamos falando do autismo, também conhecido como transtorno global de desenvolvimento. Um distúrbio do desenvolvimento humano que pode ser leve, moderado ou severo (normalmente associado a alguma doença mental). Apesar dos avanços nos estudos, ainda não há uma causa bem definida para o problema.
Na semana passada, a coluna reproduziu um depoimento emocionante da nutricionista Silvia Sperling, mãe do Otávio, autista de quatro anos. Seguimos no assunto porque ainda há muito a ser falado.
- Eles parecem, às vezes, extraterrestres - relata Ligia Tonetto, tesoureira da Associação dos pais e amigos do autista de Santa Maria, criada em 2008.
- A cabeça deles é como se fosse uma mala bagunçada. Eles vão colocando coisas nela e não sabem como usar - comenta a especialista em autismo, Fabiane Biazus, exemplificando que é como se um brasileiro fosse morar no Japão e não entendesse uma palavra de Japonês.
A forma como o autista aprende é diferente. Não é que ele não goste, por exemplo, de olhar nos olhos dos outros. Mas um autista normalmente não vê significado nisso.
- O simbólico não existe, e ele precisa de estímulos visuais. Para entender o que é uma banana, ele precisa ver uma banana.
É comum os pais relatarem que a criança passou por um período de normalidade antes de manifestar os sintomas do autismo. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental. Formada em educação especial, com especialidade em autismo, Fabiane acredita que ainda falta informação aos pediatras. Compreendendo os sintomas, eles poderiam encaminhar a criança para outros profissionais especializados, como um neuropediatra, psicopedagogo, fonoaudiólogo e educador especial.
Desde cedo é preciso estimular a fala, a prática de exercícios físicos e uma série de rotinas para se adaptar melhor nesse mundo dos ditos "normais". Hoje autistas considerados leves estão inseridos no mercado de trabalho e conseguiram constituir famílias.
Segundo Ligia Tonetto, a inserção em escolas regulares é fundamental nesse processo, mas ainda há muito o que avançar. Esse é um dos desafios da Associação que reúne cerca de 40 pais de autistas. O principal objetivo da entidade é criar um centro de excelência de desenvolvimento humano. Seria um centro multidisciplinar com apoio médico e educacional para abrigar os autistas no período oposto ao escolar. O projeto já existe e para sair do papel é preciso captar recursos. Uma das alternativas encontradas pela associação seriam recursos federais. Porém para receber os valores, a cidade ainda precisa ter uma legislação específica criando um conselho municipal dos direitos das pessoas com deficiência.
Segundo a ASA - Autism Society of American, pessoas com autismo tem pelo menos metade dessas características:
- Usa pessoas como ferramentas
- Resiste a mudanças de rotina
- Não se mistura com outras crianças
- Não mantém contato visual
- Age como se fosse surdo
- Resiste ao aprendizado
- Apresenta apego não apropriado a objetos
- Não demonstra medo de perigos
- Gira objetos de maneria bizarra ou peculiar
- Apresenta risos e movimentos não apropriados
- Resiste ao contato físico
- Tem acentuada hiperatividade física
- As vezes é agressivo e destrutivo
- Apresenta modo e comportamento indiferente e arredio
* Coluna Em Nome do Filho, assinada por Ticiana Fontana e Fabiana Sparremberger, publicada todas as segundas no jornal Diário de Santa Maria.









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